sábado, 11 de dezembro de 2021

JESUS DE NAZARÉ


JESUS DE NAZARÉ

Presidente Spencer W. Kimball 

Nesta época do ano, celebramos o nascimento do Senhor Jesus Cristo. Há alguns anos atrás, minha esposa e eu visitam os a Terra Santa, juntam ente com o Élder Howard W. Hunter e esposa e numa véspera de Natal nos juntamos às milhares de pessoas de todas as partes do mundo que lá se encontravam por motivos religiosos ou simples curiosidade.

Tivemos que nos abaixar para atravessar a pequena abertura da Igreja da Natividade, quando vagarosamente nos encaminhamos para a gruta que muitas denominações consideram como os locais sagrados da manjedoura e do nascimento do Salvador.

Ao olhar para a estrela de metal que se acha fixada ao piso de concreto situado mais abaixo, nossa mente  retratou uma rústica manjedoura numa gruta, e ao lado dela um a adorável senhora de lindo semblante e meigo olhar fitando um pequenino envolto em panos, como costumavam ser as demais crianças hebraicas. O infante já havia sido lavado, seu corpo limpo com sal e colocado sobre um pano quadrado, com a cabeça numa das extremidades, e os pés no sentido diagonalmente oposto. O pano em seguida foi dobrado ao redor de seus quadris e dos pés e o precioso fardo logo após amarrado com tiras. As mãos da criança costumavam ser presas aos lados do corpo, mas ocasionalmente eram soltas e talvez polvilhadas com folhas de murta em pó. Se a criança ainda estivesse envolta em panos, ela poderia ser facilmente carregada na viagem que fez ao Egito, e até mesmo ser amarrada às costas da mãe.

Quão gratos somos pelo nascimento do menino Jesus, mas será que não estamos dando maior ênfase a esse fato que a outras fases de sua experiência terrena? Costumamos considerar sua natividade como o evento que mais influenciou nossa vida? Seria interessante perguntar por que estamos aqui. Qual foi o objetivo de nosso nascimento? Isto nos faz lembrar que muitos bilhões de pessoas já nasceram aqui na terra.

Caim nasceu, mas terminou sua existência em completa obscuridade. Que fez ele de sua vida?

Nero também nasceu, porém a maneira pela qual conduziu sua vida parece não ter justificado tão grande bênção.

Adolph Hitler nasceu. Que fez ele de sua vida? Milhões de pessoas morreram de fome no campo de concentração de Dachau e em outras câmaras de tortura. 

Sim, é verdade que os homens têm que morrer — todos nós faleceremos um dia. Milhões de pessoas passaram por esta vida sem que ninguém as notasse, completamente ignoradas e desconhecidas. A questão é, será que elas cumpriram a medida de sua criação mortal? Certamente não é um fato preponderante que os homens morram , ou a época em que faleçam, mas sim que não morram em seus pecados. Muitos indivíduos que viveram no período antediluviano morreram vergonhosamente com a alma cheia de transgressões, na ocasião em que se abriram as fontes dos céus.

Cristo morreu. Oh! Eis uma morte deveras significativa. Jesus realizou o sacrifício expiatório por nossos pecados, abrindo o caminho para que pudéssemos ressuscitar, indicando a maneira pela qual podemos viver uma vida perfeita e mostrando a senda que conduz à exaltação. Ele morreu por sua livre vontade. Seu nascimento foi humilde, sua vida perfeita, seu exemplo compelidor; sua morte abriu as portas para nós e ofereceu à humanidade todos os dons e bênçãos de real valia.

Talvez sua morte pudesse ter ocorrido muitos anos antes e cumprido apenas o primeiro dos requisitos: o de nos proporcionar a ressurreição e imortalidade. Todavia, por algum motivo foi necessário que ele vivesse um pouco mais — mesmo que fosse para ter um a existência cheia de perigos, para que pudesse estabelecer firmemente o caminho da perfeição.

Por mais de três décadas, ele viveu perigosamente. Desde o dia em que Herodes decretou e levou a cabo a terrível matança de criancinhas até o ato impiedoso em que Pilatos o entregou à turba sanguinária, Jesus atravessou perigos constantes. Tão grandes riscos correu ele, que até mesmo foi oferecida uma recompensa por sua captura, cujo preço final foram trinta moedas de prata. Parece que não somente os inimigos humanos desejavam complicar-lhe a vida, mas também seus amigos o abandonaram; como se isto não bastasse, Satanás e suas legiões o perseguiam incessantemente. Apesar de tudo, mesmo após sofrer morte prematura, parece que ele não queria deixar este mundo sem antes haver treinado melhor seus líderes. Por isto, ele permaneceu aqui na terra por mais quarenta e cinco dias, a fim de proporcionar um treinamento de liderança aos apóstolos e aos demais discípulos, para que eles se tornassem santos.

Ao examinarmos sua vida, vemos o cumprimento de um a profecia, pois, conforme o predito, foi um “homem de dores, e experimentado nos sofrimentos” (Isaías 53:3.) Como ele poderia conduzir efetivamente seu povo — mostrar-lhe a maneira pela qual poderia guardar seus mandamentos — a não ser que conhecesse tanto o sofrimento como a alegria? Como poderíamos saber que é possível alcançar a perfeição individual, ou ainda, como um indivíduo sentiria o desejo de esforçar-se por alcançá-la, se alguém não provasse que tal meta seria atingível? Para tanto, ele atravessou inúmeras tribulações, dia e noite, durante toda sua existência.

Porém , cada dia de sua vida ele demonstrou seu poder, sua grande habilidade e energia. Desde a ocasião de seu nascimento, sua vida foi sempre cheia de percalços. Nascido numa manjedoura, sem gozar do mínimo conforto que era comum aos lares israelitas, foi um visitante indesejado, pois não havia lugar para ele na hospedaria.

Em outra época de sua vida, ainda na infância seus pais tiveram que levá-lo para um país distante, a fim de salvar sua preciosa vida, num a jornada cheia de perigos, feita com grande pressa e temor, uma viagem difícil para uma criança tão pequena, ainda necessitando dos cuidados maternos. Durante aquele percurso, ele sofreria penúrias, tempestades de areia, cansaço, além de ter que provar alimentos estranhos, em meio a costumes diferentes, numa terra nova e desconhecida. A viagem que fizeram a Nazaré foi um a das jornadas mais longas e árduas que teve de enfrentar, novamente para fugir à sanha de um governante desalmado.


Suas tribulações foram contínuas. Talvez Lúcifer, seu irmão, tenha ouvido Jesus dizer, quando tinha apenas doze anos de idade: “Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” (Lucas 2:49). Então chegou a época em que Satanás procurou fazer com que ele caísse em tentação. A batalha que ambos passaram na preexistência tinha sido travada em igualdade de condições, mas agora, quando nesta vida, Jesus era apenas um jovem, e Satanás um espírito experiente e, através de sutilezas e desafios, tentou destruir aquele Salvador que começava a surgir.

Porém a todas as insinuações feitas pelo adversário, ele respondeu com um a recusa categórica, “Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Mateus 4:10.)

Que existência solitária ele deve ter  vivido! Já nem mesmo podia viver sua própria vida. Em quase todos os milagres que operou, ele pediu à pessoa que tinha sido curada, “Não digas nada a ninguém” (Marcos 1:44). Porém os aflitos, os enfermos que haviam sido alvo de seu poder e bondade, iam por toda parte e propagavam o que lhes tinha acontecido, “de modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas conservava-se fora, em lugares desertos.” (Marcos 1:45.)

Todos os seus pronunciamentos eram um desafio. Cabia-lhe defender todos os princípios. “ Por que não jejuas?” “ Por que seus discípulos comem sem lavar as mãos?” “ Por que violas o Sábado curando nesse dia?” Os líderes dos sacerdotes procuraram matá-lo por curar no dia santificado!

Já era penoso que seus inimigos tentassem fazer com que ele caísse numa cilada, porém até mesmo seus amigos “ saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si” (Marcos 3:21.)

Quem poderia oferecer lhe um pouco de com paixão? Será que era por esse motivo que Cristo frequentemente subia às montanhas, em busca de um lugar seguro e do consolo de seu Pai? E assim ele vivia, solitário, sem ter ninguém com quem pudesse desabafar, sem um abrigo onde repousar. Com o ele mesmo disse: “ As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Lucas 9:58.) Sempre que Jesus subia as colinas, era seguido. Cruzava o mar e lá estava a multidão. Deitava-se no barco para repousar, e era rudemente acordado com criticismo: “Não se te dá que pereçamos?"(Marcos 4:38.)

Mesmo quando estava prestes a seguir a trilha que o conduziria à morte, teve que dizer aos apóstolos que escolhera: “ Não vos escolhi a vós doze? Contudo um de vós é um diabo.”(João 6:70.) Daquele dia em diante, caminharia ao lado de um traidor.  

Quão solitário vivia! Em meio a quanta angústia! Ter que fugir e esperar, sabendo que a morte logo o alcançaria! “ Pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo.” (João 7:1.) 

O Senhor fez tudo para viver incognitamente, “mas não pôde esconder-se” (Marcos 7:24.)

Jesus sofreu um a das maiores desilusões, quando voltou para sua terra natal. Não houve qualquer demonstração de júbilo com sua vinda, apenas curiosidade e rejeição. “Não é este o carpinteiro, filho de Maria?” (Marcos 6:3.) É um menino comum , semelhante aos que brincam em nossas ruas, diziam eles.

Foi oferecida uma recompensa por sua captura. Jesus sempre foi ameaçado pela violência física. As pessoas tinham o prazer de revelar onde ele se encontrava, para que fosse capturado e morto. O fantasma da morte ia a sua frente, sentava-se com ele, caminhava a seu lado e o seguia.

Quão difícil deve ter sido para Jesus, que podia fazer com que uma figueira secasse mediante uma simples ordem , esquivar-se de amaldiçoar seus inimigos. Ao invés disso, Cristo orava por eles. É comum aos homens revidar, porém aceitar as afrontas como o Senhor o fez, é um gesto divino. Ele foi continuamente provado: quando permitiu que o traidor o beijasse, Jesus não resistiu; ao ser capturado pela turba sedenta de sangue, não consentiu que Pedro, seu leal apóstolo, o defendesse, embora aquele homem digno estivesse disposto a morrer, se fosse necessário, para defendê-lo. 

Tendo doze legiões de anjos a seu dispor, recusou-se a usá-las e disse aos corajosos apóstolos que estavam a seu lado que o não defendessem. Permitiu que a turba o prendesse e o sujeitasse às maiores indignidades, sem ao menos revidar. Ele mesmo não tinha dito, “Amai aos vossos inimigos”? (Mateus 5:44.) 

Com divina e imponente dignidade, suportou as afrontas, quando indivíduos perversos cuspiram em sua face. Jesus permaneceu majestoso, quando o arrastaram de um lugar para outro. Nem uma só palavra de rancor escapou de seus lábios. Bateram -lhe na face e socaram -lhe o corpo; não obstante, permaneceu resoluto e intimorato.

