segunda-feira, 7 de março de 2016

Arbítrio e Inspiração



Bruce R. McConkie nasceu em 29 de julho de 1915, no estado do Michigan, EUA. Foi apoiado para o Primeiro Conselho dos Setenta em 1946 e ordenado Apóstolo em 1972. Morreu em 19 de abril de 1985. Este discurso foi proferido na Universidade Brigham Young, em 27 de fevereiro de 1973.




O que se espera de nós é que façamos tudo a nosso alcance, para depois buscar uma resposta do Senhor, um selo de confirmação de que chegamos à conclusão correta.

Arbítrio e Inspiração

Quando vivíamos na presença de Deus, nosso Pai Celestial, fomos investidos do arbítrio. Isso nos deu a oportunidade e o privilégio de escolher a maneira como agiríamos para fazer uma escolha livre e desimpedida. (…) O que se espera de nós é que usemos os dons, talentos e capacidades, a inteligência, o julgamento e o arbítrio que nos foram conferidos.
Contudo, por outro lado, recebemos o mandamento de buscar o Senhor e desejar Seu Espírito a fim de obter o espírito de revelação e a inspiração na vida. Filiamo-nos à Igreja e um administrador legal impôs as mãos sobre nossa cabeça e disse: “Recebe o Espírito Santo!” Foi-nos então concedido o dom do Espírito Santo, que é o direito à companhia constante desse membro da Trindade, mediante nossa fidelidade.
E dessa forma nos defrontamos com duas proposições. Uma é a de que devemos ser guiados pelo espírito de inspiração, o espírito de revelação. A outra é a de que fomos orientados nesta vida a usar nosso arbítrio para decidir por conta própria o que fazer. Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio entre essas duas diretivas. (…)
Gostaria, se me permitem, de apresentar três estudos de caso que talvez lhes sirvam para extrair algumas conclusões realistas e sensatas sobre como deve ser nossa existência. Utilizarei essas ilustrações à luz de algumas revelações que o Senhor nos concedeu.

“Eis Que Não Compreendeste”

Primeiro estudo de caso: Havia um homem chamado Oliver Cowdery. (…) Ele escrevia as palavras que o Profeta ditava enquanto o Espírito repousava sobre Joseph no processo de tradução (o Livro de Mórmon estava sendo traduzido). O irmão Cowdery era relativamente imaturo espiritualmente na época e procurou e desejou fazer algo que estava além de sua capacidade espiritual naquele momento. Ele quis traduzir por si mesmo. Assim, ele [pediu] ao Profeta, o qual levou a solicitação ao Senhor, e eles receberam uma revelação. O Senhor disse: “Oliver Cowdery, em verdade em verdade eu te digo que, tão certamente quanto vive o Senhor, que é teu Deus e teu Redentor, tão certamente receberás conhecimento de todas as coisas que pedires com fé, com um coração honesto, crendo que receberás”. Uma das coisas que ele receberia foi definida como “conhecimento concernente a gravações de velhos registros que são antigos, os quais contêm aquelas partes de minhas escrituras das quais se falou pela manifestação de meu Espírito”.
Depois de lidar daquela forma com o problema em questão, o Senhor revelou um princípio que se aplicava àquela e a todas as situações semelhantes: “Eu te falarei em tua mente e em teu coração, pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração. Ora, eis que este é o espírito de revelação” (D&C 8:2–3).
(…) E então, ele pediu. E como sabem, ele falhou: foi totalmente incapaz de traduzir. (…) O assunto foi levado novamente ao Senhor, cuja promessa eles haviam tentado colocar em prática. E a resposta veio, a razão pela qual ele não conseguiu traduzir: “Eis que não compreendeste; supuseste que eu o concederia a ti, quando nada fizeste a não ser pedir-me” (D&C 9:7).
Mas parecia que essa fora justamente a instrução recebida: pedir com fé. Todavia, o processo de pedir com fé implica o cumprimento da exigência precedente, que é fazer tudo ao nosso alcance para cumprir a meta que almejamos. Devemos usamos o arbítrio do qual fomos investidos. Devemos usar todas as faculdades, capacidades e habilidades que possuímos para atingir o objetivo em questão. Isso se aplica à tradução do Livro de Mórmon, à escolha da esposa ou de um emprego: aplica-se a qualquer uma das inúmeras coisas importantes que surgem em nossa vida.

“Que Desejais Que Eu Faça?”

Passemos ao segundo estudo de caso: [Os jareditas] chegam ao grande mar que deverão cruzar, e o Senhor ordena [ao irmão de Jarede]: “Construa barcos”. (…)
[Os barcos] seriam usados em circunstâncias bem difíceis e inusitadas, e [o irmão de Jarede] precisava de algo mais do que aquilo que já havia nos barcos: necessitava de ar. Esse era um problema que estava além de sua capacidade. Por isso, levou o assunto ao Senhor e, como a solução transcendia totalmente sua capacidade, o Senhor resolveu a questão e disse: “Aja desta forma e assim terá ar”.
E novamente o irmão de Jarede — confiante por ter conversado com o Senhor longamente e obtido respostas — fez-Lhe outra pergunta: (…) “Como faremos para ter luz nos barcos?”
E o Senhor conversou com ele mais um pouco e depois indagou: “Que desejais que eu faça, a fim de que tenhais luz em vossos barcos?” (Éter 2:23). Em outras palavras: “Dei-te o arbítrio; recebeste a capacidade e a habilidade. Agora arregaça as mangas e resolve o problema!”
E o irmão de Jarede captou a mensagem. Subiu ao monte chamado Selém, e o registro diz que “de uma rocha [ele] fundiu dezesseis pequenas pedras; e elas eram brancas e límpidas, como vidro transparente” (Éter 3:1). (…)
E o Senhor fez conforme o irmão de Jarede pediu, e essa é a ocasião em que ele viu o dedo do Senhor. E durante aquele momento de comunhão, recebeu revelações que excediam tudo o que qualquer profeta já recebera até aquele momento. O Senhor revelou-lhe Sua natureza e personalidade mais do que jamais o fizera antes, e isso se deu porque o irmão de Jarede se empenhara ao máximo e se aconselhara com o Senhor.
Há um equilíbrio delicado entre arbítrio e inspiração. O que se espera de nós é que façamos tudo a nosso alcance, para depois buscar uma resposta do Senhor, um selo de confirmação de que chegamos à conclusão correta. E há felizes ocasiões, em que, além disso, obtemos até mais verdades e conhecimento do que havíamos imaginado.

