quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O plano de salvação é como uma peça de três atos




Em 1995, em um discurso proferido em um serão para os adultos solteiros, o Presidente Boyd K. Packer, Presidente Interino do Quórum dos Doze, disse:
“O curso de nossa vida mortal, do nascimento até a morte, obedece à lei eterna e segue o plano descrito nas revelações como o grande plano de felicidade. O conceito e verdade que desejo fixar em sua mente é o seguinte: Há três partes no plano. Vocês estão na segunda parte, que é a parte do meio, na qual serão testados pela tentação, provações e talvez por tragédias.
Compreendendo isso, estarão melhor capacitados para entender o sentido da vida e resistir à dúvida, desespero e depressão.
O plano de redenção, com suas três divisões, poderia ser comparado a uma peça de três atos. O ato 1 denomina-se ‘Vida Pré-Mortal’. As escrituras descrevem-no como nosso primeiro estado. (Ver Judas 1:6; Abraão 3:26, 28.) O ato 2, do nascimento até a ressurreição, é o ‘Segundo Estado’. E o ato 3 é chamado de ‘Vida após a Morte’ ou ‘Vida Eterna’.
Na mortalidade, somos como atores que entram no teatro assim que a cortina se abre para o segundo ato. Perdemos o primeiro ato. A peça tem muitas tramas principais e secundárias que se interligam, tornando difícil descobrir quem se relaciona com quem e o que com o que, quem são os heróis e quem são os vilões. O enredo é ainda mais complicado porque não somos meros espectadores; somos integrantes do elenco e estamos no palco, no meio de tudo isso!” (The Play and the Plan, discurso para os jovens adultos solteiros, 7 de maio de 1995, pp. 1–2.)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Ide Por Todo o Mundo:" Tendências Tecnológicas e a Igreja SUD no Século 21 -- por Marcus H. Martins, Ph.D.

À medida em que rapidamente nos aproximamos do começo de um novo século e um novo milênio, é quase inevitável que voltemos nossos pensamentos para o futuro e tentemos visualizar algumas das possibilidades que se avizinham. Para mim, isso inclui a tentativa de visualizar o crescimento potencial d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias durante o próximo século e alguns dos requisitos e oportunidades associados com tal crescimento.
No início dos anos 70 me senti inspirado pela visão e perspectivas para o futuro da Igreja apresentadas por vários profetas, começando com o Presidente Spencer W. Kimball. Nos últimos 3 anos eu tenho adotado aquelas perspectivas como um tema sério e freqüente em meu estudo do estabelecimento e crescimento mundial da Igreja.
Combinando meus anos de experiência profissional em informática com a minha pesquisa acadêmica em sociologia da religião, eu tenho procurado imaginar: (1) que impacto algumas das tecnologias emergentes deste final de século poderão ter na implementação da missão d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no século 21; e (2) que medidas poderiam ser tomadas no presente a fim de nos preparar para esse futuro idealista mas ainda viável.

Longe de ser simplesmente uma discussão puramente secular desse tema, meu ofício no sacerdócio e minha posição como professor de religião me levam a focalizar esse exercício mental nas implicações eclesiásticas destas tendências tecnológicas. Mas antes de fazê-lo, devo esclarecer que meu envolvimento neste exercício intelectual decorre únicamente do meu interesse pessoal no assunto, e não do resultado de qualquer projeto ou pronunciamento oficial d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. No entanto, como o Profeta Joseph Smith certa vez uma declarou: "Todo élder tem o privilégio de falar sobre as coisas de Deus." (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p.11). Para mim esta palestra acadêmica é uma oportunidade de desfrutar deste privilégio.

Perspectivas Demográficas
Em 1984 o sociólogo Rodney Stark sugeriu à comunidade acadêmica que poderão existir 265 milhões de Santos dos Últimos Dias em todo o mundo por volta do ano 2080. Após pouco mais de uma década Stark observou, desta vez para o seu próprio assombro, que em 1996 sua projeção original para aquele ano já havia sido ultrapassada em quase um milhão de membros.
Hoje (i.e. 1998), Santos dos Últimos Dias somam mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Se nós experimentalmente aceitássemos a projeção de Stark como uma meta potencial, com aproximadamente 81 anos para alcançar a data projetada, seríamos forçados a perguntar: Onde e como poderíamos achar, ensinar, batizar, e (quiçá) reter estes 255 milhões de Santos dos Últimos Dias adicionais? Nos últimos anos deste século a Igreja tem experimentado um crescimento de aproximadamente 300.000 novos conversos anualmente. Considerando que muitos entre os membros do futuro serão descendentes de membros da atualidade e de futuros conversos, ainda assim, a fim de alcançar a marca de 265 milhões precisaríamos batizar mais de 1 milhão de conversos anualmente começando em 1999!
Quando consideramos o mandamento divino de pregar o evangelho a cada criatura, os números tornam-se ainda mais imponentes. A população mundial atual é de 5,9 bilhões de indivíduos. Projeções demográficas recentes publicadas pela Divisão Populacional das Nações Unidas prevêm que-se todas as variáveis pertinentes permanecerem constantes--no ano 2050 a população mundial poderá alcançar a marca de 9,4 bilhões de pessoas.
Se batizássemos 1 milhão de indivíduos a cada ano, ainda assim levaríamos 5.900 anos para batizar um número equivalente à população atual. Muito embora o Senhor tenha nos ordenado a pregar o evangelho a cada criatura mas batizar somente os que crerem (ver Marcos 16:15; Doutrina e Convênios 18:28; 68:8; 112:28), ainda assim estes números claramente mostram que a tarefa adiante é simplesmente monumental.
Um dos obstáculos à missão da Igreja de pregar o evangelho a cada criatura é o fato de que a população do mundo vive separada por vastas distâncias. No final do século 20, aproximadamente 45 por cento da população mundial residia em áreas urbanas. Relatórios das Nações Unidas declaram que em 1996 havia perto de 2,7 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas. Dentre esses, 806 milhões (em torno de um terço da população urbana total) viviam em 338 cidades e áreas metropolitanas com populações ao redor ou acima de 1 milhão de habitantes, e outros 880 milhões de pessoas (aproximadamente mais um terço da população urbana total) viviam em 3.015 cidades com populações ao redor ou acima de 100.000 habitantes.
Os 976 milhões restantes viviam em cidades pequenas com 2.500 ou mais habitantes. Arbitrando uma média populacional por cidade, esta população remanescente seria grande o suficiente para ocupar 39.000 cidades adicionais de 25.000 habitantes(2). E esses números não levam em conta a população rural do mundo--um número próximo de 3,2 bilhões de pessoas, representando aproximadamente 54 por cento da população mundial de 1996, a maioria localizada em lugares longínquos e sem números mínimos para criar e manter unidades permanentes da Igreja.
A lógica indica que a nossa próxima pergunta deve ser: Como a Igreja pode realizar a formidável missão de contactar, ensinar, batizar, e mais tarde nutrir grandes populações espalhadas por vastas distâncias?

Uma Visão Profética
Em 1974, Presidente Spencer W. Kimball declarou o seguinte: "Tenho fé de que o Senhor abrirá as portas quando fizermos tudo a nosso alcance. Acredito que o Senhor está ansioso para por em nossas mãos invenções que nós, leigos, mal podemos compreender."(Teachings of Spencer W. Kimball, p.587). Esta declaração me impressionou profunda e permanentemente desde a primeira vez que a li.
Tecnològicamente falando, estamos a anos-luz de dos níveis existentes em 1974. Hoje gozamos de avanços tecnológicos que estavam além da nossa imaginação 24 anos atrás: computadores portáteis com processadores ultra-rápidos; programas de computador--tais como processadores de texto, planilhas eletrônicas, bancos de dados, correio eletrônico, e uma miríade de outros programas que pesquisam e divulgam toda espécie de informação que reduzem consideravelmente o tempo gasto em várias tarefas educacionais e administrativas--armazenagem e transmissão de dados via raios laser; redes de telefonia digital; televisão a cabo e via satélite, etc. E nós não apenas desfrutamos destas maravilhas tecnológicas, mas também observamos um fenômeno que aparece ser exclusivo a este século: a produção em massa e a subsequente popularização dessas tecnologias de ponta-até mesmo nos países em desenvolvimento.
Mas tendo considerado estes fatores, devemos perguntar: Quem disse que já alcançamos o pináculo do desenvolvimento tecnológico? Proponho que quando consideramos as possibilidades atuais para um futuro não muito distante, podemos concluir que estamos no limiar de avanços tecnológicos que terão tão grande um impacto em nossas vidas e no cumprimento da missão da Igreja no século 21 como o rádio, o telefone, a televisão, e o automóvel tiveram na vida das pessoas no início do século 20.