Ele seguiu literalmente sua própria admoestação, quando ofereceu a outra face a seus algozes, para que nela batessem. Mesmo diante de tal covardia, não demonstrou qualquer sinal de servilismo, recusa ou contestação. Quando testemunhas falsas e mercenárias foram pagas para mentir a respeito dele, não dirigiu a elas a mínima condenação. Ao ouvi- las corromper suas palavras, dando- lhes um significado errôneo, permaneceu calmo e imperturbável. Ele não havia ensinado, “Orai pelos que vos perseguem”? (Mateus 5:44.)


Jesus Cristo, o único ser existente aqui na terra que havia criado o mundo e tudo o que nele vemos, que havia criado a prata com a qual tinham sido cunhadas as moedas com as quais fora vendido, ele, que poderia invocar defensores de ambos os lados do véu — permaneceu calado e sofreu.

Tampouco disse coisa alguma à multidão que exigia a liberdade de Barrabás, gritando, “Solta-nos Barrabás.” (Lucas 23:18.) Nem mesmo quando a turba gritou, pedindo seu sangue, dizendo, “Crucifica-o! Crucifica-o!” (Lucas 23:21) — ele demonstrou o menor sinal de amargura, rancor ou condenação. Seu semblante permaneceu tranquilo. Ali estava o perfeito exemplo de dignidade divina, poder e autodomínio. Barrabás em troca de Cristo! Barrabás liberto e Jesus crucificado. O pior em troca do melhor; o justo pelo injusto; o Unigênito crucificado, o transgressor pervertido solto. O Senhor não procurou vingar-se, dizer imprecações ou condenar aqueles infelizes.

Todavia, maiores provações o aguardavam . Ainda que considerado inocente, Jesus foi açoitado. Homens indignos supliciaram o puro Unigênito, o Filho de Deus. Uma palavra sua e todos os seus inimigos cairiam por terra, destruídos. Um comando seu e todos os seus algozes teriam perecido, transformados em  pó e cinzas. Entretanto, com majestosa serenidade, ele preferiu sofrer.

Então chegou o momento em que lhe foi colocada uma coroa de espinhos. Quão doloroso e cruel deve ter sido esse suplício! Porém , mesmo naquele instante, continuou sereno! Que portentosa energia! Que soberbo autocontrole! Sua atitude foi inacreditável.

O sangue arrancado pelos espinhos parecia ser o que eles desejavam. Não fora a turba mesma que dissera, “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos”? (Mateus 27:25.) Agora nada podia impedir que eles levassem a cabo seus nefandos desígnios. A multidão estava ansiosa de saciar sua sede de sangue, e a crucificação faria com que ela se aplacasse, mas primeiro tinham que satisfazer seus apetites bestiais, seu sadismo; antes de tudo, precisavam ainda lançar sua infecta saliva ao sagrado rosto, com desumana crueldade.

O povo fez com que o corpo ferido e ensanguentado do Salvador carregasse a pesada cruz que serviria para seu próprio suplício. Os malvados, que tinham as fortes costas livres de qualquer fardo, presenciaram com inclemência o Mestre, o rosto coberto de suor, com grande esforço levantar o pesado madeiro e colocá-lo ao ombro, uma pobre vítima indefesa. Mas será que ele estava mesmo indefeso? As doze legiões de anjos por acaso ainda não se encontravam sob seu comando? Não estavam elas com as espadas desembainhadas, esperando suas ordens? Não estavam os anjos, com profunda agonia, contendo a custo o desejo de vir ajudá-lo?

Mas ele tem que sofrer tudo até o fim. Chega o momento em que os pregos são cravados em suas mãos e pés, trespassando sua carne macia e trêmula. A agonia aumenta. A cruz é fixada ao solo; a carne começa a sangrar. Que dor insuportável! Então são afixados cravos ao pulso, para assegurarem -se de que o corpo não caia ao solo e seja levado pelos discípulos.

A zombaria aumenta à medida que a gentalha se aproxima e olha para o alto, sorrindo velhacamente, proferindo blasfêmias e escárnios. “ A outros salvou; a si mesmo não pode salvar.” (Marcos 15:31.) Que tentação deve ter sido para o Senhor, que poderia facilmente naquele instante descer da cruz, sem quaisquer cicatrizes ou ferimentos!

Que desafio deve ter sido para ele recusar-se a revidar. Mas no Getsêmani já havia tomado uma firme decisão, e suado grandes gotas de sangue, em profunda angústia, quando aceitou a missão que o Pai lhe dera — de ir avante, suportar as enormes indignidades que lhe seriam infligidas, e sofrer até o fim, para proporcionar a vida eterna àqueles mesmos seres que ali estavam , e a todos os seus descendentes, se atendessem a sua voz.


Agora que sua vida mortal chegava rapidamente ao clímax, ele procurou controlar-se, vencendo a tentação de “mostrar” seu poder. Obviamente Lúcifer, que havia tentado o Senhor no deserto, na montanha e no pináculo do templo — por certo havia feito um bom trabalho, colocando palavras maldosas na boca de seus seguidores: “Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lucas 23:37.) O ladrão, pendurado na cruz, disse com sarcasmo: “ Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós.” (Lucas 23:39.) Ao redor da cena do holocausto, havia ainda outras pessoas de idêntico temperamento, porém menos criminosas em suas perseguições. Os sacerdotes arrogantes, com seus longos mantos finamente bordados, os líderes do povo — seres humanos vis, mesquinhos e decaídos — também ali estavam para deleitar os olhos, jactarem -se, zombar e escarnecer.

Sua hora final havia chegado. Ali estava ele completam ente só, embora estivesse cercado por um a grande multidão. Sozinho, tendo a sua volta as hostes celestiais ansiosas de consolá-lo. Sozinho, mas tendo junto dele seu Pai que nutria pelo Filho a mais profunda compassividade, sabendo que ele teria que trilhar sem sua ajuda aquela senda tortuosa e sangrenta. Sozinho, exausto, febril e moribundo, Jesus clamou: “ Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46.) Sozinho ele esteve no Jardim do Getsêmani — orando a fim de ter forças para beber a amarga taça.

Ele havia ensinado, “ Amai aos vossos inimigos” (Mateus 5:44.) Naquele momento, Cristo demonstrava o quanto podia amá-los: estava morrendo na cruz por aqueles que o tinham nela cravado. Ao morrer, Jesus sofreu agonias que homem algum até então havia suportado. Não obstante, rogou. “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34.) Não foram estas suas últimas palavras — o ato supremo? Que divino gesto: o de perdoar aqueles que o estavam matando — que clamavam irados pedindo seu sangue! Ele dissera: “ Orai pelos que vos perseguem ” (Mateus 5:44), e ali estava o Senhor, orando por seus algozes. Sua vida foi um reflexo perfeito de seus ensinamentos. “Sede vós, pois, perfeitos,” ensinou ele. A través de sua vida, morte e ressurreição, Jesus realmente estava-nos mostrando o caminho.


Assim como a ressurreição, a morte e a vida são importantes para alcançarmos a perfeição, também o é o nascimento. Tendo isto em mente, meu pensamento se volta outra vez para Belém, a moderna cidade de Belém. Minha esposa e o grupo de turistas com quem estávamos, caminhávamos junto com as multidões cada vez maiores, e éramos por ela empurrados e acotovelados. Era com o se nos afogássemos num oceano de inúmeros corpos e faces. Naquela circunstância, era difícil nos concentrarmos no motivo sagrado de nossa vinda. Pouca coisa existia na colina que pudesse aumentar nossa reverência ou satisfazer a ansiedade que tínhamos de ficar sozinhos com nossos pensamentos.

Pedimos ao motorista do táxi que nos levasse até a colina, de onde se poderia ver o campo dos pastores. Abaixo de nós, no pequeno vale, encontrava-se o campo de Boaz e Rute. A nossa frente, víamos as planícies ondulantes, onde os pastores certa vez guardavam seus rebanhos. No sopé da colina, existe um a gruta cuja frente está voltada para aquele pequeno vale. Ali, segundo a tradição, os pastores dormiram e vigiaram naquela memorável noite.

Um a caverna como aquela os protegeria do frio durante a noite, e ao mesmo tempo permitiria que vigiassem os rebanhos. Ali, vislumbrando o vale, único lugar adjacente a Belém, onde podíamos encontrar a solidão de que necessitávamos, permanecemos no escuro, olhando o céu estrelado, com o fizeram os antigos pastores.

Os anjos não cantaram naquela noite? Nós também parecíamos ouvir um a melodia soturna, fracamente audível, mas que, em sinfônica harmonia, penetrava até o fundo de nossos corações. Era como se ouvíssemos um canto em uníssono, um hino inesquecível, um cântico ressoando através dos tempos: “Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens! (Lucas 2:14.)

No momento em que a emoção daquelas palavras divinas fez vibrar as cordas de nossa alma, nós quatro começamos a cantar: “ Pequena vila de Belém, repousa em teu dormir,” (Hinário, n;º 129.), e permanecemos bem juntos no meio da noite estrelada, com as golas de nossos agasalhos bem fechadas ao pescoço — fisicamente juntos, mental, espiritual e emocionalmente unidos; e juntos gozam os daquele momento inspirador. Sem ter outra luz para nos iluminar que a dos cintilantes luzeiros dos céus, sem ouvir nenhum outro som que o murmúrio de nossas próprias vozes. Nosso Pai Celestial parecia, naquele momento, estar muito, muito perto, e sentíamos que seu Filho se achava junto de nós. Naquele instante, elevamos um a oração que foi tão uníssona, que parecia ter sido proferida por uma única voz, e quatro corações derramaram todo o amor e gratidão que sentiam, e nossa prece se elevou, misturando-se a todas as orações que a humanidade pronunciava naquela noite.

Nela elevamos toda nossa gratidão e demonstramos nosso profundo amor. E, como se as comportas de um a represa que há muito se encontrassem fechadas, de repente se abrissem libertando seus reclusos mananciais, com as vozes quase inaudíveis, impregnadas de sublime reverência, suavizadas pelas intangíveis forças celestiais, sinceramente elevamos um a prece de ação de graças: Somos gratos, Pai Celestial, por sabermos de m aneira tão positiva que viveis, por term os plena convicção de que a criança que aqui nasceu foi verdadeiramente vosso Filho; somos gratos pelo programa de vossa Igreja ser real, operável e exaltador. Dissemos-lhe que o conhecíamos, que o amávamos e o seguiríamos. Rededicamos nossa vida a sua causa, e também tudo o que possuímos.

Muitos anos se passaram desde aquele inesquecível instante, mas toda vez que chega esta época maravilhosa, dedicamo-nos novamente a seu trabalho — e convidamos as pessoas de todo o mundo a se unirem conosco em nossas orações de júbilo, amor e gratidão pela vida e ensinamentos de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, o Filho de Deus.