“Como Decidirem entre Eles e Mim”

Vejamos o terceiro estudo de caso: No início da história da Igreja, o Senhor ordenou que os santos se reunissem em certo lugar no Missouri. (…) Vejam o que aconteceu. O Senhor disse:
“Como falei a respeito de meu servo Edward Partridge, esta terra é a terra de sua residência e dos que ele nomeou como seus conselheiros; e também a terra da residência daquele a quem designei para cuidar de meu armazém;
Portanto, que tragam suas famílias para esta terra [prestem atenção nisto], como decidirem entre eles e mim” [D&C 58:24–25; grifo do autor]. (…)
Como veem, o Senhor disse “reunir-se” em Sião. Contudo, os detalhes e os preparativos, o como, o quando e as circunstâncias deveriam ser determinados pelo arbítrio dos que foram chamados para reunir-se. Mas eles deviam aconselhar-se com o Senhor. (…)
Depois de dizer isso ao Bispado Presidente da Igreja, o Senhor revelou o princípio que regeu aquela situação e que rege todas as situações. Trata-se de uma de nossas gloriosas verdades reveladas. Ele disse:
“Pois eis que não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio; portanto não recebe recompensa.
Em verdade eu digo: Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão” [D&C 58:26–27; grifo do autor]. (…)
Esses são os três estudos de caso. Vamos ver qual foi a conclusão revelada. (…)
Caso vocês aprendam a usar o arbítrio que Deus lhes concedeu, caso procurem tomar as próprias decisões, caso cheguem a conclusões que lhes pareçam boas e corretas, e caso se aconselhem com o Senhor e obtenham Seu aval, o selo de aprovação, sobre as conclusões a que chegaram, então, por um lado, terão recebido revelação. E por outro, terão a grande recompensa da vida eterna e serão elevados no último dia. (…)
Deus nos concedeu sabedoria nessas coisas. Concedeu-nos a coragem e a capacidade de andarmos com as próprias pernas e usarmos nosso arbítrio e as faculdades e habilidades que possuímos. Portanto, que sejamos suficientemente humildes e moldáveis diante do Espírito para submetermos nossa vontade à vontade Dele, para obtermos seu ratificador selo de aprovação e assim conseguirmos em nossa vida o espírito de revelação. Se assim procedermos, não há dúvida quanto ao resultado, que será: paz nesta vida; glória, honra e distinção na vida futura.
A ortografia, a pontuação e o uso de iniciais maiúsculas foram atualizados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A Criação



O Cosmo de Nosso Criador

Élder Neal A. Maxwell
 (disponivel em https://rsc.byu.edu/pt-pt/archived/buscai-diligentemente/o-cosmo-de-nosso-criador_
O Élder Neal A. Maxwell (1926–2004) era membro do Quórum dos Doze Apóstolos. Este discurso foi proferido na Vigésima-sexta Conferência Anual dos Professores do Sistema Educacional da Igreja em 13 de agosto de 2002 na Universidade Brigham Young.

A educação religiosa de nossos jovens e jovens adultos nos seminários e institutos de religião e nas escolas, faculdades e universidades da Igreja se trata de um dos programas mais eficientes e de maior rendimento da Igreja!
Mesmo que seja seu dever servir à nova geração, tenho certeza de que este seu dever já lhes chegou a ser um prazer. Por isso agradeço-lhes de todo o coração! E agradeço ao irmão Randy McMurdie, que tanto ajudou na elaboração dos slides especiais.
Transmito meu apreço especial ao Professor Eric G. Hintz da Universidade Brigham Young, um astrônomo observador, por suas sugestões tão substanciais e úteis referentes a o meu discurso. Através dele tive o prazer de descobrir que o número de estudantes Santos dos Últimos Dias que fazem pós- graduação em astronomia e astrofísica está crescendo cada vez mais. Para eles e para nós estas palavras de Anselmo se constituem de bons conselhos: “Crede para que entendais,” em vez de “entender para crer.” [1] Eu, e somente eu, sou responsável por aquilo que agora direi. O tema é: “O cosmo de nosso Criador.”
Rogo pela ajuda imprescindível do Espírito ao falar-lhes como Apóstolo e não astrofísico. Como testemunha especial lhes falarei do que testifica o universo: “As escrituras estão diante de ti, sim, e todas as coisas mostram que existe um Deus; sim, até mesmo a Terra e tudo que existe sobre sua face, sim, e seu movimento, sim, e também todos os planetas que movem em sua ordem regular testemunham que existe um Criador Supremo ” (Alma 30:44; itálicos acrescentados).
Que aquilo que se segue (não as minhas palavras, e sim as palavras assombrosas das escrituras, juntamente com algumas imagens deslumbrantes possa nos proporcionar ainda mais assombro e reverência pelas maravilhas que o Pai e o Filho fizeram para nos abençoar.
Sob a ordem do Pai, Cristo foi, e continua sendo, o Senhor do universo: “aquele que olhou por sobre a vasta extensão da eternidade” (D&C 38:1; itálicos acrescentados).
Carl Sagan, o  falecido cientista que nos ensinava tão bem a respeito da ciência e do universo, observou com perspicácia que “em alguns aspectos a ciência tem ultrapassado a religião no que se refere ao assombro e reverência. Como pode ser que quase nenhuma religião já estudou a ciência e concluiu: ‘É melhor do que pensávamos! O universo é muito maior to que os profetas disseram, mais glorioso, mais sutil e mais elegante. Deus deve ser ainda maior do que imaginávamos’? Em vez disso, dizem: ‘Não, não, não! Meu deus é um deus pequeno e quero que permaneça deste jeito.’ Uma religião, seja velha ou nova, que enfatize o esplendor do universo conforme revelado pela ciência moderna poderá invocar reservas de reverência e de admiração mal usadas pelas religiões tradicionais. Mais cedo ou mais tarde  tal religião surgirá.” [2]
Não devem faltar aos Santos dos Últimos Dias nem a reverência nem a admiração, levando em conta o fato de que contemplamos o universo no contexto das verdades divinas que nos foram reveladas. Sim, o cosmo “conforme revelado pela ciência moderna” é “elegante,” como escreveu Sagan. Mas o universo também está cheio de propósitos divinos, de forma que nossa admiração deve aumentar, proporcionando sentimentos até mais elevados de reverência pelo “esplendor do universo”!
Naturalmente, a Igreja não segue a astrofísica de 2002, nem apoia qualquer teoria científica específica quanto à criação do universo.
Ao elaborarem seus estudos importantes, os astrofísicos utilizam o método científico e não estão à procura de respostas espirituais. Alguns cientistas compartilham nossa crença nas explicações religiosas em relação a estas vastas criações, mas outros encaram nossa crença como sendo sem fundamento. Desprovidos de uma crença num significado cósmico, alguns cientistas, como explica certo escritor, veem os humanos como “seres arrancados e lançados, chorosos, num universo alheio.” [3]
De forma poderosa, as escrituras restauradas nos ensinam o contrário!
Mas será que as palavras amplas das escrituras, com as quais fomos abençoados, nos emocionam o suficiente? Será que estamos nos tornando o tipo de pessoas que reflete ma respeito de tais doutrinas elevadas devido ao aumento de nossa santificação espritural? Irmãos e irmãs, Deus está revelando os segredos do universo, e nós, será que estamos prestando atenção?
Como parte de nosso discipulado diário, instrui-se a nós que devemos “levantar as mãos cansadas” (Hebreus 12:12). Por que não procurar também “levantar” a mente passiva e provincial que está cansada e não se dá conta da grandeza deslumbrante de tudo isso?
Posto que Deus tem feito de tudo para preparar um lugar para nós neste imenso universo, não devemos cultivar e mostrar uma fé maior? Ao passarmos pelas perplexidades e dificuldades da vida, será que teremos fé que o Criador tomou medidas suficientes para levar a efeito seus propósitos? [4]
Muitos anos atrás, o Presidente J. Reuben Clark Jr. fez este comentário consolador: “Nosso Senhor não é principiante, nem amador; Ele já passou por este caminho por muitas e muitas vezes.” [5]
Irmãos e irmãs, não é verdade que Deus já definiu seu caminho como sendo “um círculo eterno”? (D&C 35:1; vide também, 1 Néfi 10:19; Alma 7:20; D&C 3:2).
Um apreço maior pela grandeza do universo nos ajudará a viver com mais retidão dentro de nosso próprio minúsculo universo. De igual modo, uma compreensão maior do governo de Deus sobre vastas galáxias pode nos levar a  governarmos melhor a nós mesmos.
Passaremos agora a uma mistura de escrituras, imagens e comentários científicos.
Contemplem esta primeira foto de nossa bela Terra tirada com a lua em primeiro plano:
Reflitam  quanto tempo levou até que o homem pudesse chegar à lua, ainda que ela se localize, figurativamente, em nosso próprio quintal!
Os recursos tão necessários para sustentar a vida humana se encontram em abundância neste planeta, e, a não ser que sejam desperdiçados, sabemos que “há bastante e de sobra” (D&C 104:17). Porém, por maior que seja a Terra, como todos nós que viajamos de avião podemos testemunhar, Stephen W. Hawking nos ofereceu uma perspectiva moderada: “[Nossa] Terra é um planeta de tamanho médio que descreve órbita por volta de uma estrela média na periferia de uma galáxia espiral comum, que por sua vez é uma galáxia dentre mais ou menos um milhão vezes um milhão de galáxias que fazem parte do universo que conseguimos observar.” [6]
Um cientista que não acredita no desenho divino, mesmo assim escreveu que “ao observarmos o universo e identificarmos muitos acidentes . . . que se uniram para o nosso benefício, quase que me parece como se o universo soubesse de alguma forma que estávamos para chegar.” [7]
As condições nesta terra são aparentemente mais favoráveis do que nos outros plantetas de nosso sistema solar.
Por exemplo, se nosso planeta estivesse mais próximo do sol, estaríamos fritos, literal e figurativamente; se estivesse mais distante, ficaríamos congelados.
Agora, notem a seta que indica o local aproximado do nosso sistema solar dentro da grande extensão incrível da nossa própria galáxia, a Via Láctea.
 