Visões de um Futuro Concebível
Há algum tempo venho concebendo algumas "visões" ou "sonhos" para o uso de algumas tecnologias emergentes num futuro não muito distante--possivelmente dentro dos próximos 50 anos. Embora uma discussão mais profunda da viabilidade econômica ou dos atuais obstáculos técnicos estejam além do âmbito desta palestra, eu espero que isto ainda venha a ser o início de uma conversa frutífera sobre possibilidades espetaculares.

Missionários Domésticos
No seu prefácio ao livro de Doutrina e Convênios o Senhor afirmou que não haveriam obstáculos a seus servos em sua missão de levar a voz de advertência às nações (Doutrina & Convênios 1:4-5). Uma vez que um dos desafios a ser sobrepujado é a distância, eu vislumbro o advento de missionários de tempo parcial que poderiam ensinar o evangelho a partir de seus próprios lares usando um equipamento de comunicação que por si só substituiria os nossos atuais televisores, computadores, e telefones, possivelmente usando uma versão muito mais avançada da atual tecnologia WDM (wavelength division multiplexing) baseada em transmissões via raios laser.
Com tal equipamento nós poderíamos ter literalmente milhões de "missionários domésticos" servindo em tempo parcial. Estes seriam membros regulares da Igreja que ao invés de "bater em portas ou tocar campanhias" seriam designados a "tocar nas antenas parabólicas" das famílias do mundo e apresentar uma palestra introdutória sobre o evangelho restaurado usando recursos de multimídia e realidade virtual. Ainda nos anos 70 o presidente Spencer W. Kimball sugeriu o seguinte:
"Usaremos as invenções que o Senhor nos tem dado para despertar interesse e familiarizar as pessoas do mundo com as verdades; para eliminar seus preconceitos e lhes dar um conhecimento geral. Necessitaremos responder perguntas específicas, e talvez isso possa ser feito por meio de rádio e TV aperfeiçoados a um ponto além da nossa imaginação atual. É concebível que tal programa grandemente aperfeiçoado possa ser multiplicado dez mil vezes em dez mil línguas e dialetos em dez mil lugares distantes e próximos. ... Dezenas de milhares de jovens missionários investidos com o poder do alto prosseguiriam com o proselitismo." (Teachings of Spencer W. Kimball, pp.588-589)
Idiomas não seriam mais obstáculos. Uma nova geração de computadores talvez usando a futura tecnologia de computação quântica--milhões de vezes mais rápidos que o mais veloz microprocessor disponível em 1998--combinada com software de tradução em real-tempo usando inteligência artificial, poderia ajudar-nos a facilmente sobrepujar barreiras culturais e lingüísticas. Estes equipamentos de comunicação doméstica do futuro poderão até mesmo simular nossas vozes, fazendo com que pessoas distantes ouçam o que pareceria ser nossa própria voz. Num futuro um pouco mais distante, podemos vislumbrar o advento de uma versão mais refinada da tecnologia de realidade virtual com imagens em três dimensões, o que faria com que esses missionários domésticos pudessem ver e sentir como se estivessem na presença de seus investigadores e vice versa.Ramos Virtuais
Usando essa versão mais refinada da tecnologia de realidade virtual com imagens em três dimensões, as pessoas que vivem em locais muito distantes poderiam um dia ser capazes de assistir as reuniões dominicais da igreja sem sair de seus lares. Veriam, ouviriam, sentir-se-iam, e reagiriam como se estivessem numa capela de verdade. Apesar do fluxo migratório contínuo em direção de áreas urbanas, as projeções atuais indicam que próximo do ano 2030 uma porcentagem significativa da população mundial ainda estará vivendo em áreas esparsamente povoadas, onde a construção de capelas permanentes poderá ser inviável. Dispositivos de comunicação avançados poderão ser o único meio através do qual estas populações futuras de Santos dos Últimos Dias poderiam ser contactadas e nutridas.
Para alguns esta idéia pode aparecer ser inadmissível. Entretanto, devemos lembrar dois dos principais objetivos das reuniões dominicais: (1) adorar o Senhor e (2) instruir e edificar uns aos outros através do ministério da palavra de Deus pelo poder do Espírito Santo. Sob esta ótica, a idéia de assistir a uma reunião virtual não soa tão absurda. Ordenanças como o sacramento poderiam ser realizadas parcialmente ao vivo e parcialmente eletrônicamente. Cada indivíduo ou família teria que proporcionar seu próprio pão e água. Depois do hino sacramental, um sacerdote (talvez a milhares de quilômetros de distância) ofereceria as orações sacramentais da forma costumeira e cada indivíduo ou família partilharia do pão e água.
Lições da escola dominical poderiam ser proporcionadas pelos próprios membros, os quais teriam chamados nestes "ramos virtuais" tal qual os chamados nos ramos "físicos". A tecnologia não desviaria a atenção dos membros nem substituiria professores; ela seria apenas o meio de aumentar o raio de ação dos recursos humanos da Igreja.
Transmissões Virtuais de Conferências Gerais
No século 20 só uma pequena porcentagem dos membros da Igreja teve a oportunidade de ir à Praça do Templo e desfrutar da experiência e a inspiração proporcionadas ao se assistir a uma conferência geral ao vivo. Tecnologia de imagens mais avançada e comunicação via laser poderão num futuro não muito distante permitir que números cada vez maiores de Santos dos Últimos Dias possam assistir todas sessões das conferências gerais da Igreja tal como se eles realmente estivessem no futuro prédio de reuniões sem sair de seus lares. Seriam capazes de ver, de ouvir, e de sentir-se como se estivessem assistindo em pessoa, sendo inclusive capazes de escolher de que ângulo gostariam de assistir os procedimentos. Poderiam também escolher se assistiriam os procedimentos ao vivo ou posteriormente.

Tecnologias Emergentes e o Trabalho Templário
Há alguns anos, em minha imaginação do século 20, eu considerei o advento de templos menores (Martins, 1995.) Eu ainda me lembro da idéia sendo posta em dúvida pelas minhas platéias. Embora eu não consiga vislumbrar o advento de "templos virtuais," eu posso contudo vislumbrar a cerimônia de investidura sendo apresentada com tecnologia visual mais avançada, colocando os indivíduos praticamente no meio dos cenários e ações. A princípio isto pode soar tão estranho para alguns de nós como deve ter soado para muitos Santos dos Últimos Dias do século 19 a idéia de um dia participar da cerimônia de investidura por meio de um filme.
No que se refere ao número de templos, se imaginarmos um templo em cada grande centro urbano do mundo, digamos, cidades com uma população de 100.000 ou mais habitantes, nós poderíamos imaginar a existência de mais de 3.000 templos por todo o mundo. Meios de transporte ultra-rápidos, sucessores dos nossos atuais trens, ônibus, e automóveis--talvez acionados por levitação magnética ou outra tecnologia anti-gravidade, permitiriam aos membros frequentar fàcilmente um templo a 800 quilômetros de distância, após uma viagem de possivelmente não mais que uma ou duas horas de duração.
Enquanto na obra missionária nós batizamos somente os que crêem, no trabalho templário executamos ordenanças para todas as pessoas falecidas acima da idade da responsabilidade. Com isso, a existência de milhares de templos no futuro faz sentido. Isto não só se traduziria em bilhões e bilhões de ordenanças, mas também em bancos de dados de capacidade quase inimaginável nos dias de hoje necessários para a manutenção de registros e para a coordenação do trabalho em todos os templos do mundo. Tecnologias emergentes em armazenagem de dados forma de luz em cristais também sugerem a possibilidade de bancos de dados mundiais, os quais possibilitariam acesso fácil e rápido à dados genealógicos e registros de ordenanças templárias.