(Mensagem da Primeira Presidência, A Liahona, Dezembro de 1981. Pp. 1-8)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

terça-feira, 7 de dezembro de 2021



NAO SE DESESPERE

Presidente Ezra T aft Benson 


Vivemos num tempo em que, com o o Senhor predisse, os corações dos homens falhariam , não só fisicamente, mas em espírito. (Ver D&C 45:26.) Muitos estão perdendo a coragem para a batalha da vida. O suicídio se apresenta com o um a das maiores causas de morte entre estudantes universitários. À medida que se aproxima o acerto final entre o bem e o m al, com suas consequentes provações e amarguras, Satanás está-se esforçando cada vez mais para vencer os santos com desespero, desencorajamento, desalento e depressão. 

Contudo, entre todo o povo, nós, com o santos dos últimos dias, deveríamos ser os mais otimistas e os menos pessimistas, pois, ao mesmo tempo que sabemos que “ a paz será tirada da terra e o diabo terá poder sobre o seu próprio domínio” , tem os também a garantia de que “ o Senhor também terá poder sobre os Seus santos, e reinará no seu meio” . (D&C 1:35-36.) 

Com a certeza de que a Igreja permanecerá intacta, com Deus dirigindo-a através dos tempos turbulentos que estão no futuro, torna-se nossa responsabilidade individual fazer com que cada um de nós se mantenha fiel à Igreja e aos seus ensinamentos. “ O que permanecer firme e não for vencido, este será salvo.” (Joseph Smith — Mateus 1:11.) Para evitar que fôssemos vencidos pelas tentativas do diabo de nos levar ao desespero, desencorajamento, depressão e desalento, o Senhor proveu pelo menos um a dúzia de formas que, caso seguidas, elevarão nosso espírito e nos colocarão em nosso caminho cheios de júbilo. 

1: Arrependimento 

Lemos no Livro de Mórmon que “ o desespero vem por causa da iniqüidade” . (Morôni 10:22.) “Quando faço o bem, sinto-me bem” , disse Abraham Lincoln, “ e quando faço o mal, sinto-me mal” . O pecado empurra o homem para o desalento e ao desespero. Conquanto o homem possa tirar algum prazer temporário do pecado, o resultado final é a infelicidade. “Iniquidade nunca foi felicidade.” (Alma 41:10.) O pecado cria desarmonia com Deus e deprime o espírito. Portanto , bom seria que cada qual se examinasse a si mesmo, para que permanecesse em harmonia com todas as leis de Deus. Cada lei que guardamos nos traz uma bênção particular. Cada lei quebrada produz uma desgraça. Aqueles que estão com um a carga pesada de desespero, deveriam vir ao Senhor, pois o seu jugo é suave e sua carga é leve. (Ver Mateus 11:28-30.)

2: Oração

A oração na hora da necessidade é um a grande dádiva. Em nossas pequenas dificuldades, com o em nossas grandes provações, a oração — oração persistente — pode-nos colocar em contato com Deus, nossa m aior fonte de conforto e conselho. “ Ora sempre para que possas sair vencedor.” (D&C 10:5.) “Empregando todas as minhas forças para pedira Deus que me livre” é a forma como o jovem Joseph Smith descreve o método que usou no bosque sagrado, para impedir que o adversário o destruísse.(Joseph Smith—História 1: 16-17.) Essa é também uma chave a ser usada para evitar que a depressão nos destrua.

3: Serviço 

Perder-se a si mesmo em serviço piedoso ao próximo pode elevar a visão e tirar a mente dos problemas pessoais, ou pelo menos colocá-los na perspectiva adequada. “ Quando vocês se sentirem um pouco abatidos” , disse o Presidente Lorenzo Snow, “ olhem ao redor e atentem em alguém que se encontre em pior situação; dirijam -se a essa pessoa e descubram qual é o problema; depois, procurem remover a causa com a sabedoria que o Senhor lhes concedeu; e a primeira coisa que saberão é que o abatimento se foi, e então vocês se sentirão leves, o Espírito do Senhor estará com vocês, e tudo irá parecer iluminado” . (Relatório da Conferência, 6 de abril de 1899, pp. 2-3.)

Uma mulher, cuja vida está voltada para a criação correta de seus filhos, tem melhor oportunidade de manter o espírito elevado que um a outra, cuja preocupação total centraliza-se em seus próprios problemas.

4: Trabalho 

A terra foi amaldiçoada por causa de Adão. O trabalho é a nossa bênção, não a nossa condenação. Deus tem um trabalho a fazer, e nós também deveríamos ter. A aposentadoria do trabalho tem deprimido muitos homens, apressando-lhes a morte. Tem-se dito que os próprios demônios no inferno tecem cordas de areia, para não terem de enfrentar o verdadeiro inferno da indolência. Deveríamos trabalhar cuidando das necessidades espirituais, mentais, sociais e físicas de nós mesmos e daqueles que temos a obrigação de ajudar. Na Igreja de Jesus Cristo, existe trabalho de sobra para ser feito no sentido de levar avante o reino de Deus. A obra missionária, a genealogia familiar e trabalho no templo, as noites familiares, as designações da Igreja e seu cumprimento, são apenas uns poucos dos labores que nos são requeridos.

5: Saúde 

A condição do corpo físico pode afetar o espírito. É por isso que o Senhor nos deu a Palavra de Sabedoria. Ele disse também que deveríamos retirar-nos cedo para nossas camas e levantar cedo (ver D&C 88:124), que não deveríamos correr mais depressa do que nos permitam nossas forças (ver D&C 10:4), e deveríamos usar de moderação em todas as boas coisas.

Em geral, quanto mais comida usamos em estado natural e quanto menos refinada ela for, e mais desprovida de aditivos, mais saudável será para nós O alimento pode afetar a mente, e a deficiência de certos elementos no corpo pode produzir depressão mental. 

Um bom exame físico periódico é um a salvaguarda e permite localizar problemas que podem ser remediados. Repouso e exercício físico são essenciais, e um a caminhada ao ar fresco pode refrigerar o espírito. Recreação saudável faz parte de nossa religião, sendo um a mudança de ritmo necessária, e até a expectativa disso pode elevar nosso ânimo.

6: Leitura 

Muitos em suas horas de provação têm-se voltado para o Livro de Mórmon e sido iluminados, vitalizados e confortados. 

Os salmos no Velho Testamento têm alimento especial para a alma que está em aflição. Nos dias atuais, somos abençoados com a moderna revelação de Doutrina e Convênios. As palavras dos profetas, particularmente o presidente vivo da Igreja, são leitura decisiva e podem dar orientação e conforto numa hora em que estamos desanimados.

7: Bênção 

Num a circunstância de tensão particular, ou prevendo um evento crítico, a pessoa pode recorrer à bênção sob as mãos do sacerdócio. Até o Profeta Joseph Smith buscou e recebeu uma bênção das mãos de Brigham Young e foi aquinhoado com ânimo e orientação para sua alma. Pais, vivam de tal maneira, que possam abençoar suas esposas e filhos. Receber, e depois ponderar consistente e piedosamente sobre um a bênção patriarcal, pode dar-nos percepção útil, particularmente num a hora de necessidade. O sacramento “ abençoa... as almas” (D&C 20:77, 79) de todos aqueles que dele partilham dignamente, e assim deveria ser tomado com frequência, até pelos que estão confinados ao leito.

8: Jejum 

Uma certa casta de demônios não sai senão com jejum e oração, diz-nos a escritura. (Ver Mateus17:14-21.) Jejum periódico pode ajudar a clarear a mente e fortalecer o corpo e o espírito. O jejum comum, aquele que devemos fazer no domingo de testemunhos, é de 24 horas sem alimento nem bebida. Algumas pessoas, sentindo a necessidade, têm-se entregado a jejuns mais longos, abstendo-se de alimentos, mas tomando os líquidos necessários. Deve-se usar de sabedoria e quebrar este jejum com alimentos leves. Para que o jejum se torne mais frutífero, deve ser acompanhado de oração e meditação; o trabalho físico deve ser reduzido a um mínimo, e será uma bênção se a pessoa puder ponderar as escrituras e a razão do jejum . 

9: Amigos 

O companheirismo de verdadeiros amigos que possam ouvi-lo, partilhar suas alegrias, ajudar a carregar suas cargas, e aconselhá-lo corretamente, é inestimável. Para alguém que esteve encarcerado na depressão, as palavras do Profeta Joseph Smith têm especial significado, quando diz: “ Quão doce é o som da voz de um amigo. Um gesto de amizade, de onde quer que venha, desperta e estimula todo sentimento de simpatia.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, compilado por Joseph Fielding Smith, p. 131.) 

O ideal seria que os familiares fossem os seus amigos mais chegados. Mais importante ainda é que deveríamos procurar tornar-nos amigos de nosso Pai nos céus, e de nosso irmão Jesus Cristo. Que bênção estar em companhia daqueles que nos edificam. Para termos amigos, precisam os ser amigáveis. A amizade deveria começar no lar, e depois expandir-se para incluir os mestres familiares, os líderes do quórum , o bispo, e outros mestres e líderes da Igreja. Reunir-se freqüentemente com os santos, gozar de sua companhia, pode levantar as forças do coração.

10: Música 

Música inspiradora pode encher a alma com pensamentos celestiais, mover a pessoa a agir com retidão, ou falar de paz à alma. Quando Saul era perturbado por um mau espírito, Davi tocava para ele com sua harpa, Saul se acalmava e o espírito mau se retirava. (Ver I Samuel 16:23.) O Élder Boyd K. Packer sabiamente sugeriu que memorizássemos alguns dos inspiradores hinos de Sião, para depois, quando a mente se achar aflita com tentações, cantar alto, a fim de manter diante do pensamento as palavras inspiradoras, e assim expulsar os maus pensamentos (em Conferência Geral, outubro de 1973). Isso também pode ser feito para expulsar pensamentos depressivos e debilitadores.

11: Persistência 

Quando George A. Smith estava muito doente, foi visitado pelo sobrinho, o Profeta Joseph Smith. O enfermo contou depois: “ Ele (o profeta) me disse que eu nunca deveria ficar desencorajado, quaisquer que fossem as dificuldades que me rodeassem . Se eu fosse lançado na mais profunda mina da Nova Escócia, e as Montanhas Rochosas inteiras fossem amontoadas por cima, não deveria ficar desencorajado, mas apegar-me à fé, conservar a coragem , e sairia pelo alto do monte.” (George A . Smith Family, comp. Zora Smith Jarvis, Provo, Utah: Brigham Young University Press, 1962, p. 54.)

Há ocasiões em que simplesmente temos que aguentar com firmeza, perseverar mais que o demônio, até que seu espírito depressivo nos deixe. Conform e o Senhor disse ao Profeta Joseph Smith: “ A tua adversidade e as tuas aflições serão por um momento; E então, se as suportares bem, no alto Deus te exaltará.” (D&C 121:7, 8.) 