    
[Sistema Solar]
Neste slide nota-se que embora nosso sistema solar tenha uma extensão de milhões e milhões de quilômetros, nesta perspectiva é tão minúsculo que nem pode ser visto! Que vastidão incompreensível!
Numa noite de céu claro, vocês e eu podemos ver partes da Via Láctea, mas como seria se só pudéssemos ver essas estrelas brilhantes de mil em mil anos? Ralph Waldo Emerson escreveu que daí  “os homens acreditariam e adorariam e preservariam ao longo de muitas gerações a lembrança da cidade de Deus que lhes fora revelada!” [8]
Não é de se admirar que as escrituras nos expliquem quão amplo e variado é este testemunho de Deus para nós: “E eis que . . . todas as coisas são criadas e feitas para prestar testemunho de [Deus], . .  coisas que estão acima nos céus e coisas que estão na Terra . . . : todas as coisas prestam testemunho de [Deus] ” (Moisés 6:63; itálicos acrescentados).
Agora, contemplem o que constitui um segmento só, dentro de nossa imensa Via Láctea:
Que coisa impressionante, não é? Especialmente quando levamos em conta que a distância é tão enorme entre cada ponto de luz!
Embora não conheçamos o processo criativo de Deus, temos registro de fatos espirituais que reafirmam o grande início que se deu há tanto tempo atrás.
“E estava entre eles um que era semelhante a Deus; e ele disse aos que se achavam com ele: ‘Desceremos, pois há espaço lá, e tomaremos destes materiais e faremos uma terra onde estes possam habitar; . . . E eles desceram no princípio; e eles . . . organizaram e formaram os céus e a Terra” (Abraão 3:24; 4:1; itálicos acrescentados).
É impressionante que, de acordo com alguns cientistas, “Nossa galáxia, a Via Láctea, se localiza num dos espaços relativamente vazios entre os Paredões.” [9]
Certamente há espaço lá.
Ao continuarem a sondar além de nossa galáxia com o telescópio espacial Hubble, cientistas capazes têm descoberto maravilhas deslumbrantes como a Nébula Keyhole (buraco de fechadura) que possui suas próprias estrelas.
O telescópio Hubble tem nos revelado até muito mais e certamente tudo isso se trata de algo assombroso!
A próxima imagem é de uma região onde se formam as estrelas a partir dematerial não organizado.
“E como a terra com seu céu passará, assim outra surgirá” (Moisés 1:38).
Agora, veremos uma foto do que resta quando uma estrela morre.
“Pois eis que há muitos mundos que pela palavra de meu poder passaram” (Moisés 1:35).
Nas palavras do hino “Grandioso és tu,” ao cantarmos do universo e da expiação, queremos “estar de joelhos entre os santos, na mais humilde e vera adoração.” [10]
Seja qual for o processo inicial que Deus empregou, sabemos que havia supervisão divina: “E os Deuses vigiaram aquelas coisas que eles haviam ordenado, até elas obedecerem” (Abraão 4:18; itálicos acrescentados).
É de grande significado saber que nós aqui na Terra não estamos a sós no universo. Em Doutrina e Convênios, que, por sinal, será o foco de nossos estudos deste ano, lemos que “por ele [Cristo] e por meio dele os mundossão e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus” (D&C 76:24; itálicos acrescentados; vide também Moisés 1:35).
Não sabemos onde estão nem quantos outros planetas existem, embora pareçamos estar sozinhos em nosso próprio sistema solar.
Quanto ao papel contínuo do Senhor em meio a Suas vastas criações, muito pouco se tem revelado. Porém, há algumas noções a respeito dos reinos e de seus habitantes.
“Portanto a esta parábola compararei todos estes reinos e seus habitantes—cada reino em sua hora e em seu tempo e em sua estação, de acordo com o decreto de Deus” (D&C 88:61).
O Senhor até nos convida para “ponderar em [nosso] coração” aquela parábola específica (versículo 62). Tal ponderação não significa uma especulação superficial e sim uma antecipação humilde e paciente de futuras revelações. Além disso, Deus só deu uma revelação parcial—não total—a Moisés, sendo “um relato apenas sobre esta Terra” (Moisés 1:4, 35), mesmo assim Moisés aprendeu coisas que “nunca havia imaginado” (versículo 10).
Não obstante, nós não adoramos um Deus de um planeta só!
Agora, abram os olhos e fitem esta imagem do que se chama “espaço profundo”:
Quase todo pontinho de luz deste slide (cortesia do telescópio Hubble) representa uma galáxia! Pensem em nossa própria Via Láctea. Disseram-me que aqui cada galáxia possui cerca de 100 bilhões de estrelas. Só esta fatiazinha do universo tem mundos incontáveis.
Crentes no desenho divino incluíam o eloquente Alexander Pope. Foi assim que ele reagiu às maravilhas deste universo:
Um labirinto poderoso! porém não desprovido de um plano. . . .
Embora se conheça Deus através dos mundos inumeráveis,
Cabe a nós decobri-lo em nossa própria esfera. . . .
[Mesmo havendo] outros planetas que giram em volta de outros sóis. [11]
Para a nossa felicidade, irmãos e irmãs, a vastidão das criações do Senhor se iguala à natureza  pessoal de seus propósitos!
“Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a terra e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o Senhor e não há outro” (Isaías 45:18; vide também Efésios 3:9; Hebreus 1:2).
“E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito.
“. . . Pois eis que há muitos mundos que pela palavra de meu poder passaram. E há muitos que agora permanecem e são inumeráveis para o homem; mas todas as coisas são enumeráveis para mim, pois são minhas e eu conheço-as” (Moisés 1:33, 35).
Pode-se perguntar: Qual é o propósito de Deus para os habitantes? A melhor e mais simples expressão disso se encontra naquele versículo que todos nós conhecemos: “Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem” (Moisés 1:39).