De Volta à Terra: Possíveis Obstáculos à Realização da Visão
Depois de considerar estas possibilidades espetaculares para o futuro, devemos retornar à realidade do presente e considerar a plausibilidade de tal visão. Além dos obstáculos técnicos previamente mencionados nós podemos listar como possíveis impedimentos adicionais à realização da visão: (a) flutuações no volátil sistema financeiro global; e (b) "micro-guerras," ou disputas regionais dentro de uma única nação ou entre nações vizinhas.
Estes foram problemas freqüentes durante todo o século 20. Não obstante, podemos argumentar que apesar de tantos obstáculos e contratempos, se considerarmos todas as variáveis pertinentes, muitas nações alcançaram níveis razoáveis de desenvolvimento. Embora muitas áreas do mundo ainda sofram os efeitos da pobreza crônica e suas conseqüências, em general estes problemas parecem acontecer em nações onde os benefícios das economias de mercado e regimes democráticos vieram muito tarde, geralmente nas últimas 2 ou 3 décadas do século.
Ao estudarmos o estabelecimento e desenvolvimento de democracias nos últimos 200 anos, notamos que o processo democrático parece sofrer o efeito de ciclos de vida e curvas de aprendizado. O estabelecimento de novas sociedades democráticas, especialmente em substituição a antigos regimes autocráticos, requer mudanças profundas em filosofias políticas, expectativas públicas, níveis de participação cívica, e apoio internacional. Até a primeira metade do século 20 poucas democracias gozaram dos benefícios da combinação de todas estas variáveis. Aliás, até recentemente a comunidade international era em general mais inclinada a apoiar regimes que perpetuassem velhas teorias colonialistas e valores etnocêntricos do que a apoiar regimes democráticos e igualitários.
Se as novas democracias do final do século 20 receberem a ajuda adequada não só no âmbito econômico e financeiro mas também no educacional, podemos prever uma era de prosperidade razoável para cada um desses países. Por "prosperidade razoável" entenda-se a implementação de refinamentos macro e microeconômicos que capacitarão estas nações a garantir a seus cidadãos níveis satisfatórios de saúde, educação, e acesso a utilidades públicas, para contentamento social em geral. A chave para o sucesso nesse empreendimento está em não esperar que todo o mundo desfrute do mesmo estilo de vida consumista e materialístico e dos altos níveis de ostentação das nações mais industrializadas.
Com a crise financeira global de 1998 ainda na memória recente, alguns podem questionar a plausibilidade de tal crença. Afinal de contas, bilhões de dólares em pesquisa básica e aplicada seriam necessários para obter-se as maravilhas tecnológicas vislumbradas aqui. Em resposta, podemos lembrar que todos os desenvolvimentos tecnológicos do século 20 foram alcançados em meio a muitos obstáculos: duas guerras mundiais, uma série interminável de micro-guerras, grandes depressões econômicas, e crises globais de petróleo.

A Visão da Fé
Neste ponto o sociólogo cede o lugar ao sumo sacerdote. De um ponto de vista puramente secular poderíamos nos limitar a dizer que grandes adaptações seriam necessárias nos sistemas políticos e financeiros mundiais, e lacônicamente encerrar esta palestra. Mas uma vez que estamos lidando com o mandato divino de proclamar o evangelho de Jesus Cristo em todo o mundo, nós temos que adicionar fé inabalável ao nosso estudo e explorar nossa visão mais amplamente.
O Profeta Joseph Smith ensinou: "a inteira criação visível, tal como agora existe, é o efeito da fé" (Lectures on Faith, p.62). Assim sendo, por quê não aceitar a idéia de que nosso trabalho na edificação do reino de Deus também deve ser o resultado de fé? Uma vez que fixemos nossas mentes nessa idéia, buscamos nas escrituras promessas específicas que fortalecerão nosso expectativa de um futuro brilhante.

Encontrando Recursos para Avançar a Obra do Reino
Para começar, devemos manter em mente que Deus vive e que só ele tem pleno controle sobre a terra e o plano de salvação--não os homens nem seus governos mortais imperfeitos e transitórios.
Presidente Kimball prometeu: "o Senhor abrirá portas quando fizermos tudo ao nosso alcance." (Teachings of Spencer W. Kimball, p.587) O Salmista escreveu: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam" (Salmos 24:1). Numa revelação ao Profeta Joseph Smith, o Senhor elaborou dizendo:
"Eu, o Senhor, estendi os céus, e formei a Terra, obra de minhas mãos; e as todas coisas que neles há são minhas. E é meu propósito suprir a meus santos, pois todas as coisas são minhas. ... Pois a Terra está repleta, e há bastante e de sobra; sim, preparei todas coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros."(Doutrina e Convênios 104:14-15,17)
Quando o Senhor autorizou o rei Salomão a construir um templo magnífico na antiga Israel, muitos dos materiais de construção vieram de países estrangeiros. Dessa mesma forma, nos últimos dias antes da Segunda Vinda podemos esperar que o Senhor inspire muitos entre seu mordomos por toda a terra a apresentar-se e contribuir livremente de sua substância--que pertence ao Senhor-para ajudar a edificar o reino de milenar de Cristo. O Senhor é Deus; ele pode inspirar os líderes das nações por meio da ministração de anjos e de sonhos tão poderosos que estes líderes sentir-se-ão constrangidos a agir de acordo com a vontade do Senhor. Por quê duvidar disso?Nos primeiros tempos desta dispensação o Senhor instruiu o Profeta Joseph Smith a fazer uma proclamação aos reinos da terra a fim de ajudarem a construir uma casa ao Senhor, o templo de Nauvoo. Naquela época o Senhor declarou:
"Esta proclamação será feita a todos os reis do mundo... ao ilustre presidente eleito e aos nobres governadores da nação em que vives e a todas as nações espalhadas pela face da terra. Que seja escrita com espírito de mansidão e pelo poder do Espírito Santo, que estará em ti quando a escreveres; ..."Pois eis que estou prestes a conclamá-los para darem ouvidos à luz e à glória de Sião, porque chegado é o tempo determinado para favorecê-la. Conclama-os, portanto, com uma proclamação vigorosa, e com teu testemunho, sem os temer, porque eles são como a erva, e toda sua glória como a flor da erva que logo cai ...
"E também os visitarei e abrandarei o coração de muitos deles para o vosso bem, para que encontreis graça aos olhos deles, para que venham à luz da verdade e os gentios, à exaltação ou, em outras palavras, ao enaltecimento de Sião. ... Despertai, ó reis da terra! Vinde, ó vinde com vosso ouro e vossa prata, em auxílio de meu povo ..." (Doutrina e Convênios 124:3-7,9,11)
Com este mandato divino em mente, os únicos verdadeiros obstáculos à realização destas coisas seriam nossa incredulidade e falta de preparação. Portanto, concluímos que esta é uma hora de fé, não de dúvida. A Igreja deve provar ao Senhor que está pronta e disposta a crescer em índices até o momento considerados inimagináveis.
 Preparação para o Futuro
Após discutirmos possibilidades tecnológicas e a aceleração do cumprimento da missão da Igreja, a boa lógica indica que a próxima pergunta é: Que medidas poderiam ser tomadas no presente a fim de ajudar na nossa preparação para esse possível futuro que idealizamos?
O Senhor declarou em Doutrina e Convênios que a fim de nos prepararmos para magnificar nossos chamados nós necessitaríamos ser "instruídos mais perfeitamente":
"... em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas coisas pertinentes ao reino de Deus, que vos convém compreender; Tanto coisas do céu como da Terra, e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos" (Doutrina e Convênios 88:78-79).
Tal declaração sugere que um dos passos a nossa preparação é a educação contínua numa variedade de assuntos seculares. Um outro aspecto de nossa preparação para o futuro envolve a dimensão financeira do reino. O Senhor disse ao Profeta Joseph Smith que a terra de Sião deverial ser adquirida por compra ou por sangue, e ele imediatamente adicionou que nesta dispensação nós somos proibidos derramar sangue (Doutrina e Convênios 63:29-31). Uma vez que necessitamos de alimentação adequada, abrigo, vestuário, e outras necessidades básicas; e já que no mundo de hoje estes itens só podem ser obtidos com dinheiro, nossos empreendimentos educacionais e profissionais tornam-se uma parte integral do processo de estabelecer Sião. Isso nos permite e nos justifica em pedir o apoio do Senhor para essas buscas aparentemente temporais ou seculares. Todas estas coisas são espirituais para o Senhor. Cabe aos membros da Igreja provar ao Senhor que estão prontos para receber as bênçãos e para viver de acordo com os padrões mais elevados associados à essas bênçãos.Mas como o Senhor pode abrir portas--ou canais de satélite--pelo mundo afora quando Santos dos Últimos Dias muitas vezes não batem nas portas de seus vizinhos? Como pode o Senhor confiar milhões de conversos aos nossos cuidados qundo ainda não dominamos a arte de reter as dúzias existentes em nossas alas e ramos?