Continuando a esforçar-se por em preendimentos nobres, mesmo quando rodeado por um a nuvem de depressão, você eventualmente sairá em cima, na luz do sol. Até mesmo nosso Mestre Jesus Cristo, quando defrontado com a suprem a prova de ser temporariamente deixado sozinho, por nosso Pai durante a crucificação, continuou a realizar sua obra pelos filhos dos homens, e então, pouco depois, foi glorificado e recebeu a plenitude da alegria. Enquanto vocês estiverem atravessando suas provações, poderão recordar as passadas vitórias e contar as bênçãos que têm , com um a esperança segura de outras maiores que se seguirão, se forem fiéis. E vocês poderão ter aquele conhecimento certo de que, no devido tempo, Deus enxugará todas as lágrimas, e que “ as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem , são as que Deus preparou para os que o amam ” (I Coríntios 2:9). 

12: Metas 

Todo filho responsável de Deus precisa estabelecer metas, de curto e longo prazo. Um homem que está fazendo força para alcançar metas dignas, pode logo colocar o desalento debaixo de seus pés, e uma vez que um objetivo é alcançado, outros podem ser estabelecidos. Alguns serão objetivos contínuos. Cada semana, quando partilham os do sacramento, com prometemo-nos com a meta de tomar sobre nós mesmos o nome de Cristo, de nos lembrarmos sempre Dele e de guardarmos Seus mandamentos. Acerca da preparação de Jesus para sua missão, a escritura afirma que ele “crescia em sabedoria, e em estatura, e em graça para  com Deus e os homens” . (Lucas 2:52.) Isso abrange quatro áreas de objetivos: espirituais, mentais, físicos e sociais. “Portanto , que classe de homens devereis ser?” perguntou o Mestre, e respondeu: “ Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou .” (3 Néfi 27:27.) A gora existe um objetivo que ocupa a vida toda: de andarmos em seus passos, de nos aperfeiçoarmos em todas as virtudes, como Ele o fez, de buscarmos a Sua face, e de trabalharmos para assegurar nosso chamado e eleição. “ Irmãos” , disse Paulo, “ uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam , e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” . (Filipenses 3:13--14.)

Que a sua mente se encha com a meta de se tornarem como o Senhor, e expulsarão os pensamentos depressivos, quando ansiosamente buscarem conhecê-lo e fazer a sua vontade. “Que haja em vós o mesmo sentimento, que houve também em Cristo Jesus” , disse Paulo (Filipenses 2:5). “ Buscai-me em todo pensamento” , disse Jesus. (D&C 6:36.) E que resultará, se o fizermos? “ Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti.” (Isaías 26:3.) 

“ A salvação” , disse o Profeta Joseph Smith, “ é nada mais, nada menos, que triunfar sobre todos os nossos inimigos e pô-los sob nossos pés” . (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 289.) Podemos elevar-nos acima do inimigo do desespero, da depressão, desencorajamento e desalento, recordando que Deus provê alternativas retas, algumas das quais acabei de mencionar. Como está dito na Bíblia: “ Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (I Coríntios 10:13.)

Sim, a vida é um teste; é um a provação; e talvez, estando afastados de nosso lar celestial, sintamos algumas vezes com o os homens santos do passado sentiram , que somos “ estranhos e peregrinos na terra” . (D&C 45:13.) 

Alguns de vocês deverão recordar aquele grande livro, O Peregrino, de John Bunyan; em que o personagem principal, conhecido com o Cristão, estava tentando prosseguir para ganhar admissão à cidade celestial. Ele fizera disso seu objetivo, mas, a fim de o conseguir, tinha de vencer muitos obstáculos, um dos quais era escapar do Gigante Desespero. Para elevarmos nosso espírito, e sermos postos em nosso caminho com júbilo, os desígnios do demônio do desespero, desencorajamento, depressão e desalento podem ser derrotados por um a dúzia de formas, a saber: arrependimento, oração, serviço, trabalho, saúde, leitura, bênçãos, jejum , amigos, música, perseverança e metas. 

Usemo-las todas, nos dias difíceis que nos esperam , para que nós, peregrinos cristãos, tenhamos maior felicidade aqui, e prossigamos para um a plenitude de alegria nas paragens mais altas do reino celestial. 

(Mensagem da Primeira Presidência - NAO SE DESESPERE, Presidente Ezra Taft Benson, A Liahona,/Março 1987, pp 2-7)

terça-feira, 27 de julho de 2021

quinta-feira, 13 de outubro de 2016


Sermos Aceitos pelo Senhor
Élder C. Max Caldwell
O Élder C. Max Caldwell integrou o Segundo Quórum dos Setenta da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias de 1992 a 1997.

A motivação desta apresentação baseia-se na minha observação de colegas que, ou lutam para encontrar a paz na sua vida, ou estão frustrados por acharem-se fracassados. Ao esforçarmo-nos para obter paz e evitar o fracasso, ás vezes deixamos de reconhecer a verdadeira perspectiva entre os dois. Em outras palavras, nossa falta de entendimento de como aplicar certos princípios pode ser a fonte de insatisfação para nós mesmos. Por outro lado, há aqueles que se sentem acomodados com as circunstâncias atuais e que, geralmente, acham que alcançarão o sucesso como resultado de seus esforços desinteressados.
Lembro-me de ter ouvido certa vez, no saguão de um aeroporto, a metade de um diálogo telefônico. O que falava na minha presença declarou triunfalmente: "Hoje por fim alcancei o êxito." Já que não ouvi nada mais, fiquei pensando em que será que consistia tal sucesso? Será que era um vendedor hábil que acabou de fechar um contrato? Ou talvez fosse um paciente, persistente, de um tratamento médico que, ao completar um processo de reabilitação, se livrou das limitações impostas por uma cirurgia. Possivelmente era um diplomata determinado e persuasivo que participava de árduas negociações. Ou, pode ter sido um professor preocupado que tentava ensinar aos alunos uma habilidade ou conceito que antes desconheciam. Eu não sei qual destas suposições está certa, se é que qualquer delas está certa. Mas eu sabia que ele estava regozijando-se com a sensação do sucesso. Eu desejava, naquele momento, como posteriormente tenho desejado muitas vezes, que todas as pessoas pudessem frequentemente desfrutar de tais sentimentos de alegria. Porém isso nos faz pensar em uma questão importante: Será que a definição do sucesso baseia-se em agradar a si e aos outros?
A sensação do fracasso é, talvez, uma experiência pela qual passamos tanto quanto o sucesso. Achar-se fracassado não se trata de uma emoção alegre. Quase todos nós já participamos de um concurso em que alguém é escolhido ou designado o vencedor. Será que neste memento os outros se sentiam derrotados? Ao participarem de atividades que são avaliadas, devem aqueles que recebem notas inferiores considerarem-se menos bem-sucedidos e, portanto mais ou menos fracassados? Quando elogiamos as pessoas baseando-nos em desempenhos mensuráveis por estatísticas, será que também criamos a percepção de que os que não foram elogiados não fizeram bem? Será que os que procuram motivar, por mais bem-intencionados que sejam, acabam frustrando os que não conseguem alcançar as metas estabelecidas, porém inatingíveis para a maioria das pessoas?
Quando as pessoas se desesperam ou se tornam deprimidas, será que muitas vezes é porque não alcançaram uma meta ou condição autodeterminada, ou porque não conseguiram fazê-lo dentro de um prazo fixado por elas mesmas?
Um amigo muito deprimido me disse que havia passado duas semanas miseráveis ponderando seus fracassos e fraquezas. Ele estava preocupado que no decorrer dos anos pode ser que não tenha utilizado bem seu tempo, nem correspondido ás necessidades da família ou tratado as pessoas como deveria.
Suponho que a maioria de nós já teve pensamentos semelhantes.
O élder Neal A. Maxwell observou: "Alguns de nós, que não nos atreveríamos a admoestar nosso próximo devido as suas fraquezas, fazemos autocrítica a nós mesmos sem piedade. Alguns de nós nos encontramos perante um juiz impiedoso:  nós mesmos, um juiz que se recusa a admitir evidências otimistas e não se importa com o processo estabelecido da justiça."1
Sinto-me impelido a fazer uma segunda pergunta importante: deve a sensação de fracasso basear-se em não poder nos agradar a nós mesmos e nem aos outros?
Ás vezes se fazem críticas á Igreja por incentivar os membros a estabelecerem metas que parecem inatingíveis, tais como ser uma mãe perfeita, um missionário que bate todos os recordes, um bispo super-homem e procurarmos ser perfeitos.
É comum os bispos ouvirem os membros de a Igreja dizerem: "Bem, não sou perfeito," ou "ninguém é perfeito”.
Emprega-se esta filosofia, ás vezes, para justificar a mediocridade ou até mesmo o pecado. Ela pode aprofundar nosso desânimo devido á falta de atingir metas autodeterminadas ou até o objetivo ordenado pelo Senhor de chegar á perfeição. A crítica diz que o nosso povo será sempre um grupo de fracassados, frustrados e que nunca obterão sucesso e, assim, nunca se sentirão realizados.
Certamente não nos desculpamos por qualquer meta celestial estabelecida para nós por um ser celestial.
Mas, como disse o élder Maxwell: "Não é fácil obedecer à sinalização celestial quando se está num engarrafamento teleste."2
Hoje vamos discutir os três seguintes conceitos do livro de Doutrina e
Convênios:
 Primeiro: o que é o sucesso ou fracasso verdadeiro? Este será o ponto de mais ênfase.
Segundo: como obteremos a aceitação do Senhor?
Terceiro: onde vemos esta aceitação na vida de Joseph Smith?


1º CONCEITO: O QUE é O SUCESSO OU O FRACASSO VERDADEIRO?

Para obter entendimento a respeito deste assunto precisamos arrazoar sobre uma doutrina que, quando devidamente compreendida e aplicada, produz um impacto positivo na vida de todo Santo dos Últimos Dias. Aprendemos a distinguir o que é sucesso ou fracasso real através das sagradas verdades contidas em Doutrina e Convênios, o livro de revelações do Senhor desta dispensação.
Em vez de sentir satisfação com feitos temporais e temporários, que nos agradam e agradam aos outros, não será mais sábio se nós nos esforçássemos para chegar a um nível mais significativo de contentamento interno e eterno?
As declarações das escrituras justificam a conclusão que o sucesso ou o fracasso verdadeiro equivale á aceitação ou á condenação do Senhor.
É notável que um dos hinos patrióticos mais queridos nos Estados Unidos da America, contém um pedido a Deus que nos refine: "Até que todo sucesso seja nobreza e todo progresso divino."3
O que pode ser mais nobre do que aquilo que merece a aprovação divina e graça de Deus?
Permitam-me destacar algumas seções de Doutrina e Convênios onde se encontra esta ideia.
É um dos temas predominantes das escrituras dos Últimos dias, que nos proporciona um padrão expressivo pelo qual podemos determinar o que é o sucesso e o fracasso.