Portanto, na grande expansão do espaço, há uma pessoalidadedeslumbrante, pois Deus conhece e ama a cada um de nós! (vide 1 Néfi 11:17). Não somos seres sem importância num universo inexplicável! Embora a indagação do salmista fosse: “Que é o homem mortal para que te lembres dele?” (Salmos 8:4), a humanidade está no próprio centro da obra de Deus. Somos as ovelhas de sua mão e o povo de seus campos (vide Salmos 79:13; 95:7; 100:3). Sua obra inclui nossa imortalização, levada a efeito pela gloriosa expiação de Cristo! Pensem bem, irmãos e irmãs, mesmo com sua vida longa, as estrelas não são imortais, mas vocês e eu  somos.
As revelações nos dão poucas informações acerca de como o Senhor criou tudo, ao passo que os cientistas se concentram no como,  o que quandoda criação do universoContudo alguns deles reconhecem que há dúvidas quanto ao por quê. Hawking disse: “Embora a ciência possa resolver o problema de como o universo iniciou, ela não pode responder à pergunta:Por que o universo se importa em existir? Não sei a resposta a esta pergunta.” [12]
Albert Einstein, ao falar de seus desejos, disse: “Eu quero saber como Deus criou este mundo. Não me interessam nem este nem aquele outro fenômeno, nem o espectro de tal elemento ou de tal outro elemento. Quero saber os pensamentos Dêle; o que resta são apenas detalhes. ” [13]
O Dr. Allen Sandage, um que acredita na criação divina, era assistente de Edwin Hubble. Sandage escreveu o seguinte: “A ciência . . . se importa com o quê, quando como. Dentro do método científico, por mais poderoso que seja, a ciência não explica, nem pode explicar, o por quê.” [14]
Felizmente, através das revelações recebemos  respostas vitais e essenciais aos por quês, que são, aliás, a coisa de maior importância para nós! Havendo visto coisas espectaculares, Enoque regozijou-se, mas como quê? Regozijou-se com a afirmação pessoal que recebera acerca de Deus: “Contudo estás aí” (Moisés 7:30). Enoque até viu Deus chorar devido ao sofrimento desnecessário da humanidade, o que nos revela muito sobre o caráter divino (vide versículos 28–29). Mas este é um assunto para outro discurso.
Notem bem, mesmo tendo recebido revelações notáveis a respeito do cosmo e dos propósitos de Deus, as pessoas podem afastar-se da verdade. Em 3 Néfi lemos sobre um povo que se afastou: “E aconteceu que. . . começaram a esquecer os sinais e as maravilhas de que haviam ouvido falar; e admiravam-se cada vez menos com qualquer sinal ou maravilha dos céus, de modo que começaram a ficar duros de coração e cegos de entendimento e começaram a duvidar de tudo quanto haviam ouvido e visto” (3 Néfi 2:1).
Portanto, ao ponderarmos sobre a grandeza criativa de Deus, também nos foi admoestado que considerássemos a beleza dos lírios do campo. Lembrem-se de que “todas as coisas prestam testemunho Dele”! (vide Alma 30:44).
Nesta foto vemos os lírios e logo, em close, o desenho divino. O mesmo desenho divino que se aplica ao universo se vê em miniatura nos lírios do campo (vide Mateus 6:28–29; 3 Néfi 13:28–29; D&C 84:82).
No milagre deste planeta estão contidas muitas sutilezas maravilhosas. Wendell Berry escreveu o seguinte:
“Quem já contemplou os lírios do campo ou os pássaros do céu e ponderou a improbabilidade de sua existência neste mundo quente localizado no frio vazio sideral mal duvidará da transformação de água em vinho, que, afinal das contas, foi um milagre muito pequeno. Esquecemos do milagre maior que ainda continua hoje, ou seja, o milagre pelo qual a água, junto com o solo e raios solares, se transforma em uvas.” [15]
Ao reverenciarmos aquilo que o Senhor criou, devemos reverenciar a Ele e a Seu caráter o suficiente para que nos esforcemos muito em nos tornar cada vez mais como Ele é, de acordo com sua ordem (vide Mateus 5:48; 3 Néfi 12:48; 27:27). Não é de se admirar, portanto, que o poder da divindade, que se revela nos lírios, de modo semelhante se revele nas ordenanças de seu evangelho (vide D&C 84:20). De forma temática, estas ordenanças se relacionam à nossa purificação, a nossos convênios, à nossa obediência e à nossa preparação, sendo todos  necessários , na prática comportamental, a fim de estarmos capacitados a trilhar a jornada de volta ao lar celestial.
Estas expressões pessoais de amor e poder divinos nos importam muito mais do que a pesquisa para determinar o número de galáxias existentes, ou a comparação do número de planetas ao das estrelas. Afinal, nós leigos não poderíamos compreendê-las. Atingir a santificação espiritual nos importa muito mais do que as quantificações cósmicas.
Assim, ao ampliarmos nossa visão tanto do universo como dos propósitos abrangentes de Deus, nós também podemos com reverência exclamar: “Quão grande é o plano de nosso Deus!” (2 Néfi 9:13).
Portanto, ao considerarmos (sondarmos), ponderarmos e aprendermos, certamente devemos nos maravilhar e devemos nos sentir humildes intelectualmente. O Rei Benjamim nos aconselhou com estas palavras simples porém profundas:
“Acreditai em Deus; acreditai que ele existe e que criou todas as coisas, tanto no céu como na Terra; acreditai que ele tem toda a sabedoria e todo o poder, tanto no céu como na Terra; acreditai que o homem não compreende todas as coisas que o Senhor pode compreender ” (Mosias 4:9; itálicos acrescentados).
Por sinal, irmãos e irmãs, em nossos tempos há aqueles (uns) que acreditam que se eles não compreenderem algo, Deus tampouco o compreenderá. Ironicamente alguns, na verdade, preferem um “deus pequeno.” Convém que todos nós—cientistas e não cientistas—aumentemos a humildade pessoal em vez de diminuir a divindade!
Por mais fenomenal que seja o que a ciência tem aprendido a respeito do universo testificador, mesmo assim é só um pedacinho do todo. Falando acerca desta foto de um “campo profundo” tirada pelo telescópio Hubble em 1995, dizia-se que “este segmento, a imagem mais profunda dos céus já tirada, cobria . . . ‘uma partícula do céu da largura relativa a uma moeda de dez centavos vista a uma distância de 20 metros.’” [16]