Milagres Acontecem em Todas as Áreas do "Campo Missionário"
Outro passo importante em nossa preparação como Igreja e povo é o de obter um maior entendimento das ferramentas espirituais disponíveis para o trabalho. Poderemos ser abençoados ao usar estes dons milagrosos numa muita escala maior pelo mundo afora depois que nos familiarizarmos com seu uso nas nossas próprias alas e ramos.
 

Quando usamos termos tais como "o mundo" ou "o campo missionário," podemos cair na armadilha de pensar que estes termos se referem somente a lugares exóticos distantes em terras estrangeiras. Em realidade, não se pode esquecer que mesmo o estado de Utah, o sudeste do estado de Idaho, ou outras áreas com grande presença SUD são parte integral do "mundo". O termo "campo missionário" tornou-se uma expressão comum no discurso contemporâneo SUD, normalmente usado para se referir a lugares em terras longínquas.
Entretanto, eu proponho uma definição mais ampla para este termo: o "campo missionário" é qualquer lugar onde a missão tríplice da Igreja está sendo implementdada. Em outras palavras, o campo missionário é qualquer lugar onde exista uma única alma ainda a ser batizada, ou uma única alma ainda a ser trazida de volta à plena integração ou plena atividade na Igreja de Jesus Cristo. Ou qualquer lugar onde exista uma única alma que ainda precise receber sua própria investidura na Casa do Senhor.
Seguindo esta definição mais ampla, o "campo missionário" é qualquer lugar onde há indivíduos que ainda não consigam traçar suas "linhagens familiares do sacerdócio" até nosso pai Adão e nossa mãe Eva. Enfim, o "campo missionário" é qualquer lugar na terra onde existam pessoas justas que ainda precisem receber a confirmação de seu chamado e eleição e ser admitidos na presença de Deus.
Com esta perspectiva mais ampla em mente vem a compreensão de que o lugar aonde residimos é aonde devemos esperar por milagres, e não em algum lugar exótico longínquo. Considero a possibilidade de que milagres não ocorram mais freqüentemente entre nós em parte porque freqüentemente esperamos que eles aconteçam em algum outro lugar. Uma pessoa pode sonhar em pregar o evangelho e operar milagres em lugares estrangeiros e tornar-se negligente e casual no seu serviço do outro lado da rua.
Ocasionalmente, alguns podem pensar que já são suficientemente fortes na fé, ou que por algum efeito genético eles sempre serão ativos e fortes no reino. As escrituras não suportam tais crenças (ver 2 Pedro 3:17; Doutrina e Convênios 20:32-34; 84:43). Uma vez que ainda não tenhamos sido re-admitidos na presença de Deus, não podemos nos considerar nem seguros nem suficientemente fortes no reino. Serviço mútuo e orações podem ser muito eficientes em evitar os efeitos da letargia e apatia espiritual. Por meio de ensino inspirado mútuo e serviço nós aprenderemos os princípios dos quais ainda somos ignorantes e eventualmente seremos elevados a altitudes espirituais ao nosso alcance ainda não atingidas.

Futuras Altitudes Espirituais
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sempre irá adiante sob liderança inspirada. Os Santos dos Últimos Dias fiéis não podem se dar ao luxo de cair em letargia nem apatia espiritual. A simples frequência semanal às reuniões da Igreja sem a expectativa de receber ou de compartilhar luz e conhecimento adicionais, embora aceitável sob padrões gerais, não trará os benefícios plenos do dia do Senhor. Os membros fiéis devem buscar constantemente experimentar o poder de Deus através da leitura das escrituras, ou através da "escrita de revelações pessoais", e através de ponderação e oração. Se não esperamos nada espiritualmente novo em nossos lares, alas e ramos, como podemos sonhar em prestar deixar serviço milagroso na Rússia, na Nigéria, ou na China? Se a nossa religiosidade individual não está "acesa" em nossos lares, alas, e ramos, como podemos sonhar em acendê-la em outros em países estrangeiros?
A época de crescermos a índices nunca vistos parece ter chegado. No futuro, estudiosos da história de Igreja e membros em geral certamente reconhecerão o papel-chave que o Presidente Gordon B. Hinckley terá tido em iniciar e consolidar o impulso que mudará a face da Igreja para sempre. Ao contemplarmos sua liderança inspirada até este momento, nós vemos ampla evidência de uma "mudança de ritmo." Quando consideramos o número de novos templos em construção, as suas muitas viagens ao redor do mundo--onde mais da metade da população da Igreja teve a chance ouvir um presidente atual da Igreja em pessoa pela primeira vez, e as entrevistas que concedeu à imprensa mundial; quando todos estes elementos são considerados, já podemos ver que Presidente Hinckley está começando a abrir portas que nos levarão a altitudes espirituais que nós talvez nunca tenhamos imaginado serem possíveis. Em breve veremos "comportas celestiais" serem abertas e sempre que isto acontece a consequência é uma torrente formidável de conversos (ver Alma 23:1-7; Helamã 3:24-26; 5:48-52).
O futuro, para aqueles que se esforçam por viver em retidão e em servir ao Senhor, é majestoso, cheio de bênçãos temporais e espirituais maravilhosas, e chamados e designações altamente significativos. No futuro, estes chamados e designações muito provavelmente envolverão o ensino e a integração de milhões de membros e não-membros da Igreja em todas partes do mundo. As palavras do Presidente Kimball parecem nos desafiar a buscar o futuro com fé e coragem: "Os problemas do mundo não podem ser resolvidos por céticos nem cínicos cujos horizontes estão limitados pelas realidades óbvias. Precisamos de homens [e mulheres] que possam sonhar com coisas que nunca existiram e perguntar: 'Por que não?'" (Teachings of Spencer W. Kimball, p. 487; parêntesis adicionado).



 Bibliografia:
    Lectures on Faith. Salt Lake City, UT: The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 1938.Ensinamentos do Profeta Joseph Smith. Compilado por Joseph Fielding Smith. São Paulo, Brasil: Centro Editorial Brasileiro. The Teachings of Spencer W. Kimball. Edited by Edward L. Kimball. Salt Lake City, UT: Bookcraft, 1982. Martins, Marcus H. 1995 "A Commentary on Late Twentieth-Century Cultural Mormonism" ("Comentário sobre a Cultura do Mormonismo no Fim do Século Vinte"). In Report of the Sixth Annual International Society Conference, sponsored by Brigham Young University's David M. Kennedy Center for International Studies Stark, Rodney 1984 "The Rise of a New World Faith" ("O Surgimento de uma Nova Religião Mundial"). Review of Religious Research, 26(1) 1994 "Modernization and Mormon Growth: The Secularization Thesis Revisited" ("Modernização e Crescimento Mórmon: Revendo a Tese da Secularização") In Marie Cornwall, Tim B. Heaton, and Lawrence A. Young (eds.), Contemporary Mormonism: Social Science Perspectives. Urbana and Chicago, IL: University of Illinois Press.

Correspondência:
Marcus H. Martins, Ph.D.Chefe, Departmento de Educação Religiosa
Brigham Young University-Hawaii

Laie, Hawaii, USA   96762 
E-mail: martinsm@byuh.edu
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Notas:
1. Esta é uma versão expandida e atualizada de uma palestra acadêmica apresentada para professores, alunos, e funcionários do Ricks College (em Rexburg, Idaho, EUA) no dia 8 de Outubro de 1998, como parte do "Issues and Events Lecture Series."  Esta palestra também foi gravada em vídeo pela KBYU-TV e BYU-TV em conexão com o Simpósio Sidney B. Sperry, realizado em 30 de Setembro de 2000.

2. Meus agradecimentos a dois colegas, Professores John Nielsen, do departmento de geografia do Ricks College, e Tim Heaton, do departmento de sociologia da Brigham Young University, por suas valiosas sugestões ao meu esforço de estimar o número de cidades existentes no mundo. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Calendário de aulas Instituto SUD - Barreiro 2011

Queridos Irmãos, irmãs, amigos e amigas,
Estou ansioso, na próxima quinta feira, dia 24/02/2011, às 19:30 terá inicio nossas aulas do curso História da Igreja na  Plenitude dos Tempos.
Nossa classe funcionara na Capela da Ala Barreiro,
 RUA JOSE BRANDAO, 44 BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL.
Estou muito entusiasmado e espero que vocês também estejam.
Ah e não se esqueçam do serão de abertura do instituto: Sábado, 20/02/2011,às 19:00 na capela da Ala Barroca.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Chocolate, Células-Tronco, e Anjos Destruidores: Perspectivas Contemporâneas Sobre a Palavra de Sabedoria por Marcus H. Martins, Ph.D.