Seção 23. Nesta seção há uma exposição dos níveis da nossa relação com o Salvador que nos levam ou á aceitação ou á condenação. No próprio mês em que a Igreja foi organizada em 1830, o Senhor se dirigiu a cinco homens e lhes deu instruções específicas para a sua vida pessoal bem como seus deveres referentes á obra do reino. Entre os cinco, quatro foram informados que não estavam "sob condenação", mas o quinto não recebeu tal confirmação. Todos estes irmãos menos Joseph Knight Senior se batizaram e estabeleceram um convênio com o Salvador. Estes quatro com sucesso haviam agradado ao Senhor e certamente se esperava que continuassem aceitos perante Ele. Aparentemente haviam feito tudo que o Senhor lhes exigira até aquele momento. O quinto homem, Joseph Knight, não se batizara embora soubesse que devia. Ele já tinha mostrado que cria na obra de Joseph
Smith referente ao Livro de Mórmon e tinha solicitado uma revelação para instruí-lo quanto a sua participação no trabalho da Restauração. O Senhor respondera e o exortara a "procurar trazer á luz e estabelecer a causa de Sião" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 12 versículo 6). Obviamente ele teria que batizar-se a fim de cumprir esta ordem. Certa vez, quando ele assistia a um serviço batismal de outras pessoas, não seguiu a impressão distinta de que ele também devia batizar-se.
Em vez disso, esperou até junho de 1830 para fazê-lo.
Por isso o Senhor o condenou e declarou que era seu "dever unir-se á igreja verdadeira,. . . para que [ele recebesse] a recompensa do trabalhador" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  23 versículo 7).
Quando o Senhor revela uma verdade a alguém, Ele espera obediência, senão a pessoa se vê condenada perante o Senhor. Quando conhecemos princípios eternos tais como o dízimo, o jejum ou reverência pelo dia do sábado e não os cumprimos, certamente sentiremos mágoa. O Senhor declarou: "Porque a quem muito é dado, muito é exigido; e o que pecar contra a luz maior receberá a condenação maior" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  82 versículo 3).

Seções 39 e 40. O Pastor James Covill havia sido ministro batista por quarenta anos antes de ouvir a mensagem da Restauração, através do Profeta Joseph Smith. Ele logo fez convênio de fazer o que o Senhor exigisse. Antes disso, durante seu ministério, o Pastor Covill teria convidado seus ouvintes para aceitarem Jesus Cristo como seu Salvador pessoal como condição de ter esperança de se salvarem, conforme o costume dos ministros protestantes.
Porém, ele não podia informá-los como atingir a esperada herança celeste. Ele não lhes teria oferecido um batismo autorizado junto com os devidos convênios.
Aumentando o conhecimento e a experiência limitados de Covill, o Senhor lhe revelou que receber Cristo significa receber seu evangelho, o qual inclui o arrependimento e o batismo. O Senhor então o desafiou a batizar-se e fazer convênios eternos para receber o Espírito do Senhor (vide versículos 56, 10).
É interessante observar que o Senhor não utilizou a tradicional linguagem protestante. Não mencionou nenhum processo de "aceitar Cristo”. Em vez disso, as palavras reveladas trataram de "receber" o Salvador.
Conforme a doutrina tradicional, os mortais têm o desafio de determinar se aceitam Cristo ou não. Neste caso, pressupõe-se que o homem deve julgar se Cristo é aceitável aos homens. Porém, não se julga Cristo, pois Ele é o juiz. É o homem que é julgado para saber se é aceitável a Cristo. Para tal ele precisa receber o dom da expiação e pôr sua vida em conformidade com os princípios revelados do evangelho.
Uma pesquisa das escrituras revela que os vocábulos aceitar, aceito, aceitação e aceitável são sempre empregados no sentido do homem e suas obras serem julgados pelo Senhor. Tais termos não são usados no sentido do homem aceitar Deus. Nossa conclusão deve ser que nós é que devemos receber a aceitação do Senhor aos recebermos e praticarmos suas doutrinas e ordenanças com toda a dignidade.
Interessa-nos o emprego significativo do radical latino cep/ceit. Aceitação é de Cristo. Recepção é nossa escolha e ser receptivo, nossa oportunidade. Percepção é um dom espiritual ao passo que decepção é  de Lúcifer. Cada vocábulo tem um significado distinto. Não devemos confundi-los.
Infelizmente, James Covill rejeitou a palavra do Senhor e deixou de cumprir seu convênio. Não recebeu o evangelho do Senhor que equivale a não receber o próprio Senhor. Embora Covill não tivesse feito formalmente o convênio por meio do batismo, o Senhor declarou que a promessa verbal de Covill de obedecer valia como convênio. O Salvador disse: "Portanto quebrou meu convênio e cabe a mim fazer com ele o que me parecer melhor" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO
40 versículo 3). Quem não cumpre os convênios é fracassado e não aceitável a Deus.

Seção 41. Na primeira revelação registrada depois que Joseph Smith se mudou a Ohio, o Senhor pronunciou sua definição do que significa ser discípulo versículo: "Aquele que recebe a minha lei e a pratica é meu discípulo; e aquele que diz que a recebe e não a pratica, esse não é meu discípulo e será expulso de vosso meio" (v. 5). Para ser um verdadeiro discípulo de Cristo e desta forma ser aceito por Ele requer mais que um compromisso verbal. O discípulo há de ser recebedor e praticante da lei do Senhor. Aqueles que recebem a recompensa de ser discípulo necessitam cumprir com estas duas expectativas.
Nesta mesma revelação há um exemplo de tal pessoa. O Senhor chamou
Edward Partridge para ser o primeiro bispo da Igreja e descreveu-o como um homem de coração puro e sem dolo (vide vercículo 11). Ele era um discípulo do Senhor e aceitável a Ele. Do contrário, se alguém alega que recebeu a lei do Senhor, mas não está disposto a cumprir com as responsabilidades sagradas do convênio, na verdade não representa o Autor da lei. É pura hipocrisia, uma condição muito condenada pelo Senhor. Tal hipócrita tem coração impuro, é doloso e não é aceitável ao Senhor.

Seção 38. No meridiano dos tempos o Salvador orou para que seus discípulos fossem unidos (vide João 17 versículo 2021).
Dezoito séculos mais tarde, o Senhor mandou que os membros da Igreja fossem unidos. Ele disse: "Sede um; e se não sois um, não sois meus" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 38 versículo 27). Observamos que a falta de atingir a união com os Senhor é evidência de nossa indignidade e motivo de sermos inaceitáveis a Ele. O Salvador proclamou aos nefitas: "Aquele que tem o espírito da discórdia não é meu" (3º Néfi 11 versículo 29). Aqueles que estão em sintonia com o Senhor e com os seus ensinamentos têm união com Ele.
Também são aqueles que vivem harmoniosamente uns com os outros. São aqueles que obtiveram a aprovação e aceitação do Mestre.

Seção 46. Nesta revelação o Senhor identificou muitos dons do Espírito
Santo e aconselhou os membros da Igreja a buscarem os melhores dons, conforme as suas necessidades específicas. Ele explicou a importância destes dons e proclamou que "são dados para o benefício dos que me amam e guardam meus mandamentos e àquele que procura fazê-lo"
(DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 46 versículo 9).
Aprendemos que aqueles que se qualificam para receber tais dons espirituais são os que guardam todos os mandamentos. Á primeira vista se pode concluir que ninguém se qualifica. Porém, se ninguém pode recebê-los, por que é que as escrituras falam de tal possibilidade? Ao pensar mais no assunto aprendemos que não devemos tirar por conclusão algo que o Senhor não tenha falado. Ele não disse que quem recebe os dons são aqueles que guardam todos os mandamentos o tempo todo. Ninguém o faz. Mas há muitos que guardam todos os mandamentos quase que o tempo todo. Uma segunda categoria de pessoas aceitáveis consiste naqueles que real e sinceramente procuram guardar todos os mandamentos. Embora nem sempre alcancem suas metas espirituais, se esforçam para alcançar tal objetivo.
Mesmo que ás vezes fracassem, levantam-se, arrependem-se, se for necessário, e continuam a esforçar-se em viver uma vida aceitável e reta.
Deste jeito há muitos Santos dos Últimos Dias que se qualificam para obter os dons do Espírito, oferecidos aos membros fiéis da Igreja, que têm direito ás promessas feitas pelo Senhor àqueles que cumprem com os convênios, e que são aceitáveis ao Senhor. São santos dignos porém imperfeitos. São aqueles que, quando o bispo lhes pergunta se são dignos de entrar no templo e de participar das outras atividades da Igreja, podem ressoar que sim. São aqueles que tomam o sacramento com paz de espírito, que participam confortavelmente das ordenanças do templo, que fazem e recebem as ordenanças do sacerdócio com confiança e que procuram e esperam os dons do Espírito com a certeza que as promessas do Senhor serão cumpridas. São aqueles que são aceitos pelo Senhor e que usufruem a paz que se conquista por viver de acordo com os princípios do evangelho.

CONCEITO 2:  COMO SE OBTéM A ACEITAçãO DO SENHOR?