A alma estremece, irmãos e irmãs!
O que quer que fosse o segmento que Moisés viu, não é de se admirar que ele foi oprimido e caiu por terra, dizendo que “o homem não é nada” (Moisés 1:9–10).
Embora estejamos assombrados, misericoriosamente, as revelações nos asseguram que Deus nos ama: “Agora, meus irmãos, vemos que Deus se lembra de todos os povos, estejam na terra em que estiverem; sim, ele conta seu povo e suas entranhas de misericórdia cobrem a Terra. Ora, esta é a minha alegria e minha grande gratidão; sim, darei graças a meu Deus para sempre” (Alma 26:37).
Então, irmãos e irmãs, o Senhor se lembra de cada uma de suas vastas criações. Vejam mais uma vez os “pontinhos de luz” em só uma fatiazinha de uma galáxia de tamanho normal, a Via Láctea:
Ele conhece todas as criações l. Vejam só, o Senhor conhece todas elas da mesma forma que conhece e ama todos nós, bem como aqueles que se veem nesta foto ou em qualquer outra multidão—na  verdade, todos os seres humanos! (vide 1 Néfi 11:17).
A determinação divina é tão consoladora, como indicam estas palavras de Abraão: “E nada há que o Senhor teu Deus se proponha a fazer que não faça” (Abraão 3:17). Sua capacidade é tão notável que ele nos lembra com cortesia, porém incisivamente, duas vezes em dois versículos seguidos do Livro de Mórmon que Ele realmente é “capaz” de fazer sua própria obra (vide 2 Néfi 27:20–21). E como!
Ademais, a ordem se reflete nas criações de Deus!
“E vi as estrelas e elas eram muito grandes; e vi que uma delas estava mais perto do trono de Deus; e havia muitas grandes que estavam perto dele; . . .
“E assim haverá o cálculo do tempo de um planeta acima do outro, até que te aproximes de Colobe; e Colobe segue o cálculo do tempo do Senhor e Colobe está perto do trono de Deus a fim de governar todos os planetaspertencentes à mesma ordem daquele em que te encontras” (Abraão 3:2, 9; itálicos acrescentados).
Relata-se que um cientista falou o seguinte a respeito da configuração cósmica: “Pode ser que estejamos morando no meio de estruturas enormes, ou células, em forma de favo de mel.” [17] Alguns cientistas dizem que certas galáxias, não planejadas ao acaso, “parecem estar organizadas numa rede de cordas, ou filamentos, em volta de grandes regiões do espaço relativamente vazios e conhecidos como vácuos.” [18]  Outros astrônomos dizem que já descobriram “um paredão enorme de galáxias, . . . a maior estrutura já vista no universo.” [19] É elogiável que tais cientistas capazes continuem a caminhar para a frente.
Porém, para nós é claro que a Terra nunca foi o centro do universo, como outrora muitos ingenuamente acreditavam! E não faz muitas décadas que muitos, de igual modo, acreditavam que nossa Via Láctea era a única galáxia no universo.
E quanto mais aprendemos mais importantes se tornam as perguntas e respostas essenciais do por quê do universo. Todavia só se obtêm as respostas a estas perguntas através da revelação dada por Deus o Criador, e ainda há mais a ser revelado :
“Todos os tronos e domínios, principados e poderes serão revelados e concedidos a todos os que tiverem perseverado valentemente por causa do evangelho de Cristo.
“E também, se existem limites determinados para os céus ou para os mares, ou para a terra seca, ou para o sol, lua ou estrelas—
“Todos os tempos de suas revoluções, todos os dias, meses e anos designados; e todos os dias de seus dias, meses e anos; e todas as suas glórias, leis e tempos determinados serão revelados nos dias da dispensação da plenitude dos tempos” (D&C 121:29–31).
Portanto, irmãos e irmãs, ao encararmos o universo, não vemos nem caos nem inquietação cósmica inexplicáveis. Em vez disso, os fieis veem Deus “movendo-se em sua majestade e poder” (D&C 88:47). É como assistir a um balé cósmico, divinamente coreografado—espectacular, dominante e assegurador!
Mesmo assim, apesar de nos sentirmos dominados pela maravilha e assombro, as preocupações mundanas podem nos vencer (vide D&C 39:9). A rotina enfadonha e a repetição cotidiana podem fazer-nos olhar com indiferença para  o chão em, vez de fitar com reverência para cima e para o além. Podemos afastar-nos do Criador, que pode parecer uma estrela distante: “Pois como conhece um homem o mestre a quem não serviu e que lhe é estranho e que está longe dos pensamentos e desígnios de seu coração?” (Mosias 5:13).
Sabemos que o Criador do universo também é o Autor do plano de felicidade. Podemos confiar Nele. Ele sabe perfeitamente o que é que traz a felicidade a seus filhos (vide Mosias 2:41; Alma 41:10).
Neste meio tempo em que alguns passam pelas situações da vida cotidiana, sentindo-se desprezados e não amados, podem estar certos de que, apesar de tudo isso, Deus os ama! Suas criações assim testificam.
Portanto, podemos reconhecer Sua mão em nossa vida pessoal  da mesma forma que reconhecemos Sua mão no deslumbrante universo (vide D&C 59:21). Se reconhecermos Sua mão agora, um dia todos nós que estamos no berço de suas criações poderemos saber o que significa “ser envolvidos pelos braços de Jesus” (Mórmon 5:11).
O regozijo reverente que agora procuro inspirar nos irmãos por este comentário já existia há muito tempo no passado. Ao passo que o plano do Criador era apresentado na vida premortal, alguns até “jubilavam” (Jó 38:7). E por que não? Pois “o homem existe para que tenha alegria” (2 Néfi 2:25). Que vocês sejam abençoados para que possam contagiar seus alunos com sua reverência e assombro pelas criações do Senhor e por Seu plano para nós.
Ao concluir, eu testifico que a obra maravilhosa de Deus é maior que o universo que conhecemos. Também testifico que os planos de Deus para seus filhos predatam a criação deste nosso lindo planeta ! No santo nome de Jesus Cristo. Amém.
(https://rsc.byu.edu/pt-pt/archived/buscai-diligentemente/o-cosmo-de-nosso-criador)