O mandamento conhecido como a Palavra de Sabedoria é uma característica tão distinta da identidade dos Santos dos Últimos Dias que, apesar de os Santos dos Últimos Dias não serem os únicos que abstêm-se do consumo de álcool e tabaco, é comum ouvir as pessoas dizerem: “Fulano deve ser ‘Mórmon’ porque ele não bebe, não fuma …” Obediência a este mandamento tende a ser tão comum que podemos supor que a maioria dos membros da Igreja diria: “A Palavra de Sabedoria não é lá um ‘grande’ mandamento … não é grande coisa.”
Ao pesquisar edições da revista Ensign dos anos 90 vemos que durante esses dez anos só dois líderes falaram sobre a Palavra de Sabedoria em conferências gerais d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E um deles fez apenas uma referência indireta ao lembrar que para conseguir uma recomendação para o templo os membros precisam obedecer a Palavra de Sabedoria.
O que poderia ser dito sobre a Palavra de Sabedoria que possa ser considerado uma idéia original? Meu objetivo nesta monografia é o de ver a Palavra de Sabedoria sob uma nova ótica, focalizando a dimensão espiritual desse mandamento, e não tanto os aspectos temporais...
(...)
Frequentemente pessoas nos perguntam: “Cristo e os discípulos bebiam vinho. O que vocês têm a dizer sobre isso?” Podemos responder dizendo que a Palavra de Sabedoria como nós a temos hoje em dia nos foi dada por causa de “maldades e desígnios” nos últimos dias. Não dos dias de Pedro, Tiago, João, e Paulo. Não dos dias de Samuel nem Daniel. Daniel com certeza disse: “Desculpe, eu não quero o alimento do rei. Dê-me algumas verduras e frutas, e água.” (Daniel 1:8-12) Paulo disse a Timóteo em uma suas cartas: “Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.” (1 Timóteo 5:23) A água era imunda naqueles dias e continha toda espécie de microrganismos causadores de doenças. Se tivesse havido um mandamento formal estabelecendo normas dietéticas naqueles dias ele necessariamente teria sido bastante diferente da Palavra de Sabedoria de hoje em dia. Eu só uso estes exemplos para ilustrar os limites e condições da Palavra de Sabedoria no últimos dias.(...)
 Para ler a monografia completa clique AQUI

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tardio em Irar-se


Um provérbio do Velho Testamento diz: “Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade” (Provérbios 16:32).
É quando ficamos irritados que nossos problemas começam. A fúria no trânsito que ocorre nas rodovias é uma manifestação abominável da ira. Atrevo-me a dizer que a maioria das pessoas que estão nas prisões, estão lá porque fizeram alguma coisa quando estavam dominadas pela cólera. Em meio à ira, elas insultam e perdem o controle de si mesmas, resultando em coisas terríveis, até mesmo assassinatos. Foram momentos de agressão seguidos de anos de pesar.

Para ler o discurso na integra Clique em: http://lds.org/conference/talk/display/0,5232,23-2-776-23,00.html

sábado, 22 de janeiro de 2011

Falsas Imagens de Cristo Por Marcus H. Martins, Ph.D.