Seção 52. Esta revelação contém um padrão salutar para todas as coisas (versículo 14) em que o Senhor descreve aquele cujos atributos e ações lhe são aceitáveis. Qualquer pessoa cujo comportamento e natureza conformem com o padrão revelado pelo Senhor pode estar segura que está cumprindo com as expectativas do Salvador no presente momento. O Mestre declarou: "Portanto aquele que ora, cujo espírito é contrito, esse é aceito por mim, se obedecer a minhas ordenanças”.
"Aquele que fala, cujo espírito é contrito, cuja linguagem é mansa e edifica, esse é de Deus, se obedecer a minhas ordenanças”.
"E também aquele que estremece sob o meu poder será fortalecido e produzirá frutos de louvor e sabedoria, de acordo com as revelações e verdades que vos dei" (versículos 15 a 17).
O Senhor identifica pelo menos cinco qualidades ou atributos definitivos que são inerentes numa pessoa aceita por Ele:
Aquele que ora. Esta é a pessoa que depende do Senhor e não de seu próprio entendimento, raciocínio, poder e juízo. Obviamente tal pessoa tem fé em Deus, um dos principais requisitos para ser aceito por Ele. O élder John A. Widtsoe do Quórum dos Doze Apóstolos disse: "Um homem é tão grande quanto suas orações pessoais. O indivíduo não é maior que suas orações pessoais. Se ele for um homem que ora, atinge uma estatura elevada. Senão ele encolhe e a estatura diminui."4
Aquele cujo espírito é contrito. Esta é uma pessoa de humildade que lamentou os pecados e conhece o poder redentor de Cristo. Ela é mansa e responde de maneira positiva a ensinamentos corretos. Ela já escutou e aceitou o convite do Salvador de "vir a mim”. Um espírito de arrependimento penetra sua alma e um coração contrito resultaram em atitudes e comportamento aceitáveis. O Presidente Ezra Taft Benson observou: "O milagre do perdão é real e o arrependimento verdadeiro é aceito pelo Senhor."5
Aquele que obedece ás ordenanças do Senhor. Certamente não se pode bedecer ás ordenanças a não ser que tenha as recebido. Um ser não é aceitável perante o Senhor até que se aproxime do Salvador através das ordenanças e convênios do sacerdócio. Um filho ou uma filha de Deus que opta por ficar fora do reino de Deus e um membro da Igreja que resolve não receber todas as ordenanças ainda é amado pelo Senhor as não é aceito por Ele. Cumprir a vontade do Senhor consiste em fazer e cumprir os convênios que se recebem d'Ele.
Aquele cuja linguagem é mansa e edifica. De modo geral, a fala reflete nossos pensamentos e nossa natureza. A linguagem pode mostrar uma natureza pomposa ou revelar uma mente imunda e alma impura. Quem profana e é de fala vulgar e obscena nega o poder edificante do Espírito Santo e não é nem desejável nem aceito. Certa vez eu tive que dizer a um colega que se não deixasse de falar palavrão, eu não poderia mais ser seu amigo. Ele parou de falar deste jeito, pelo menos na minha presença, e fiquei grato.
Criticar e fofocar também pode ofender e negar o Espírito. O Presidente
Gordon B. Hinckley nos aconselhou da seguinte forma: "Criticar é precursor do divórcio, cultivador de rebelião e catalisador do fracasso. Peço-lhes que virem de costas ao negativismo que permeia nossa sociedade, procurem ver o que é de bom entre nossos colegas e falem mais das virtudes das pessoas do que dos defeitos para que o otimismo possa tomar o lugar do pessimismo e a fé possa sobrepujar o medo. Quando eu era jovem tendia criticar os outros. Meu pai dizia versículo  "O cínico não contribui nem cria e quem duvida não prospera."6
Do contrário a expressão verbal pode refletir a pureza de coração de mente e pode transmitir entendimento de valor eterno. Quem é que não foi elevado ás alturas espirituais ao ouvir os testemunhos e declarações divinas da verdade revelada?
Aquele cujos ensinamentos e obras refletem a verdade revelada pelo Senhor. O Senhor é a fonte de todas as verdades. Os meios pelos quais acessamos a verdade incluem os profetas vivos, as Obras Padrão e a inspiração do Espírito Santo (vide versículos 9, 36). O Senhor não encara o ensino da mentira, seja de propósito ou acidental causa a deturpação de sua mente e vontade. Tais ensinamentos podem desviar as almas do caminho que leva a Deus. O Presidente Joseph F. Smith advertiu a Igreja: "Entre os santos dos últimos dias a pregação de doutrinas falsas, disfarçadas de verdades do evangelho, é algo esperado de praticamente apenas duas categorias de pessoas, que são: Primeiro: As irremediavelmente ignorantes, cuja falta de inteligência se deve à indolência e negligência, que mal se esforçam, se é que o fazem, para melhorarem por meio da leitura e do estudo; pessoas acometidas de uma doença terrível que pode evoluir para uma enfermidade incurável: a preguiça. Segundo: As orgulhosas e presunçosas, que entendem as escrituras de acordo com sua própria vaidade; que interpretam as regras a seu próprio critério; que se tornaram a lei para si mesmas, colocando-se como os únicos juízes de suas próprias ações, sendo mais perigosamente ignorantes do que as primeiras. Acautelem-se contra os preguiçosos e orgulhosos; sua infecção é contagiosa. Melhor seria para eles e para todos que sempre fossem compelidos a exibir sua bandeira amarela de advertência, a fim de que os puros e não infectados pudessem ser protegidos."7
Cada um de nós pode fazer introspecção para determinar se nos conformamos ao padrão de aceitação que o Senhor estabeleceu. Qualquer variação por nossa parte deve resultar na alteração de nosso modo de pensar, sentir e agir. Ademais, cada um de nós pode avaliar o que vemos e ouvimos dos outros e saber se devemos aceitar seu jeito de ser. A tolerância e a aceitação não são iguais. Embora tenhamos o dever de amar e sermos tolerantes dos que desviam do padrão de Senhor, não devemos abraçar nem aceitar esses desvios e deturpações do que é aceitável ao Senhor

Seção 75. Nesta revelação aprendemos que, para sermos aceitos pelo Senhor, devemos fazer o que Lhe agrade e fazer sua vontade e não a nossa.
Enquanto viajava com alguns élderes a uma conferência da Igreja, o Profeta Joseph Smith observou: "Os élderes pareciam ansiosos que eu indagasse do Senhor para que eles soubessem sua vontade e aprendessem o que poderiam fazer de maior agrado a Ele."8 A revelação que seguiu esta indagação identifica como os missionários podem gradar ao Senhor versículo  "Eis que vos digo ser minha vontade irdes sem demora e não serdes ociosos, mas trabalhardes com toda a força Levantando vossas vozes como que com o som de uma trombeta, proclamando a verdade conforme as revelações e mandamentos que vos dei. E assim, se fordes fiéis, sereis carregados com muitos molhos e coroados com honra e glória e imortalidade e vida eterna." (versículos 35)
Uma revisão das expectativas e dos conselhos desta e outras revelações proporciona ao missionário um plano de trabalho eficaz. Ele tem como avaliar seu serviço no ministério e saber quando o Senhor se contenta.
Ele não deve comparar-se com outros missionários, nem comparar seu trabalho com o dos outros missionários de sua missão nem de outras missões.
Se ele subjugou sua vontade para que fosse harmoniosa com a vontade do Senhor, ele sabe que apresentou uma oferta aceitável e receberá a confiança calma que acompanha o cumprimento de uma missão bem-sucedida.
Enquanto eu era presidente de uma missão, um missionário, ao despedir-se, me disse: "Eu voltarei a casa sem remorso. Segui todas as regras da missão, trabalhei duro e fiz o máximo para fazer tudo que sabia que o Senhor esperasse de mim. Alegro-me em dizer que servi uma missão bem-sucedida."

Seção 97. Como pano de fundo do princípio do evangelho contido nesta seção, é bom lembrarmo-nos de um momento decisivo na história do povo do Senhor. Aconteceu logo após a destruição cataclísmica neste continente vinculada com a crucificação do Senhor. O Senhor falou dos céus e anunciou uma alteração na lei do sacrifício. O povo do Senhor havia fielmente obedecido á lei do sacrifício por derramamento de sangue dos animais desde os dias de Adão, fazia quatro mil anos. No seu anúncio, o Senhor aboliu a prática do sacrifício de animais. Embora a lei não fosse extinta, a forma de cumpri-la mudou. O Senhor mandou-os
"oferecer como sacrifício um coração quebrantado e um espírito contrito" (3 Néfi 9 versículo 20).
Nesta dispensação, em 1831, o Senhor reafirmou aquele mandamento
(vide DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  59 versículo 8) e dois anos depois acrescentou uma palavra significativa ao mandamento versículo  "Em verdade vos digo versículo  Todos os que, dentre eles, souberem que seu coração é honesto e está quebrantado e seu espírito contrito; e que estiverem dispostos a observar seus convênios por meio do sacrifício, sim, todo sacrifício que eu, o Senhor, ordenar esses serão aceitos por mim" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 97 versículo 8). Seja qual for o sacrifício que o Senhor nos pedir, Ele enfatizou que devemos fazê-lo de boa vontade. Um sacrifício não feito de boa vontade não cumpre a expectativa do Senhor e o indivíduo deve sentir-se fracassado no seu esforço de agradar ao Senhor. O profeta Mórmon explicou este processo quando disse:
"Pois eis que Deus disse que se um homem é mau, não pode praticar o bem; porque se ele oferece uma dádiva ou ora a Deus, a não ser que o faça com verdadeiro intento, nada lhe proveitará. Porque eis que não lhe é imputada por justiça. Pois eis que se um homem, sendo mau, oferece uma dádiva, ele o faz de má vontade; portanto será considerado como se tivesse retido a dádiva; consequentemente é considerado mau perante Deus." (Morôni 7 versículos 6 a 8)
Por outro lado, uma pessoa que cumpre com o pedido do Senhor de boa vontade é aceita por Ele. Há mais uma dimensão neste assunto. Pode não ser requerido a uma pessoa fazer um sacrifício específico, mas se ela está disposta a fazê-lo de todo o coração, é aceito pelo Senhor. A condição de boa vontade é o que importa neste caso decisivo. Todos sabemos que seremos julgados segundo nossas obras mas ás vezes as obras são o Único ponto de enfoque. E se a pessoa não tiver condições físicas de fazer certos atos? E o que será daqueles que nunca terão oportunidade de contribuir da mesma forma que os outros? Todos nós já observamos que certas pessoas têm talentos e capacidade que as permitem fazer as coisas com mais facilidade ou rapidez, ou até melhor que os outros. Será que aquele que tem menos capacidade e que faz as coisas de forma menos produtiva terá uma recompensa menor pelos seus esforços? A este respeito o Senhor afirmou um princípio eterno numa declaração revelada a Joseph Smith durante a visão do reino celeste registrado na seção 137 versículo 9 de Doutrina e Convênios:
"Pois eu, o Senhor, julgarei todos os homens segundo suas obras, segundo o desejo de seu coração." Em verdade nossa aceitação perante o Senhor depende tanto de nossas ações como de nossa atitude.
Lembro-me claramente do que um casal de missionários me falou ao regressar de um país europeu após uma missão de dezoito meses. Perguntei-lhes como foram de missão. O irmão disse versículo  "Pelo jeito gastamos nosso tempo e dinheiro. Não batizamos ninguém." Senti-me inquieto ao ouvir tal comentário e pedi-lhes que contassem mais a respeito de sua missão.
Replicaram que haviam trabalhado arduamente para achar pessoas para ensinar, mas ninguém quis ouvir sua mensagem. Não me surpreendi com este relato, pois conhecia a missão onde serviram e sabia que era um lugar difícil para os missionários ensinarem e batizarem. Perguntei se tinham outras responsabilidades ou experiências. Informaram-me que participaram do esforço para reativar o pessoal de um pequeno ramo. Indaguei a respeito desse trabalho. Exprimiram seu grande amor pelos membros com que trabalharam e descreveram resultados positivos de aumento de fé e força espiritual na vida de mais de vinte pessoas.
Permitam-me desviar e fazer umas perguntas para contemplarmos.
Será que estes missionários não trabalharam com diligência? Estavam eles dispostos a servir e sacrificar seu tempo e bens para ajudar a obra do Senhor?
Tiveram um desejo no coração de fazer a vontade do Senhor? Não pensamos nós que seu serviço missionário é aceitável perante o Senhor? Não será que ser aceitável ao Senhor é uma medida maior de seu sucesso do que a noção de que não batizar constitui um fracasso no seu trabalho missionário? Depois de fazer-lhes perguntas semelhantes, senti um espírito de paz ao contemplarem o critério que o Senhor utiliza para julgar e aceitar.
O Senhor reforça esta ideia na seção 124. O Senhor ordenara que os
Santos de Missouri construíssem um templo. Embora começassem as obras, infelizmente foram impedidos de completar a construção devido ás ações dirigidas a eles pelas turbas de Missouri. Depois de serem expulsos de Missouri e radicarem-se em Nauvoo, receberam consolo mesmo não tendo cumprido a ordem. O Senhor revela a sua posição perante Ele no versículo 49:
"Em verdade, em verdade vos digo que quando dou um mandamento a qualquer dos filhos dos homens de fazer um trabalho ao meu nome e esses filhos dos homens usam toda a sua força e tudo que têm para realizar este trabalho e não deixam de ser diligentes; e são atacados por seus inimigos e são impedidos de realizar este trabalho, eis que me convém já não requerer das mãos desses filhos dos homens o trabalho, mas aceitar suas ofertas" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 124 versículo 49).
O Presidente Joseph F. Smith enfatizou a necessidade de continuar a
Esforçarmos quando ensinou: "Não se deve haver nada de desistir uma vez que lançamos mão do arado. . . Não se pode desanimar-se.
Pode ser que fracassemos várias vezes; . . . podemos não alcançar o objetivo que almejamos . . . . Se falharmos, tudo bem. Vamos adiante; tentemos outra vez; tentemos em outro lugar. Nunca desistamos. Não digamos que não se pode fazer. Fracasso é uma palavra que deve ser desconhecida e expungida da nossa linguagem e de nossos pensamentos. . . . Receberemos a recompensa por todo o bem que fazemos. Receberemos o galardão por todo o bem que desejamos fazer e nos esforçamos por fazer mesmo não levando-o a efeito, pois seremos julgados segundo nossas obras e nossa intenção e propósito; . . . Nós que nos esforçamos não falharemos se não desitirmos."9
Dou muito valor á memória de um dos meus élderes missionários. Ele tinha muita dificuldade em aprender espanhol e não tinha recebido avaliações positivas de seu progresso no Centro de Treinamento Missionário. Mesmo que ele fosse muito diligente, os outros do distrito progrediram bem mais nos seus estudos. Depois que ele chegou á missão encontrou muita dificuldade em comunicar-se com os falantes nativos de espanhol; ele labutava com severas limitações ao tentar falar com eles. Não obstante não desistiu; recusou-se a desanimar-se.
Possuía um espírito maravilhoso e ao apresentar o Livro de
Mórmon ás pessoas e prestar seu testemunho elas sabiam que ele sabia que o livro era verdadeiro. Muitos aceitaram seu convite de ler o livro e mais tarde permitiram que ele e seu companheiro fossem a sua casa para ensinar-lhes.
Ele continuava a encontrar dificuldades em conversar e ensinar, mas orava e estudava com diligência. Um número grande de seus investigadores entraram para a Igreja. Eu sabia que o Senhor aceitara seus esforços por causa de sua disposição de fazer tudo que o Senhor esperava.
Com tempo sua capacidade linguística aumentou. Por fim ele foi chamado para ser líder da zona espanhola e quando eu discursava no ramo espanhol ele servia de intérprete. Sua missão lhe proporcionou a oportunidade de receber a aceitção do Senhor e a confirmação de seu estado perante Deus.
Embora o Senhor espere que façamos o nosso melhor para alcançar um nível de desempenho perfeito, é consolador saber que para nós aqui na atualidade o Senhor estabeleceu um nível inferior de aceitação. Nossos esforços podem se chamar de "persistência a caminho do desempenho perfeito." Aprendemos das revelações do Senhor o que Ele espera em relação a nossas responsabilidades ao esforçar-nos para alcançar certas metas. Espera-se que procuremos atingir as caraterísticas de integridade estabelecidas por Ele e façamos um esforço sincero de seguir seu exemplo de conduta em todas as situações. Se nosso coração estiver de acordo e estivermos dispostos a fazer sua vontade, podemos ser e seremos servos aceitáveis perante o Altíssimo.
Ser aceito pelo Senhor é o resultado de viver segundo os primeiros princípios e ordenanças descritos na quarta regra de fé, isto é, fé em Jesus Cristo, arrependimento, batismo e o dom do Espírito Santo. Há mais um princípio que devemos mencionar. Depois de embarcar na jornada pelo caminho estreito como filhos aceitáveis de Deus, precisamos continuar a esforçar-nos em permanecer fiéis até o fim (vide 2 Néfi 31 versículo 1521).
O Senhor empregou quarenta e seis vezes em Doutrina e Convênios uma palavra que significa "perdurar" mas que tem uma conotação um pouco diferente. A palavra é "continuar." Gosto de ouvir o Senhor usar aquela palavra porque refere-se á aceitação atual de um indivíduo e também torna válido o rumo que ele está seguindo para a vida eterna. Como exemplo desta ideia, podemos ler a declaração do Senhor a John C. Bennett: "Vi a obra que ele fez, a qual aceito se ele continuar; e coroá-lo-ei com bênçãos e grande glória" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  124 versículo 17. Infelizmente, John Bennett não continuou mas em vez disso afastou-se do Senhor e de sua Igreja e perdeu as gloriosas bênçãos prometidas. Agora um exemplo positivo, refiro-me á segurança que o Senhor deu a Lyman Sherman quanto a seu estado aceitável perante o Senhor e as promessas maravilhosas de futuras bênçãos se continuar a ser fiel (vide DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 108 versículo 25).
Ele assim fez até a morte.