Notas

[1] Saint Anselm [Santo Anselmo]: Basic Writings [Escritos básicos], tradução de  Sidney Norton Deane, 2nd ed. (La Salle, IL: Open Court Publishing, 1962), 7.
[2] Carl Sagan, Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space [Um pontinho de azul claro: Uma visão do futuro humano no espaço[ (New York: Ballantine Books, 1994), 50.
[3] Morris L. West, The Tower of Babel [A Torre de Babel] (New York: William Morrow and Company, 1968), 183.
[4] Joseph Smith, Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, compilado por Joseph Fielding Smith (Salt Lake City: Deseret Book, 1976), 220.
[5] J. Reuben Clark Jr., Behold the Lamb of God [Eis o Cordeiro de Deus](Salt Lake City: Deseret Book, 1962), 17.
[6] Stephen W. Hawking, A Brief History of Time: From the Big Bang to Black Holes [Uma breve história das idades: do Big Bang até os buracos negros](New York: Bantam Books, 1988), 126.
[7] Freeman J. Dyson, “Energy in the Universo,” Scientific American 224, no. 3 (September 1971): 59.
[8] Ralph Waldo Emerson, “Nature,” in The Complete Works of Ralph Waldo Emerson, centenary edition, 12 vols. (Boston: Houghton, Mifflin and Company, 1903), 1:7.
[9] Stephen Strauss, “Universo May Have Regular Pattern of Galaxies, New Findings Suggest,” [“Novas descobertas indicam que o universo talvez tenha um padrão sistemático de galáxias”] Deseret News, March 4, 1990, 2S.
[10] Stuart K. Hine, “Grandioso És Tu,” Hinos (Asunción, Paraguay: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1991), no. 43.
[11] Alexander Pope, “Essay on Man,” [“Ensaio sobre o Homem”] in The Poems of Alexander Pope, ed. John Butt (New Haven, CT: Yale University Press, 1963), 504–505.
[12] Stephen Hawking, Black Holes and Baby Universos and Other Essays [Buracos negros, mini-universos e outros ensaios]  (New York: Bantam Books, 1993), 99.
[13] Albert Einstein, in Ronald W. Clark, Einstein: The Life and Times [A vida e os tempos de Einstein] (New York: World Publishing Company, 1971), 19.
[14] Allen Sandage, “A Scientist Reflects on Religious Belief,” [“Um cientista reflete na crença religiosa”] Truth Journal, Internet edition, vol. 1 (1985), leaderu.com/truth/1truth15.html.
[15] Wendell Berry, “Christianity and the Survival of Creation,” [“O cristianismo e a sobrevivência da criação”] in Sex, Economy, Freedom, and Community: Eight Essays (New York and San Francisco: Pantheon Books, 1993), 103.
[16] Michael Benson, “A Space in Time,” [“Um espaço no tempo”] Atlantic Monthly 290, no. 1 (July–August 2002): 105.
[17] David Koo, in Strauss, “Universo May Have Regular Pattern,” [“Universo talvez tenha um desenho sistemático”] 2S.
[18] Chaisson and Steve McMillan, Astronomy Today [A astronomia hoje em dia] (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1993), 559.
[19] Corey S. Powell, “Up against the Wall,” [“Contra o paredão”] Scientific American 262, no. 2 (February 1990): 19.








quarta-feira, 10 de julho de 2013

Honrar o Sacerdócio



Élder Russell M. Nelson 
Do Quórum dos Doze Apóstolos
“Honoring the Priesthood” (Honrar o Sacerdócio), Conference Report, abril de 1993, pp. 49–53; ou Ensign, maio de 1993, pp. 38–41


Honrar o sacerdócio
Irmãos, relativamente pouco tem sido escrito sobre o tema do meu discurso.1 Ainda assim, espera-se que cada um de nós tenha um bom conhecimento dele. Estou falando de honrar o sacerdócio.
Esta é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Aquele que permanece à testa da Igreja restaurada assim ordenou ao sacerdócio:
“Que todo homem, porém, fale em nome de Deus, o Senhor, sim, o Salvador do mundo (…)”.
(D&C 1:20) Impressionante! Ele escolheu honrarnos com o Seu sacerdócio. Assim, nós O honramos honrando o sacerdócio—tanto o seu poder como os seus portadores. Procedendo assim, homens, mulheres e crianças de todo o mundo serão abençoados. Honrar o sacerdócio nutre o respeito, o respeito promove a reverência, e a reverência convida a revelação.2
O Presidente Ezra Taft Benson pediu-nos especificamente que sigamos os apropriados princípios do protocolo do sacerdócio, os quais, observou ele, “muitos de nós temos aprendido por meio de observação enquanto ouvimos nossos superiores hierárquicos”. Ele disse: “O protocolo é uma prática estabelecida há muito tempo, que prescreve completa deferência a (…)
uma ordem de procedimentos corretos”.3 Citarei o Presidente Benson e outros líderes porque, como irão notar, grande parte da minha mensagem referir-se-á a este protocolo. 

Tipos de organização
Há diferenças, tanto nas práticas como na organização, entre a Igreja do Senhor e as instituições humanas. Homens e mulheres podem criar associações entre si e ser governados por normas de aceitação recíproca. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, entretanto, não é uma democracia, nem uma república. É um reino—o reino de Deus na Terra. Sua Igreja é hierárquica, onde a autoridade maior se situa no topo. O Senhor dirige os Seus servos ungidos.
Eles testificam a todo o mundo que Deus tem falado novamente. Os céus foram abertos. Um vínculo vivo foi formado entre os céus e a Terra em nossos dias.
Essa autoridade suprema é apoiada sobre um alicerce seguro que obedece a um padrão de organização estabelecido desde a antigüidade.
Jesus Cristo é a principal pedra de esquina, com apóstolos e profetas, bem como todos os dons, poderes e bênçãos que caracterizaram a Igreja nos dias antigos. (Ver I Coríntios 12:28.) 