Discurso do Devocional
Brigham Young University-Hawaii 24 de Maio de 2001
Copyright 2001 Todos os Direitos Reservados Editado em 25 Maio 2001
Introdução
Ao ponderar sobre o que compartilhar com vocês, minha mente se concentrou num tema que vem me preocupando há algum tempo–as “falsas imagens de Cristo.” No entanto, a natureza do assunto e de minhas observações exigem que eu explique o porquê de eu estar abordando este tema. Por isso, como um prefácio às minhas ponderações, vou esclarecer o meu papel como professor universitário de religião. É bem possível um bom número de membros da Igreja tenha apenas uma vaga idéia do trabalho e do papel de um docente de religião, ou da diferença entre um professor universitário de religião e um professor de seminário ou instituto.
Ao contrário de um professor de seminário ou de instituto, professores de religião nas instituições da ensino superior da Igreja têm a responsabilidade--tal como todos os outros docentes de tempo integral--de se engajar em trabalhos intelectuais e criativos que venham a apoiar e fortalecer o ensino. Isso significa que como professor de religião a universidade espera que eu me empenhe em atividades intelectuais conduzidas com rigor científico, profundidade, e profissionalismo que venham a gerar idéias que refinem o atual entendimento das doutrinas e princípios do evangelho; ou que ajudem a esclarecer e expandir a aplicação de doutrinas e princípios às questões, circunstâncias, ou dificuldades do mundo moderno em todas as áreas do empreendimento humano--sejam de caráter social, econômico, político, ou científico. Também se espera que professores de religião estabeleçam intercâmbio intelectual com outros estudiosos em religião e outras disciplinas, e que apresentem seu trabalhos em suas aulas, em reuniões formais de Igreja, conferências profissionais, e em publicações.
Visto que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é guiada por Santos dos Últimos Dias é guiada por revelação divina, seus docentes de religião não desenvolvem novas doutrinas, princípios, nem mandamentos. No entanto, pessoalmente eu considero que o papel de um professor universitário de religião é o de apoiar a Primeira Presidência, o Quorum dos Doze, e outras autoridades da Igreja-- gerais, de área, ou locais--em seus esforços para (1) manter e salvaguardar a pureza doutrinária; (2) encorajar perfeita compreensão, interpretação, e aplicação das doutrinas; (3) procurar informação histórica exata sobre a Igreja em qualquer de suas dispensações; e (4) edificar pontes de entendimento e amizade com outras religiões.
Ao realizar estas coisas nós alcançaremos algumas das metas educacionais da universidade: ajudar nossos alunos a aprender as verdades do evangelho, ganhar ou fortalecer um testemunho de Jesus Cristo e de sua Igreja, viver vidas justas, e servir ao próximo.
Com esta visão de meus deveres e papel em mente, eu agora vou explicar o meu tema. Já faz algum tempo que eu tenho me preocupado com algumas tendências recentes que a meu ver têm o potencial de causar sérios danos à verdadeira fé em Cristo. O Profeta Joseph Smith explicou o seguinte sobre a verdadeira fé:
“[Três] coisas são necessárias a fim de que qualquer ser racional e inteligente possa exercitar fé em Deus para a vida e salvação. Primeiro, a idéia que ele realmente existe. Segundo, uma idéia correta de seu caráter, perfeições, e atributos. Terceiro, um conhecimento efetivo de que o curso de sua vida está em harmonia com a vontade de Deus. ... [Sem] um conhecimento destes três fatos importantes, a fé de todo ser racional torna-se imperfeita e improdutiva; mas com este entendimento pode tornar-se perfeita, frutífera, e cheia de retidão ...” (Lectures on Faith (Preleções sobre a Fé), tradução livre da página 13 em inglês)
Gostaria de chamar sua atenção para o segundo requisito mencionado pelo profeta Joseph Smith: “uma idéia correta do caráter, perfeições, e atributos [do Senhor]”. Baseado nesta declaração, vemos que qualquer tentativa de retratar ou descrever o Senhor de uma maneira incorreta pode levar indivíduos a desenvolverem ou exercitarem um fé improdutivamente–significando que a despeito de sua crença, sem um conhecimento correto do caráter e atributos de Deus tais indivíduos podem acabar nutrindo expectativas de bênçãos que nunca seriam realizadas, e isso geraria frustração e decepção.
Nos últimos anos eu tenho notado uma tendência de substituir noções corretas sobre o Salvador Jesus Cristo com o que eu chamaria de “imagens.” Alguns de vocês podem perguntar por que eu intitulei meu discurso “Falsas Imagens Cristo” ao invés de “falsos cristos”. A diferença no título refere-se ao que eu vejo como a criação e disseminação não de falsos cristos no sentido tradicional, mas de “imagens”–invenções humanas criadas para substituir o original, não necessariamente em sua totalidade. Em outras palavras, estas imagens conservam alguns dos atributos do verdadeiro Cristo, mas não todos. Além disso, elas adicionam outras características ao seu caráter que até onde as escrituras atualmente disponíveis nos revelam, não eram parte da personalidade perfeita do Salvador.
Eu vou discutir três destas falsas “imagens” de Cristo: (1) o Reformador Social; (2) o Motivador; e (3) o Companheiro Divino.
Estas imagens têm as seguintes características em comum: (a) isolam ou focalizam conseqüências da influência de Jesus Cristo nos negócios humanos; (B) só ligeiramente, se é que o fazem, plenamente reconhecem a fonte daquela influência, que é a divindade de Cristo; e por causa disso (c) elas não proporcionam a adoração reverente que convém a um membro da Trindade. No testemunho da primeira visão do Profeta Joseph Smith encontramos a avaliação do Salvador dos credos então existentes do mundo: “... eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim; ensinam como doutrina os mandamentos de homens, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder.” (Joseph Smith-História 1:19)
Falsa Imagem #1: O Reformador Social
Certo dia em novembro de 1978 eu ensinei a primeira palestra missionária a um rapaz muito inteligente quem tinha várias perguntas sobre Deus e sobre religião. Quando meu companheiro e eu começamos a conversar com ele sobre tais questões, ele declarou: “Eu só posso acreditar num deus que é tal como eu--imperfeito e falível. Qualquer outra concepção de deus é inaceitável para mim.” Hoje, quase 30 anos mais tarde, um número crescente de teólogos e estudiosos da Bíblia têm tentado ativamente desacreditar textos escriturísticos, e empregando deconstrucionismo, tentam reduzir o Salvador ao nível de um mero reformador social polêmico, com poderes e papel nada divinos.
Apesar do fato de que as escrituras são incompletas e de que existem dúzias de textos antigos cuja autenticidade é questionável, temos testemunhos contemporâneos de apóstolos e profetas concernentes a Jesus Cristo. Ao invés de procurar o personagem imaginário comumente chamado pelos estudiosos de “Jesus histórico” basta lermos o testemunho do Profeta Joseph Smith para encontrar o verdadeiro Cristo em toda sua majestade e glória. Os Santos dos Últimos Dias não acreditam numa figura ambígua ou polêmica do mundo antigo. Mas sim naquele que nas palavras de anjos e profetas é “... o Senhor Deus Onipotente que reina, que era e é de toda a eternidade para toda a eternidade” (Mosias 3:5; 5:15), ou como descrito por Isaías, ele é o “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6)
Ao esforço moderno de considerar as escrituras como mitos e de atribuir os milagres de Cristo e sua ressurreição a dissimulações criadas no primeiro século, nós respondemos com os testemunhos contidos no Livro de Mórmon e em Doutrina & Convênios. No resumo de Mórmon do ministério do Salvador entre os Nefitas e Lamanitas depois de sua ressurreição, nós lemos que uma multidão de aproximadamente 2.500 pessoas “... se adiantou e meteu as mãos no seu lado, e apalpou as marcas dos cravos em suas mãos e seus pés; e isto fizeram, adiantando-se um por um, até que todos viram com os próprios olhos, e apalparam com as mãos, e souberam com toda certeza, testemunhando que ele era aquele sobre quem os profetas escreveram que haveria de vir.” (3 Néfi 11:15)
E em nossa era o Profeta Joseph Smith e o irmão Sidney Rigdon testificaram o seguinte: “E contemplamos a glória do Filho, à direita do Pai, e recebemos de sua plenitude; ... E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai--Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus.” (Doutrina & Convênios 76:20,22-24)
Falsa Imagem #2: O Motivador
Vivemos numa era onde aparentemente tudo pode ser oferecido às massas como uma forma de entretenimento. Até mesmo a história é apresentada em versões modificadas, dramatizadas, e romanceadas para o gosto de um público que parece estar tão imerso nas complexidades da vida moderna que parece estar muito cansado para lidar com questões complexas do passado. Às vezes eu me pergunto se as platéias contemporâneas realmente acreditam que no dias antigos as pessoas paravam suas atividades diárias cada 6 minutos para cantar e dançar. Isso me lembra da sugestão do escritor Issac Asimov de que histórias apócrifas seriam mais atraentes que a realidade. (“Science, numbers, and I.” Garden City, N.Y.: Doubleday. 1968. Página 29)
Esta tendência de romancear ou dramatizar também chegou ao mundo da religião e dos textos sagrados, talvez como efeito colateral do processo de desconstrução que já discutimos. Eu chamo essa tendência de “popularização da divindade.” Eu uso o termo “popularização” para indicar a transformação de nosso Senhor e Redentor num orador de auto-ajuda glorificado: doce, poético, proferindo slogans triviais e insossos que poderiam muito bem ter sido criados por executivos de marketing ou psicólogos amadores.
Trazendo ao mundo uma mensagem direcionada ao fortalecimento da auto-estima evitando questões difíceis e desconfortáveis tais como: leis eternas, a seriedade do pecado, a natureza inflexível da justiça, e a dor do arrependimento.