CONCEITO 3:  ONDE ENCONTRAMOS A ACEITAÇÃO DE JOSEPH SMITH PELO SENHOR?

Vamos examinar mais um exemplo do assunto de aceitação do Senhor em Doutrina e Convênios. Observamos um exemplo da vida e ministério do Profeta Joseph Smith em que ele buscou e obteve a aceitação do Salvador.
Escolhi umas passagens significativas desta experiência em que se notam semelhanças para nossa vida e destino.
Todos nós sabemos que Joseph era muito jovem quando o Senhor lhe incumbiu da responsabilidade assombrosa de lançar os alicerces do reino de Deus na terra e edificá-lo.
Mas ele não recebeu a carga toda de vez. Ele amadureceu passo por passo através das designações e experiências. Por exemplo, devido á perda das 116 páginas do manuscrito do Livro de Mórmon,
Joseph foi repreendido e recebeu o lembrete que ele tinha o dom de tradução e que não devia buscar nem aspirar a quaisquer outros dons até completar a tradução das placas (vide DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 5 versículo 4). Era para ele focalizar todos os esforços naquela Única tarefa. Ao fazê-lo ele aprendeu a receber revelação e se tornou mas ciente da mente e vontade do Senhor enquanto aprendia princípios de verdade e de doutrina.
Um ano depois, completou-se a tradução, Joseph foi apoiado como o
Profeta do Senhor e os membros da Igreja receberam mandamento de "dar ouvidos a todas as suas palavras e aos mandamentos que lhes daria. . . . Pois recebereis sua palavra como se fosse de minha própria boca" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  21 versículo 45).
Que peso de responsabilidade a ser carregado por um moço de vinte e quatro anos que não tinha experiência de liderança! Mas ele se sustentava pela certeza que fora aceito pelo Senhor, quem manifestou uma confiança enorme nele. Ele também sabia que não ia trabalhar sozinho; o Senhor pretendia guiá-lo no seu chamado. Porém, embora o Senhor tivesse aceitado Joseph naquele momento, é claro que o jovem profeta então servia em caráter provisório, ou condicional. Ainda precisava provar-se digno de aceitação contínua. Durante os primeiros anos de serviço algumas revelações que recebeu lembravam-no da necessidade de ser diligente e fiel a seu sagrado chamado. Vamos ler algumas das passagens.
Em junho de 1829, quase um ano antes da organização da Igreja, o
Senhor fez o seguinte pronunciamento condicional: E agora não te maravilhes de que eu o tenha chamado por um propósito meu, propósito esse que me é conhecido; portanto, se ele for diligente na observância de meus mandamentos, será abençoado com vida eterna; e seu nome é Joseph" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 18 versículo 8).
Pouco mais de um ano depois, em setembro de 1830, depois que
Hiram Page afirmara que recebia revelações, o Senhor lembrou aos Santos que Joseph ainda era seu profeta e o Único autorizado a receber revelações para a Igreja toda: "Mas eis que em verdade, em verdade eu te digo: Ninguém será designado para receber mandamentos e revelações nesta igreja, a não ser meu servo Joseph Smith JÚnior porque ele as recebe como Moisés" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  28 versículo 2).
Passaram-se mais três meses enquanto Joseph traduzia a Bíblia.
Sidney Rigdon visitou Joseph e foi chamado pelo Senhor para ajudar Joseph, fazendo o serviço de escrivão. Avisou-se a Sidney qual era o elevado chamado de Joseph, embora fosse um chamado condicional. O Senhor disse: "E dei-lhe [a Joseph] as chaves do ministério das coisas que foram seladas, sim, das que existiram desde a fundação do mundo e das que virão, a partir de agora até a ocasião de minha vinda, se ele permanecer em mim; e, se não, porei outro em seu lugar" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  35 versículo 18).
Passaram-se somente mais dois meses quando uma mulher conhecida pelo nome de Hubble chegou ao meio dos Santos dos Últimos Dias, alegando que recebia revelações e leis do Senhor para toda a Igreja e professando ser profetisa. Pode ser que se possa referir-se a tais problemas como as "Encrencas da Hubble!" Devido ao fato de alguns dos Santos terem sido enganados por ela, pensando que isso se tratava de um caso válido, ou seja, que ela representava o Senhorr, o Profeta Joseph Smith resolveu indagar ao Senhor. Ao procurar a orientação do Senhor, recebeu uma revelação que incluía a seguinte declaração divina para os membros da Igreja em que o Senhor disse: "Pois eis que em verdade, em verdade eu vos digo que recebestes um mandamento como lei para a minha igreja [a seção 42 do livro de Doutrina e Convênios], por meio daquele que já designei para receber mandamentos e revelações de minha mão [o Profeta Joseph Smith]. E isto vós sabereis com certeza que não há qualquer outro debaixo do céu designado para receber mandamentos e revelações para vós, até que ele seja levado, se ele permanecer em mim" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 43 versículo 23).
Mais uma vez, durante o outono do ano de 1831, o Senhor ainda fez outra declaração de caráter condicional a respeito do cargo profético que o Profeta Joseph então ocupava. Ele disse o seguinte: "E eis que as chaves dos mistérios do reino não serão tiradas de meu servo Joseph Smith Júnior através dos meios que eu designei, enquanto ele viver, contanto que obedeça ás minhas ordenanças" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 64 versículo 5).
Nos dias iniciais da história de sua Igreja, era muito preciso que o
Senhor desse com frequência ênfase ao fato de que Joseph Smith era o Único ser mortal que havia sido autorizado a falar em nome do Senhor e assim receber revelações para a sua Igreja. Mas é de interesse nosso notar que durante um período de vinte e sete meses, ou seja, de junho de 1829 a setembro de 1831, podemos averiguar que o Senhor deu advertências a Joseph pelo menos cinco vezes no sentido de informá-lo que o estado de seu chamado dependia dele guardar os mandamentos e obedecer a todas as ordenanças. Não obstante, o próximo registro, dos dizeres provindos do Senhor, quanto ao chamado de Joseph no seu reino contêm uma declaração muito notável. Na seção 90, que foi dada no dia 8 de março de 1833, o Senhor disse a Joseph: "Em verdade te digo: As chaves deste reino jamais te serão tomadas enquanto estiveres no mundo; tampouco no mundo vindouro"
(DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 90 versículo 3).
Depois das muitas ocasiões em que o Senhor havia dado ênfase referente ao estado condicional de Joseph, Ele na Última passagem citada declara que o chamado e papel sagrados de Joseph ora seriam eternos e sem condições. Podemos nos perguntar a nós mesmos o que houve? Por que houve esta mudança? Quando lemos certas passagens da seção 132, nós descobrimos a resposta. O Senhor declarou a Joseph: "Pois eis que sou o Senhor teu Deus e estarei contigo até o fim do mundo e por toda a eternidade; pois em verdade selo sobre ti tua exaltação e preparo-te um trono no reino de meu Pai, com Abraão, teu pai" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO 132 versículo 49).
Alguns podem querer saber como a declaração do Senhor na seção
132 pode ter algo a ver com a declaração já citada anteriormente da seção 90. A resposta simples é que a seção 132 foi recebida por Joseph Smith no mínimo um ano antes que recebesse a seção 90, talvez já no ano de 1831, embora não fosse escrito oficialmente até meados de 1843. Portanto quando o Senhor firmou a vocação e eleição do Profeta Joseph numa data indeterminada durante o Último trimestre de 1831, tal ato antecipou a revelação dada em 1833 na seção 90 em que o Senhor sem restrições afirmou o chamado profético de Joseph Smith tanto neste mundo como no mundo que vem.
Vamos parar para dar uma breve explicação da expressão "vocação [chamado] e eleição: "Ser chamado (ou receber a vocação) é ser um membro da Igreja e reino de Deus na Terra; . . . é possuir uma promessa condicional de vida eterna. . . . A vocação em si trata-se de devoção á causa do evangelho; não se reserva unicamente aos apóstolos e profetas nem para os grandes e poderosos de Israel; é para todos os membros do reino que se qualificam. Fazer firme a vocação e eleição consiste em selar sobre si a vida eterna; significa que se recebe uma garantia incondicional de exaltação no reino mais elevado do mundo celestial; é, para todos os efeitos, o adiantamento do dia do julgamento."10
Durante a primeira fase da vida e ministério mortal de Joseph Smith, o
Senhor o lembrou, repetidas vezes de que precisava guardar os convênios e assim provar-se digno de elevar-se acima de seu estado condicional no reino de Deus. Depois de provar-se, Joseph passou de um estado de ciência de sua aceitação condicional pelo Senhor para um nível em que recebeu o conhecimento seguro de seu estado de aceitação permanente, sim, o selamento sobre si de sua exaltação.
Eu já comentei antes que quando fôssemos examinar as experiências de Joseph Smith com relação a sua aceitação pelo Senhor, iríamos notar que há muitas semelhanças na nossa própria busca da aceitação do Senhor.
Deixemme
mencionar algumas delas. Como Joseph, nós também fazemos
convênios e promessas que com muita sinceridade procuraremos cumprir,
sabendo da promessa de vida eterna que o Senhor proporciona áqueles que
são fiéis. Nós também precisamos de adevertências para não caírmos nas
armadilhas e tentações da mortalidade mas procurarmos com muita diligência
evitar qualquer afastamento do plano que o Senhor estabeleceu para a nossa
felicidade..
Já observamos que Joseph foi repreendido pelo Senhor quando
necessário e que depois de arrependerse
com toda a sinceridade ele foi
restaurado a sua relação favorável com a divindade. Nós tampouco faremos
tudo que é certo o tempo todo. Mas quando tropeçarmos ou desagradarmos
ao Senhor, nós, como ele, poderemos nos arrepender e esforçãrnos
por
melhoranos.
Se assim fizermos, poderemos esperar a mesma ajuda
carinhosa das alturas. Sabendo que não alcançaremos todos os níveis de
15/01/2015 Sermos Aceitos pelo Senhor | Religious Studies Center
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perfeição nesta vida, o Presidente Lorenzo Snow nos deu conhecimento e
conselhos consoladores versículo  "Se pudéssemos ler um relato detalhado da vida de
Abraão, ou a vida de outros grandes e santos homens, acharíamos, sem
dÚvida, que seus esforços também nem sempre foram coroados com sucesso.
Por isso, não devemos desanimarnos
se formos vencidos num momento de
fraqueza, pelo contrário, vamos logo arrependernos
do erro ou pecado
praticado por nós e, dentro do possível, consertálo
e buscar novas forças de
Deus para continuar e aperfeiçoarnos.
Não podemos permitir que nos
desanimemos ao descobrirmos nossas fraquezas. Dificilmente encontramos
um caso em todos os exemplos gloriosos que os profetas, antigos e
modernos, nos deixaram em que eles permitiram que o diabo os desanimasse.
Mas, por outro lado, os profetas sempre procuravam sobrepujar, conquistar o
prêmio e prepararse
para a plenitude da glória celestial."11
Ao examinarmos o destino final de Joseph Smith e considerarmos que
se fizeram firmes a sua vocação e eleição, muitos vão pensar que não temos
condições de seguir o seu exemplo. Mas a diferença principal entre nós e
Joseph é que o selamento de sua exaltação se realizaou durante a sua vida
mortal. Certamente alguns de nós podemos também receber um selamento
igual ao do Profeta ao passo que muitos podem não receber nesta vida. Porém
a hora em que se recebe esta bênção, pois para uns é mais cedo para outros
mais tarde, não importa muito no plano eterno. Aqueles que recebem a
aceitação do Senhor nesta vida e partem daqui tendo permanecido fiéis até o
fim no seu relacionamento com o Senhor também serão recipientes do
selamento para a vida eterna. Escutem os ensinamentos confirmadores de um
apóstolo, o élder Bruce R. McConkie, proferidos a respeito deste assunto versículo
"Todos os Santos fiéis, todos aqueles que permaneceram fiéis até o fim, saem
desta vida com uma garantia absoluta de vida eterna. Não há nenhum
equívoco, nenhuma dÚvida nem incerteza em nossa mente. Aqueles que
foram verdadeiros e fiéis nesta vida não se afastarão do caminho na vida
vindoura. Se cumprirem seus convênios aqui agora e partirem desta vida
firmes e leais no testemunho do nosso bemaventurado
Senhor, surgirão com
uma herança de vida eterna.
Nós não queremos dizer que aqueles que morrem, mantendose
na
justiça do Senhor, e que são verdadeiros e fiéis nesta vida, precisem ser
perfeitos em todas as coisas quando passarem para a próxima esfera de
existência. Só há um homem perfeitoo
Senhor Jesus cujo Pai é Deus. . . .
Mas o que queremos dizer é que quando os santos de Deus traçarem um
rumo de retidão, quando adquerirem testemunhos inabaláveis da veracidade e
da divindade da obra do Senhor, quando guardarem os mandamentos, quando
vencerem o mundo, quando colocarem em primeiro lugar as coisas do reino
de Deus, quem fizer tudo isso ao partir desta vida, mesmo que ainda não
tenha se tornado perfeito, receberá, não obstante, a vida eterna no reino de
nosso Pai e por fim se tornará perfeito como perfeitos são Deus o Pai e seu
Filho Jesus Cristo."12
Portanto nós realmente podemos seguir o mesmo caminho que seguiu
o Profeta Joseph Smith. Já aprendemos que o verdadeiro sucesso na vida
terrena consiste em obter a aceitação de Deus, ou seja, sermos aceitos por Ele. Todos aqueles que alcançarem tal
estado poderão ter certeza disso pela presença pacífica e consoladora do
Espírito Santo. O Senhor disse a Joseph Smith que ele saberia quando estava
no lugar onde o Senhor queria que ele estivesse pela "paz e pelo poder do
meu Espírito que afluirão a ti" (DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  111 versículo 8).
Nenhum membro desta Igreja iria duvidar do sucesso que o Profeta
Joseph Smith atinguiu em sua vida terrestre. E o que foi que ele fêz? Ele
achou a aceitação de seu Salvador (13), embora por um tempo esta aceitação se tratasse de uma aceitação condicional. Ele teve que provarse como todos nós. Mas ele padeceu e permaneceu fiel e obteve a promessa incondicional do Senhor referente á vida eterna. Por isso não é de se admirar que o próprio Profeta Joseph Smith tenha exclamado a todos nós versículo  "ó! Eu rogo sinceramente a vós que vades adiante, que vades adiante e façais firme vossa votação [chamado] e eleição."14
Ao contemplarmos como nós podemos cumprir a ordem do Profeta,
digo simplesmente aos irmãos santos, os meus conservos versículo  "Recebem todos os convênios do sacerdócio que lhes são disponíveis no templo e guardemnos."
Para simplificr ainda mais, digo versículo  "Obedeçam ao convênio batismal e
permaneçam fiéis até o fim, a promessa é a da vida eterna" (vide Mosias
18 versículo 810).
A vida eterna, ou a exaltação, é o grau mais elevado de aceitação
do Senhor. Ele não proporciona uma dádiva maior que esta (vide DOUTRINA E CONVÊNIOS SEÇÃO  14 versículo 7); este dom é conferido a todos aqueles que são aceitos por ele e que continuam a manter este estado de aceitação. Não há sucesso que seja de mais importância. Que todos nós possamos nos esforçar constantemente para atingi-lo é o que desejo e oro.


Anotações
1. Neal A. Maxwell, in Conference Report, October 1976, 14.
2. Neal A. Maxwell, in Conference Report, October 1976, 14.
3. "America the Beautiful," Hymns (Salt Lake City: The Church of Jesus Christ of Latterday Saints, 1985), no. 338.
4. John A. Widtsoe, The Message of the Doctrine and Covenants (Salt Lake City versículo
Bookcraft, 1969), 38.
5. Ezra Taft Benson, The Teachings of Ezra Taft Benson (Salt Lake City versículo
Bookcraft,
1988), 70.
6. Gordon B. Hinckley, Stand a Little Taller (Salt Lake City versículo  Eagle Gate, 2001),
161.
7. Joseph F. Smith, Gospel Doctrine (Salt Lake City versículo  Deseret Book, 1963), 373.
8. Joseph Smith, History of the Church of Jesus Christ of Latterday
Saints, ed.
B. H.
Roberts, 2nd ed. rev. (Salt Lake City versículo  Deseret Book, 1980), 1 versículo 243.
9. Smith, Gospel Doctrine, 13233.
10. Bruce R. McConkie, Doctrinal New Testament Commentary (Salt Lake City versículo
Bookcraft, 1973), 3 versículo 326, 33031.
11. Lorenzo Snow, "Blessings of the Gospel Only Obtained by Compliance to
the Law," Ensign, October 1971, 19, 21.
12. Bruce R. McConkie, in Conference Report, October 1976, 15859.
13. Smith, History of the Church, 1 versículo 316.
14. Joseph Smith, Teachings of the Prophet Joseph Smith, comp. Joseph Fielding
Smith
(Salt Lake City versículo  Deseret Book, 1967), 366.

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