Líderes e títulos
Há uma diferença entre os padrões de liderançaespirituais. As organizações humanas são
governadas por oficiais cujos títulos conotam posição ou realizações. Quando nos dirigimos a um oficial militar, juiz, senador, doutor ou professor, mencionamos o seu título. Prestamos a honra devida aos indivíduos que alcançaram tais posições. 
Em contraste, o reino de Deus é governado pela autoridade do sacerdócio, que não é conferido para honra, mas para um ministério de serviço. Os títulos do sacerdócio não foram criados por homens; não existem para ornamento, nem expressam superioridade. Eles descrevem designações de serviço na obra do Senhor. Não somos chamados, apoiados e ordenados por nós mesmos, mas “por profecia e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o evangelho e administrar suas ordenanças”. (Quinta Regra de Fé, ver também Hebreus 5:4.)
Os títulos pertencentes ao santo sacerdócio merecem nossa mais elevada consideração e respeito. Cada membro da Primeira Presidência deve ser mencionado e tratado como “Presidente”. (Ver D&C 107:22, 24, 29). O título Presidente também é usado quando nos referimos à presidência de uma estaca ou missão, ou a um presidente de ramo ou quórum do sacerdócio. O título Apóstolo é sagrado. Ele é dado por Deus e pertence somente àqueles que foram chamados e ordenados como “(…) testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo”. (D&C 107:23)
Um Apóstolo fala em nome daquele a quem representa como testemunha especial. Este título sagrado não é usado como forma de tratamento. 
Preferivelmente devemos usar o título de Élder ou “Irmão” ao nos referirmos a um dos Doze.
O título bispo também se refere a presidência; o bispo é o presidente do Sacerdócio Aarônico da ala e é o sumo sacerdote que preside as organizações da ala. Reverentemente nos referimos a ele como “o bispo”.
Élder é um título sagrado compartilhado por todos os portadores do Sacerdócio de Melquisedeque.

Um conselho abrangente
Permitam que lhes dê um conselho de natureza genérica, inicialmente no que se refere às Autoridades Gerais. Nós os reconhecemos como instrumentos nas mãos do Senhor, mesmo conhecendo sua natureza humana. Eles necessitam de cortes de cabelo, serviços de lavanderia e até de  alguns lembretes ocasionais como qualquer um. 
Certa vez o Presidente Benson nos contou uma história para ilustrar o assunto. Ele disse: “Orson F. Whitney (…) era um homem com um grande poder de concentração. Certo dia, em uma viagem de trem, ele estava tão preocupado que não percebeu o trem passar pela estação onde deveria descer. Assim, teve que pegar uma condução para voltar àquele ponto. Enquanto isso, o presidente de estaca continuava esperando (…) e finalmente chegou à conclusão de que algo devia ter acontecido e que o Irmão Whitney não viria para a reunião, e decidiu começar a conferência. Ao aproximar-se, o Élder Whitney foi saudado pelas palavras do primeiro hino, ‘ó pobres corações, que desgarrados vagais (…)’”4
Honramos esses homens por causa de seu extraordinário chamado. Os seus atos oficiais são válidos na Terra e nos céus. Lembro-me muito bem da primeira vez em que estive com uma das Autoridades Gerais. Foi um sentimento indescritível. Embora eu fosse apenas um menino, imediatamente—quase instintivamente—me levantei. Até hoje me sinto da mesma maneira quando um dos Irmãos entra no recinto. Uma Autoridade Geral é um oráculo de Deus.
Freqüentemente mencionamos as chaves da autoridade do sacerdócio. Quinze homens que vivem hoje—a Primeira Presidência e os Doze— foram ordenados Apóstolos e receberam todas as chaves da autoridade do sacerdócio. O Presidente Gordon B. Hinckley explicou recentemente:
“Somente o Presidente da Igreja tem o direito de exercer a plenitude [dessas chaves]. Ele poderá delegar o direito de exercer várias delas a um ou mais dos seus Irmãos. (…)
Tais prerrogativas foram concedidas pelo Presidente Benson aos seus conselheiros e aos Doze de acordo com as diversas responsabilidades a eles delegadas.”5
Por designação da Primeira Presidência e dos Doze, as Autoridades Gerais conferem as devidas chaves a presidentes de estaca e missão, que por sua vez conferem as chaves requeridas a bispos, presidentes de ramo e de quóruns.
A cada portador do sacerdócio é designado um líder amoroso, porque “(…) minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor Deus, e não uma casa de confusão”. (D&C 132:8)
Esta ordem estabelece também os limites da revelação. O Profeta Joseph Smith ensinou que “é contrário ao sistema de governo de Deus que um membro da Igreja, ou qualquer outra pessoa, receba instruções para alguém cuja autoridade seja maior do que a sua”.6 
O mesmo princípioestabelece que ninguém pode receber revelações para alguém que se encontre fora dos limites definidos da sua responsabilidade.
Honrar o sacerdócio significa também honrar o próprio chamado. Algumas regras que poderão ser úteis:
Aprender a ouvir e aceitar conselhos. Procurar orientação dos líderes constituídos e aceitá-las de boa vontade.
Não falar mal dos líderes da Igreja.
Não ambicionar um chamado ou posição.
Não opinar sobre quem deveria ou não ter sido chamado.
Não recusar uma oportunidade de servir.
Não pedir desobrigação. Informar os líderes sobre a mudança das circunstâncias na vida, certo de que os líderes pesarão todos os fatores quando, em espírito de oração, estiverem decidindo sobre o tempo adequado para a desobrigação.

Aquele que faz um chamado e aquele que o recebe tornam-se igualmente responsáveis. Citarei o Élder James E. Talmage: “Aqueles por meio de quem o chamado veio a um homem (…) são indubitavelmente considerados responsáveis por seus atos como ele é pelos dele; e de cada um será requerida uma detalhada prestação de contas de sua mordomia, um relato completo do seu serviço ou da sua negligência, do uso ou do abuso na administração da confiança nele depositada.”7
Alguns aspectos do sacerdócio não estão vinculados a título ou posição. A autoridade para administrar uma bênção do sacerdócio, por exemplo, depende unicamente de ordenação e dignidade. O Senhor não privaria nenhum de Seus filhos de alguma bênção devido à falta de alguém com um chamado específico. Todo élder na Igreja possui o mesmo sacerdócio que o Presidente da Igreja.
Irmãos, lembrem-se, por favor: O mais alto grau de glória está à sua disposição somente por meio daquela ordem do sacerdócio ligada ao novo e sempiterno convênio do casamento. (Ver D&C 131:1–4.) Portanto, sua prioridade em honrar o sacerdócio consiste em honrar sua companheira eterna. 