Aquilo que nós chamamos de “evangelho restaurado” é mais do que uma simples filosofia de vida projetada para fazer as pessoas “sentir-se bem”. Podemos dizer que este evangelho é composto dos seguintes elementos: doutrinas & princípios; leis, convênios e ordenanças; e padrões. Permitam-me propor algumas definições para estes conceitos e explicar como eles se relacionam. À medida em que faço isto, espero conseguir explicar por que a falsa imagem do Salvador como motivador é problemática.
Usando definições encontradas no dicionário, podemos definir “doutrinas” como declarações sistematizadas de princípios baseados nos quais o Senhor estabelece suas ações e seus mandamentos. “Princípios” podem ser definidos como verdades fundamentais que servem de base para várias outras verdades.
A doutrina de Cristo foi delineada pelo próprio Salvador no Livro de Mórmon:
“Eis que em verdade, em verdade vos digo que eu vos declararei minha doutrina. E esta é minha doutrina e é a doutrina que o Pai me deu; e dou testemunho do Pai e o Pai dá testemunho de mim e o Espírito Santo dá testemunho do Pai e de mim; e eu dou testemunho de que o Pai ordena a todos os homens, em todos os lugares, que se arrependam e creiam em mim.
“E os que crerem em mim e forem batizados, esses serão salvos; e eles são os que herdarão o reino de Deus. E os que não crerem em mim e não forem batizados, serão condenados.
“Em verdade, em verdade vos digo que esta é minha doutrina e dela vos dou testemunho, vindo do Pai; e todo aquele que crê em mim, crê também no Pai; e a ele o Pai dará testemunho de mim, pois visitá-lo-á com fogo e com o Espírito Santo. E assim o Pai dará testemunho de mim e o Espírito Santo dará testemunho do Pai e de mim; pois o Pai e eu e o Espírito Santo somos um.
“E novamente vos digo que vos deveis arrepender-vos e tornar-vos como uma criancinha e serdes batizados em meu nome, ou não podereis, de modo algum, receber estas coisas. E novamente vos digo que vos deveis arrepender-vos e ser batizados em meu nome e tornar-vos como uma criancinha, ou não podereis, de modo algum, herdar o reino de Deus.
Em verdade, em verdade vos digo que esta é minha doutrina e os que edificam sobre isto edificam sobre minha rocha; e as portas do inferno não prevalecerão contra eles.
“E aqueles que declararem mais ou menos do que isto e estabelecerem-no como minha doutrina, esses vêm do mal e não edificam sobre a minha rocha, mas edificam sobre um alicerce de areia; e as portas do inferno estarão abertas para recebê-los quando vierem as inundações e os ventos açoitarem-nos.” (3 Néfi 11:31- 40)
E quanto aos princípios, consideremos estas palavras do Profeta Joseph Smith:
“Os princípios fundamentais da nossa religião são o testemunho dos apóstolos e profetas concernentes a Jesus Cristo; que Ele morreu, foi sepultado, e ressurgiu no terceiro dia, e ascendeu aos céus; e todas as outras coisas que pertencem à nossa religião são meros apêndices disto. Mas em associação com estas, cremos no dom do Espírito Santo, no poder de fé, no desfrutar de dons espirituais de acordo com a vontade de Deus, na restauração da casa de Israel, e no triunfo final da verdade.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, tradução livre da página 121 em inglês)
Como conseqüências destas doutrinas e princípios nós temos leis, convênios, e ordenanças. Leis são requerimentos e expectativas divinas reveladas pelo Senhor a seus profetas vivos. Estes requerimentos e expectativas são então propostos à Igreja em reuniões formais, onde por meio de ordenanças específicas administradas por portadores autorizados do sacerdócio, membros de Igreja fazem convênios solenes de aceitar e obedecer tais leis.
Por exemplo, o Senhor revelou ao Profeta Joseph Smith o mandamento de tomar sobre nós o nome de Cristo, lembrarmo-nos sempre dele, e guardar seus mandamentos. Este requerimento divino é aceito pelos membros da Igreja através de um convênio feito a princípio na ordenança do batismo e mais tarde renovado na maioria dos domingos de cada ano na ordenança do sacramento.
A falta de obediência à estas leis e o não-recebimento destas ordenanças e convênios trarão uma trágica decepção na próxima vida. O Profeta Joseph Smith ensinou:
“Se os homens desejarem obter salvação, eles precisam se sujeitar, antes de saírem deste mundo, a certas regras e princípios, os quais foram fixados por um decreto inalterável antes do mundo existir. O desapontamento de esperanças e expectativas na ressurreição seriam indescritivelmente terríveis.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, tradução livre da página 324 em inglês)
Convênios são tão importantes para a nossa salvação e exaltação que Néfi foi advertido por um anjo que um dia a grande e abominável igreja–num esforço de “... perverterem os caminhos retos do Senhor, [e ...] cegarem os olhos e endurecerem o coração dos filhos dos homens”–tiraria das escrituras muitos dos convênios do Senhor (ver 1 Néfi 13:26-27).
“Padrões” são um recurso que nos ajuda a vivermos em harmonia com as leis e convênios, e a nos prepararmos para receber ordenanças. Estes podem ser definidos como conjuntos de regras de comportamento, modelos, ideais, e limites instituídos por profetas vivos e às vezes por líderes locais adequadamente autorizados e também por líderes familiares.
Por exemplo, alguns meses atrás nosso profeta, Presidente Gordon B. Hinckley, instituiu um padrão específico a respeito de perfurações no corpo e tatuagens. Desde o início da Igreja profetas têm instituído, modificado, ou mantido inalterados vários padrões que lidam com vestuário, asseio, namoro, danças, decoro e etiqueta em reuniões e atividades da Igreja, etc. Sob a direção da Primeira Presidência e do Quorum dos Doze, presidências de área podem adaptar alguns destes padrões levando em conta práticas culturais locais ou nacionais concernentes a casamentos, imposições legislativas, etc. Seguindo padrões instituídos pelas autoridades formais da Igreja, as famílias também podem instituir padrões para seus próprios lares, os quais lidarão com reuniões familiares, vestuário e comportamentos no lar, atividades aceitáveis no domingo, e assim por diante.
Além de doutrinas, princípios, leis, convênios, ordenanças, e padrões, nós encontramos outro elemento comum. Este elemento não é originado nos céus, mas sim no arbítrio moral que o Senhor deu a cada ser humano (Doutrina & Convênios 101:78). Dou a este elemento o nome de “sabedoria popular,” a qual inclui os “costumes populares,” a qual inclui os costumes sociais, provérbios, slogans, chavões, estereótipos, e até mesmo banalidades divulgadas informalmente ou por algum meio de comunicação social. Vários destes exibirão algum grau de harmonia com as leis divinas e com os padrões da Igreja. Podemos dizer que foi a esses elementos que o Senhor se referiu quando nos ordenou: “... nos melhores livros buscai palavras de sabedoria” (Doutrina & Convênios 88:118). Entretanto, outros dentre esses elementos podem de alguma forma contradizer as verdadeiras doutrinas e padrões de evangelho.
Permita-me citar um exemplo comum dessa discordância: Um dia que eu estava na casa de amigos Santos dos Últimos Dias bondosos e fiéis. Ao olhar na sua sala eu notei um belo cartaz que trazia o seguinte ditado:
“Eu nunca disse que seria fácil; eu
Só disse que valeria a pena.”
O pronome na frase sugeria que essas palavras teriam sido declaradas pelo Salvador. Expliquei ao meu anfitrião que em realidade o Salvador nunca tinha expressado a idéia de que viver o evangelho não seria fácil--muito pelo contrário, ele declarou: “... o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Matthew 11:30 – em ingles lê-se: “My yoke is easy”). Meu anfitrião então declarou: “É mesmo. O Salvador disse o oposto.” Mas após um momento de reflexão a pessoa adicionou: “Mas a declaração é tão linda ... Vou mantê-la onde está.” Com tal resposta, eu mudei de assunto.
Encontramos outro exemplo de discordância na alegoria popular intitulada “Pegadas na Areia”, a qual traz a idéia não-inteiramente-exata de que o Senhor literalmente carregará seus filhos nos seus braços em épocas de provação e adversidade. Em realidade, o Senhor nunca prometeu isentar-nos dos desafios da mortalidade. Fazê-lo requereria a violação de alguns dos propósitos da vida mortal. Ele apoiará, fortalecerá, e encorajará seus filhos, e com seu auxílio divino nós sobrepujaremos as adversidades.
Simplesmente porque um ditado soa crível, poético, terno, ou doce, não quer dizer que seja doutrinariamente correto. E se uma idéia doutrinariamente incorreta fosse usada para “promover fé”, que tipo de fé ela iria promover?
Nesse ponto alguém poder perguntar: “Mas o Salvador não usou parábolas e alegorias?” E a resposta seria, “Sim, ele o fez.” Mas se observarmos a maneira como o Salvador enunciou suas parábolas veremos que ele nunca retratou aquelas situações como se elas realmente tivessem acontecido. E o Senhor pôs ênfase no significado simbólico dos elementos, circunstâncias, e ações das parábolas. E em nenhum exemplo atualmente conhecido uma parábola teve o Salvador ou seu Pai Eterno como personagens.
A adoção de idéias e conceitos que soem doces e poéticos, mas que não estejam em harmonia com as doutrinas do evangelho restaurado, reduz Cristo e seu evangelho ao nível de mais uma das filosofias dos homens. Se o relato de uma experiência aparentemente espiritual é em parte ou completamente imaginário, nenhuma fé para a salvação poderia ser exercitada, e a esperança infundada de que tais acontecimentos imaginários pudessem um dia se tornar realidade certamente levaria à frustração e mágoa.
Preciso esclarecer que eu não estou pregando contra o uso de verdadeiros relatos históricos e escriturísticos propriamente documentados. Mas sempre que usarmos tais relatos precisamos considerar as seguintes palavras do Profeta Joseph Smith:
“A leitura da experiência de outros, ou de uma revelação dada a eles, nunca pode nos dar uma visão completa de nossa condição e verdadeira correspondência com Deus. O conhecimento destas coisas só pode ser obtido por experiência através das ordenanças de Deus estabelecidas para este propósito.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, tradução livre da página 324 em inglês)
O estudo de relatos históricos e das experiências e testemunhos de outros é importante porque nos mostram os “precedentes legais” de bênçãos que nós podemos, pelo exercício da fé, obter para nós mesmos por meio das ordenanças instituídas para sua concessão. Estas bênçãos irão por sua vez produzir salvação--não a salvação eterna, mas uma salvação temporal dos males, vicissitudes, e sofrimentos do estado mortal.
Falsa Imagem #3: O Companheiro Divino
Este última imagem em meu discurso tem a ver com o uso dos termos “amigo” e “Irmão mais velho” ao se referir ao Salvador. Esta imagem não é tão séria quanto às duas primeiras, porque em sua essência não é uma imagem falsa. Mas quero indicar que o potencial para abuso faz com que esta imagem de Cristo requeira uma consideração cuidadosa.
Acredito que as pessoas que usam essas expressões têm boas intenções. Elas o fazem como um meio de expressar seu amor pelo Salvador. Entretanto, nas escrituras nós não achamos nenhum exemplo ou apoio a esta prática. Pelo contrário, durante seu ministério mortal o Salvador freqüentemente manteve uma reverente “distância social” entre sua pessoa e seus discípulos.
Por exemplo, quando ele decidiu pagar o tributo do templo de forma milagrosa, ordenou a Pedro que desse o dinheiro: “... por mim e por ti.” (Mateus 17:27) Após a sua ressurreição ele ordenou a Maria Madalena que dissesse aos discípulos: “... eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus vosso Deus.” (João 20:17)
O Élder James E. Talmage explicou:
“Note-se que Ele não disse ‘para nós.” Nas suas associações com homens, mesmo com os Doze, que entre todos eram as pessoas mais próximas e queridas dele, nosso Senhor sempre manteve Seu status distinto e incomparável, tornando aparente em cada exemplo o fato de que Ele era essencialmente diferente dos outros homens. Isto é ilustrado pelas Suas expressões ‘Meu Pai e vosso Pai’, ‘Meu Deus e vosso Deus’, em vez de nosso Pai e nosso Deus. Ele reverentemente reconhecia que era o Filho de Deus num sentido literal que não se aplicava a nenhuma outra pessoa.” (Jesus o Cristo, tradução livre da página 356 em inglês)
Quando o Salvador ressurreto apareceu aos Nefitas e Lamanitas, Néfi, que então já havia sido um profeta do Senhor por três décadas, saudou-o inclinando-se e beijando os pés do Senhor (3 Néfi 11:19). Os irmãos e irmãs Lamanitas e Nefitas que foram curados pelo Salvador naquela ocasião momentosa fizeram a mesma coisa (3 Néfi 17:10). Quando o Profeta Joseph Smith e Sidney Rigdon receberam a visão dos reinos de glória, eles testificaram que diante do Senhor “... todas as coisas curvam-se em humilde reverência e dão-lhe glória para todo o sempre.” (Doutrina & Convênios 76:93) Em minha mente estes exemplos descrevem o tipo de relacionamento que nós temos com o Salvador. Na sua bondade e misericórdia ele nos chama de “amigos”, enquanto nós - tal como o apóstolo Tomé na sua reverente confissão–respeitosamente o chamamos “Senhor meu, e Deus meu.” (João 20:28) Até mesmo os santos anjos que vivem na presença de Deus (Doutrina & Convênios 76:21; 130:6-7) respeitosamente se referem a ele como “o Senhor”.
Nas escrituras nós encontramos vários exemplos nos quais o Senhor chamou de amigos seus profetas, apóstolos, ou alguns élderes da sua Igreja que tinham dedicado suas vidas e posses ao serviço do reino (veja Tiago 2:23; Doutrina & Convênios 45:52; 84:63; 88:3; 93:45-46; 94:1; 97:1; 98:1; 103:1; 104:1; 105:26). Estes exemplos mostram claramente que é o Senhor quem inicia o uso do termo “amigo”. Lábios impuros não declaram esta amizade. Espero que todos nós nos esforcemos para viver suficientemente dignos de ser chamados por ele, seus amigos.
E quanto ao uso do título apropriado “Irmão mais velho”, eis o que profetas vivos em 1916 ensinaram à Igreja numa declaração conjunta: “Não há nenhuma impropriedade ... em falar de Jesus Cristo como o Irmão mais velho do resto da espécie humana. ... Entretanto, não se esqueçam que Ele é essencialmente maior que tudo e todos ...” (Messages of the First Presidency 5:34; 30 de Junho de 1916; tradução livre)
Num serão missionário em 1998, o Élder M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze, explicou o seguinte:
“Ocasionalmente ouvimos alguns membros referir-se a Jesus como nosso Irmão mais velho, o que é um conceito verdadeiro baseado em nosso entendimento da vida de pré-mortal com nosso Pai Celestial. Mas como muitos outros pontos de doutrina no evangelho, as palavras desta verdade não são suficientes para descrever o papel do Salvador em nossas vidas e Sua grande posição como um membro da Trindade.
“Com isso, alguns Cristãos não-membros da Igreja se sentem incomodados com o que eles percebem ser um papel secundário dado a Cristo em nossa teologia. Eles acham que nós vemos Jesus como um companheiro espiritual. Acreditam que vemos Cristo como um implementador ... para Deus e que nós não o vemos como Deus para nós e para toda humanidade.
“... Podemos entender por que alguns Santos dos Últimos Dias tendem a se concentrar na Filiação de Cristo ao invés de na sua Divindade. [... Nós] conseguimos nos relacionar com Ele como Filho e Irmão porque sabemos como nós mesmos nos sentimos como filhos e irmãos. ... E dessa forma, numa tentativa de achegarem-se a Cristo e de cultivar sentimentos ternos em relação a Ele, algumas pessoas tendem a humanizá-lo, às vezes à custa do reconhecimento de Sua Divindade.
“Vamos então esclarecer este ponto: conquanto seja verdadeiro que Jesus era nosso Irmão mais velho na vida pré-mortal, acreditamos que nesta vida é crucial que sejamos ‘nascidos de novo’ como Seus filhos e filhas no convênio do evangelho.” (“Building Bridges of Understanding” - “Construindo Pontes de Entendimento”, serão missionário transmitido via satélite - Logan, Utah, 17 de fevereiro de 1998 - tradução livre)
Conclusão: Isso Importa?
Após todas estas considerações, alguém poderá perguntar: Mas e se algumas destas imagens de Cristo me são queridas? O que há de errado em usar uma imagem que, embora não inteiramente exata sob o ponto de vista doutrinário, ainda faz com que eu me sinta bem?
Em primeiro lugar, devemos considerar que estamos lidando com assuntos sagrados, os quais o Senhor ordenou que mencionássemos “... com cuidado, e por indução do Espírito ...” (Doutrina & Convênios 63:64).
Depois, devemos considerar que falsas imagens do Salvador constituem uma distorção da verdadeira religião. Se uma religião se tornasse unicamente uma fonte de descrições filosóficas, de satisfação emocional, ou simplesmente de entretenimento, qual seria o papel ou necessidade de mandamentos, convênios, ordenanças, revelações, escrituras, e incontáveis horas de serviço voluntário?
Precisamos considerar também o risco de trivializar assuntos sagrados, e a conseqüente dessensibilização quanto à experiências espirituais, o que poderia tornar uma pessoa cética em relação aos testemunhos de outros. Com o tempo, tal atitude poderia levar à secularização da religião–tornando-a um mero código de conduta ou uma mera filosofia de vida sem qualquer dimensão espiritual real ou conexão divina.
Em conclusão, vamos revisar as palavras do próprio Senhor a seu respeito:
“Assim diz o Senhor vosso Deus, Jesus Cristo, o Grande Eu Sou, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, aquele que olhou por sobre a vasta extensão da eternidade e todas as hostes seráficas dos céus antes que o mundo fosse feito;
“Aquele que conhece todas as coisas, porque todas as coisas estão presentes diante de meus olhos;
“Eu sou aquele que falou e o mundo foi feito; e todas as coisas por mim vieram a existir.
“Sou aquele que arrebatou a Sião de Enoque para meu próprio seio; e em verdade eu digo que todos os que creram em meu nome, pois eu sou Cristo, e em meu próprio nome, em virtude do sangue que derramei, por eles intercedi perante o Pai.
“Mas eis que o restante dos iníquos mantive em cadeias de trevas até o julgamento do grande dia, que se dará no fim da Terra; E assim farei que sejam mantidos os iníquos que não ouvirem minha voz, mas endurecerem o coração; e terrível é sua condenação.
“Mas eis que em verdade, em verdade vos digo que meus olhos estão sobre vós.
Estou no meio de vós e não me podeis ver; Mas logo vem o dia em que me vereis a sabereis que eu sou; porque o véu da escuridão logo será rasgado e aquele que não estiver purificado não suportará esse dia.” (Doutrina & Convênios 38:1-8)
Testifico que Deus, nosso Pai Celestial, vive. E que seu filho Jesus Cristo também vive. Seu evangelho certamente pode reformar as sociedades e trazê-las à Sião–mas ele é mais que um simples reformador social. Cristo certamente pode motivar-nos a alcançar o potencial divino que existe em cada um de nós–mas motivação é um efeito colateral da uma aceitação das leis e convênios do evangelho. No mundo pré-mortal Cristo era nosso Irmão mais velho, mas ele é muito mais–Ele é o Senhor Deus Onipotente, e através de sua expiação tornou-se o Pai de todos os que aceitam seu evangelho. Oro para que todos nós vivamos dignos de ser chamados por ele, seus amigos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
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Marcus Helvécio T. A. Martins, originalmente do Rio de Janeiro, Brasil, é Professor Associado de Religião na
Universidade Brigham Young-Havaí, e bispo da Ala BYU-Hawaii 7.
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Correspondência: Marcus H. Martins, Ph.D.
Chefe, Departamento de Educação Religiosa
Brigham Young University-Hawaii
Laie, Hawaii, USA 96762
Telefone: (808) 293-3643
E-mail: martinsm@byuh.edu


19/01/2011 Ir. Martins - Devotional 2001 - "Falsas...byuh.edu/…/FalsasImagens2.htm 12/12

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011