Um conselho específico
Agora serei mais específico no aconselhamento. Maridos e pais: com sua querida companheira, moldem as atitudes em seu lar. Estabeleçam um padrão de oração. Orem regularmente e em voz alta por seus líderes do sacerdócio e das organizações auxiliares, locais e gerais. Sua atitude de cortesia em casa e de reverência na capela será copiada pelos membros de sua família. Ajudem os seus entes queridos a seguirem os canais apropriados quando procurarem orientação. Ensinem que o aconselhamento deve ser recebido de pais confiáveis e de líderes locais, e não das Autoridades Gerais. Nas duas últimas décadas, a Primeira Presidência publicou essencialmente a mesma carta seis vezes para reafirmar esta diretriz.
Pais, vocês compreendem o princípio da auto suficiência temporal e procuram prover o armazenamento para um ano, em seu lar. Pensem também na necessidade de armazenamento de recursos espirituais—não apenas para um ano, mas para toda a vida—igualmente guardados no lar. Um pai digno deve ser sempre o primeiro a ter a oportunidade de abençoar os membros de sua família. Com o passar do tempo, os filhos poderão fazer retiradas desse reservatório espiritual, dignos de administrarem às suas próprias famílias e também a seus pais.
Agora para os rapazes que portam o Sacerdócio Aarônico (ou preparatório): Se o honrarem, prepararem-se para cumprir uma missão e estiverem dignos para serem chamados como missionários, eu lhes prometo: Irão então “falar em nome do Senhor Deus” e levar Sua luz para as almas que a procuram. Para elas serão como um anjo ministrador, que será para sempre lembrado com amor. (Ver D&C 13.)
Embora minhas próximas palavras sejam dirigidas aos amados presidentes e bispos, os princípios aplicam-se a todos. Quando aquele que os presidem entrarem em uma reunião que vocês estiverem presidindo, por favor, consultem-no imediatamente, pedindo-lhe instruções. Inteiremse dos seus desejos. Concedam-lhe tempo adequado para transmitir sua mensagem. Uma comovente ilustração foi feita certa vez pelo Élder James E. Faust:
“Fiquei sabendo do pesar sofrido pelos membros de uma estaca deste vale quando sua presidência foi reorganizada. O oficial presidente era um dos apóstolos mais venerados, ímpar em toda a história da Igreja, [Élder] Le Grand Richards, já com mais de 90 anos, porém lúcido e alerta. Durante a conferência, os oradores locais tomaram quase todo o tempo, deixando para o Élder Richards apenas dez ou quinze minutos. O que foi que ele fez? Estendeu o tempo? Não, ele prestou um breve testemunho e encerrou a reunião na hora certa.
Não que os membros da estaca quisessem que a reunião durasse mais do que o tempo regulamentar (…). No entanto, ficaram tristes por seus membros, que teriam outras oportunidades de ouvir os líderes locais, porém poderiam não ter, como na verdade não mais tiveram, a oportunidade de ouvir o seu querido Apóstolo.
Resumindo, os oradores não respeitaram o oficial presidente.”8
Ninguém deverá usar da palavra depois que uma Autoridade Geral houver discursado. Depois que a reunião tiver terminado, presidentes e bispos, permaneçam ao lado de seu líder constituído até serem dispensados. Ele pode sentir-se inspirado a dar alguma instrução ou ensinamento adicional. E vocês poderão também evitar problemas. Por exemplo, se algum membro dirigir a seu líder uma pergunta que não deveria ser feita a ele, vocês estarão lá para responder a ela.
Agora, alguns comentários sobre o sumo conselho da estaca. Ele não tem presidente. Ele não tem autonomia e se reúne, mesmo quando dividido em comitês, a chamado e sob a direção da presidência da estaca. Ainda que os membros do sumo conselho possam assentar-se na ordem dos seus chamados para o conselho, nenhum deles tem ascendência sobre outro.
Em contraste, a ascendência é honrada entre os apóstolos ordenados—até mesmo ao entrar ou sair de uma sala. O Presidente Benson relatou-nos o seguinte:
“Há alguns [anos], o Élder Haight concedeu uma deferência especial ao Presidente Romney na sala superior do templo. O Presidente Romney estava-se demorando por alguma razão, e [Élder Haight] não queria precedê-lo na saída. Quando o Presidente Romney fez sinal para que [ele] saísse, o Élder Haight respondeu, ‘Não, Presidente, o senhor primeiro’.
Bem-humorado, o Presidente Romney respondeu, “O que há, David? Está com medo que eu roube alguma coisa?’”9
Esta deferência de um apóstolo júnior para com um sênior está registrada no Novo Testamento. Quando Simão Pedro e João, o amado, correram para investigar a informação de que o corpo do Senhor crucificado fora levado do sepulcro, João, sendo mais jovem e mais ágil, chegou primeiro, porém não entrou. Ele esperou o apóstolo mais antigo entrar primeiro. (Ver João 20:2–6.) A ascendência no apostolado tem sido há muito tempo o meio pelo qual o Senhor seleciona o Seu Sumo Sacerdote presidente.

Repreensão e arrependimento
Irmãos, estas questões são importantes. Há mais de um século e meio, o Senhor repreendeu severamente o Seu povo. Estas são as palavras:
“Em verdade, a condenação paira sobre vós, que fostes estabelecidos para conduzir a minha Igreja (…) e também sobre a Igreja; e é necessário que haja arrependimento e mudança entre vós, em todas as coisas, nos vossos exemplos diante da Igreja e perante o mundo, em todos os vossos modos, hábitos e costumes, e a maneira de vos saudardes; dando a cada um o respeito devido ao ofício, chamado e sacerdócio para os quais eu, o Senhor, vos indiquei e ordenei.”10
Se algum de nós também for culpado de tratar com leviandade estas coisas sagradas, que se arrependa e se decida honrar o sacerdócio e aqueles a quem o Senhor tem confiado Suas chaves.
Irmãos, proclamamos a toda a humanidade estas verdades eternas: “O Sacerdócio de Melquisedeque tem o direito de presidir, e tem poder e autoridade sobre todos os ofícios da igreja em todas as épocas do mundo (…)”. (D&C 107:8) 
Este poder possui “(…) as chaves de todas as bênçãos espirituais da igreja”. (D&C 107:18) Que possamos honrar integralmente este sacerdócio, eu oro em nome de Jesus Cristo, amém.



Notas
1. Talvez o leitor deseje consultar James E. Talmage, “The Honor and Dignity of Priesthood”, reproduzido por James R. Clark em Messages of the First Presidency, 6 volumes. (Salt Lake City: Bookcraft, 1965–1975), 4:305–309.
2. O Presidente George Q. Cannon disse: 
“[Honrar o Presidente da Igreja] nos motivará a nos achegarmos ao Pai e a vivermos de modo a receber Suas revelações para nós mesmos, para que o conhecimento que vem do Espírito esteja em nosso coração, para que a voz do verdadeiro Pastor seja conhecida por nossos ouvidos, para que quando a ouvirmos possamos reconhecê-la (…). 
Este é o privilégio dos santos dos últimos dias, e qualquer pessoa desta Igreja que não viver de modo a desfrutar este privilégio permanece muito aquém do que poderia ser”. (Journal of Discourses, 19:110)
3. “The Unique Commission of a General Authorityl”, (Reunião de Treinamento de Autoridades Gerais, 2 de outubro de 1985, p.5.)
4. “Comission”, p.1.
5. Conference Report, outubro de 1992, p. 77; ou Ensign, novembro de 1992, p. 54.
6. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, comp. Por Joseph Fielding Smith, p. 23.
7. Messages of the First Presidency, 4:306.
8. James E. Faust, “Um Setenta É uma Autoridade Geral”, Sessão Especial de Treinamento para os Setenta, 29 de setembro de 1987, p. 4.
9. “Commission”, p. 9.
10. History of the Church, 2:177.